{"id":3516,"date":"2009-09-16T09:37:00","date_gmt":"2009-09-16T09:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3516"},"modified":"2009-09-16T09:37:00","modified_gmt":"2009-09-16T09:37:00","slug":"como-deve-ser-um-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/como-deve-ser-um-cristao\/","title":{"rendered":"Como deve ser um crist\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> Medita\u00e7\u00e3o numa noite de Inverno. Que tranquilidade\u2026 o jantar tinha sido bom. A noite estava fria l\u00e1 fora, e eu confort\u00e1vel, junto da lareira. Em casa todos dormiam tranquilos e quentes. Fiquei s\u00f3 e queria ficar s\u00f3, com o meu conforto. Mas Deus entrou sem bater, para dialogar comigo, contra minha vontade. \u00c9 que um di\u00e1logo assim, t\u00e3o \u00edntimo, arrebata-me da minha cadeira confort\u00e1vel, que a fraqueza do corpo tantas vezes pede. Mas Ele insistiu! E apesar do sono que me invadia, tentei meditar e responder \u00e0 pergunta que Ele me fez: <\/p>\n<p>\u2013 Como deve ser um Crist\u00e3o? <\/p>\n<p>Bom, evidentemente que deve ser\u2026 Verdadeiro, optimista, alegre, feliz, etc., etc., dando o melhor exem-plo, amando sempre numa luta constante, at\u00e9 ao fim. E se ama e luta, o crist\u00e3o at\u00e9 \u00e9 verdadeiro (ainda que contra tudo e contra todos). Mas\u2026 e as verdades que n\u00e3o queremos ouvir porque nos desagradam? E as verdades que n\u00e3o se dizem, \u201cpor caridade\u201d, por cobardia, \u201cporque n\u00e3o conv\u00e9m\u201d? <\/p>\n<p>Optimista \u2013 pois a sua Esperan\u00e7a reside em Deus, um Deus que at\u00e9 se d\u00e1 em alimento; e quem n\u00e3o se sente optimista com um Deus nas entranhas?! E se muitas vezes n\u00e3o o somos \u00e9 porque nos esquecemos disto. <\/p>\n<p>Alegre \u2013 pois o sorriso \u00e9 sempre uma porta aberta e um sinal de ora\u00e7\u00e3o, de simpatia e, quantas vezes, a alavanca para que os outros se deixem ajudar e nos ajudem tamb\u00e9m. <\/p>\n<p>Mas seremos sinceramente alegres, sempre, mesmo quando tudo corre ao contr\u00e1rio do que prev\u00edamos? E quando nos dizem a tal verdade que n\u00e3o quer\u00edamos ouvir? E quando quer\u00edamos dizer a verdade e n\u00e3o fomos capazes? E quando em nome do Senhor tivemos a coragem de a dizer e fomos t\u00e3o mal compreendidos? E quando, inocentes, somos v\u00edtimas de ciladas, armadas por pessoas que nunca imaginar\u00edamos? Onde ficou o nosso optimismo e alegria? Oh! Como \u00e9 dif\u00edcil ser crist\u00e3o a valer.<\/p>\n<p>Feliz \u2013 depende do significado que se d\u00ea \u00e0 palavra. Verdadeiramente felizes nos consideramos na medida em que ajudarmos os outros a s\u00ea-lo tamb\u00e9m. E quando alargamos este ideal para l\u00e1 da fam\u00edlia, conhecidos e amigos, dilata-se a felicidade.<\/p>\n<p>Eu poderia contar pelos dedos, t\u00e3o poucos eles foram, os dias em que cheguei ao fim, cansada mas feliz, por algo que fiz material ou espiritualmente. E os outros dias todos em que a consci\u00eancia acusa que a miss\u00e3o n\u00e3o ficou cumprida?<\/p>\n<p>Aquele pobre que mand\u00e1mos embora com uma esmola, em vez de o convidarmos a entrar e dialogarmos, tentando ajud\u00e1-lo a resolver o seu problema\u2026 Mas os afazeres, os compromissos tantas desculpas! Tanto que fazer, tanto que ser, e tantas s\u00e3o as falhas, que por vezes desejar\u00edamos ser cegos e surdos!<\/p>\n<p>Cegos\u2026 para n\u00e3o vermos a mis\u00e9ria dos nossos irm\u00e3os. Farrapos, sujidade que a retina dos nossos olhos se recusa a vislumbrar, mas que o cora\u00e7\u00e3o fixa!<\/p>\n<p>Estou recordando uma fam\u00edlia que conheci. Como \u00e9 poss\u00edvel que dentro daquele casebre n\u00e3o houvesse absolutamente nada, a n\u00e3o ser uma porta e um monte de palha para dormir a um canto! Era esse o seu \u201cjardim de oliveiras\u201d, onde choravam tamb\u00e9m, tristes e s\u00f3s\u2026<\/p>\n<p>E dois currais onde viviam duas fam\u00edlias, divididas por um p\u00e1tio cheio de montes de estrume. Era ali que as crian\u00e7as brincavam descal\u00e7as. Uma delas, sufocada pela tosse, n\u00e3o tinha apetite. Duas postas de peixe, cozidas sabe Deus quando, e cobertas de moscas, eram o seu pequeno-almo\u00e7o!<\/p>\n<p>E quantas pessoas haver\u00e1, como a boa mulher que tratava da nossa roupa, que n\u00e3o conheceu o sabor da carne na sua inf\u00e2ncia? Depois de ajudar a m\u00e3e, durante madrugadas infind\u00e1veis, a lavar a roupa do quartel, almo\u00e7avam ambas batatas cozidas de v\u00e9spera\u2026 j\u00e1 frias.<\/p>\n<p>Que vontade de trancar essa \u201cjanela das traseiras\u201d que nos oferece semelhantes panoramas! Mas como, se o cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 fixou?<\/p>\n<p>Surdos\u2026 sim! Para n\u00e3o ouvirmos mais os lamentos, os gritos de fome e sede de caridade, de uma m\u00e3o amiga, de justi\u00e7a, de amor\u2026<\/p>\n<p>Senhor, agradecemos-te imenso a liberdade que nos destes, para podermos pensar, agir, escolher, mas ao mesmo tempo, que fardo t\u00e3o pesado, ao sentirmo-nos assim respons\u00e1veis pelos outros! Tu mesmo disseste que pobres h\u00e1 e haver\u00e1 sempre. Estas palavras poderiam tranquilizar-nos um pouco. Mas, logo a seguir, deixas-nos o \u201cmandamento novo\u201d, que nos inquieta tanto!<\/p>\n<p>Que felicidade se pode sentir ao calor de uma lareira? N\u00f3s continuaremos junto dela nas longas noites de Inverno, mas o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o aquecer\u00e1, sabendo que ao nosso lado algu\u00e9m morre de frio!<\/p>\n<p>Como se pode olhar um \u201cperu recheado\u201d, quando na nossa mente, como num ecr\u00e3, passa uma prociss\u00e3o de olhos e bocas famintas? De que nos vale o sabor de uma boa mesa, se nos fica na boca o amargo, a azia de toda esta confus\u00e3o!<\/p>\n<p>Que pesadelo, Senhor, para os que querem sentar-se tranquilamente junto da lareira, mas n\u00e3o s\u00e3o capazes de ser cegos nem surdos.<\/p>\n<p>Mas, apesar de tudo, Senhor, com todas as minhas falhas e fraquezas, com todo o meu apego \u00e0 comodidade e ego\u00edsmo, eu tamb\u00e9m quero ver e ouvir (seria demasiado tarde para voltar atr\u00e1s). Sinto que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil viver como morrer, e viver neste mundo assim \u00e9 morrer cada dia num contentamento descontente e numa comodidade que nos faz incomodados, enquanto soubermos que h\u00e1 pessoas que n\u00e3o conhecer\u00e3o a felicidade, nem contentamento, nem comodidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o havia fogo na lareira e eu estava gelada, como desejei nesse momento.<\/p>\n<p>Eduarda Manuela Campos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-3516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3516\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}