{"id":3609,"date":"2009-09-02T11:49:00","date_gmt":"2009-09-02T11:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3609"},"modified":"2009-09-02T11:49:00","modified_gmt":"2009-09-02T11:49:00","slug":"interpelar-opinar-julgar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/interpelar-opinar-julgar\/","title":{"rendered":"Interpelar, opinar, julgar"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 tempo de cada um se assumir com os seus direitos, deveres e responsabilidades de cidad\u00e3o e de crist\u00e3o, se for o caso. Tempo \u00e9 sempre. Por\u00e9m, h\u00e1 acontecimentos que nos fazem acordar e nos empurram para caminhos novos, abertos e estimulantes, porventura inc\u00f3modos, mas necess\u00e1rios. O tempo de elei\u00e7\u00f5es para escolher servidores do bem p\u00fablico, como devem ser sempre os deputados da Assembleia da Rep\u00fablica e os respons\u00e1veis aut\u00e1rquicos, n\u00e3o pode deixar-nos indiferentes e passivos. Quando impera o medo de falar ou a apatia generalizada, h\u00e1 sempre o perigo de serem inc\u00f3modas as opini\u00f5es mais livres e realistas. \u00c9 esse medo e essa apatia que agradam tanto aos ditadores como aos pol\u00edticos fracos. Mas a uns e outros n\u00e3o se lhes pode proporcionar tal favor. Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 que mostrar que democracia \u00e9 espa\u00e7o de participa\u00e7\u00e3o de todos e respeito pela liberdade de opini\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p>\u201cNa pr\u00e1tica, mais uma vez a sociedade partid\u00e1ria procedeu \u00e0 captura da sociedade civil para o debate pol\u00edtico partid\u00e1rio\u2026 Aquilo que poderia ser uma manifesta\u00e7\u00e3o interessada da sociedade civil por um problema espec\u00edfico, apenas veio fortalecer argumentos da li\u00e7a partid\u00e1ria\u2026 Ou nos resignamos ou temos de escolher uma ala que nos \u00e9 oferecida na vida colectiva\u2026 Nalgum momento, a posi\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o deve ser assumida num ponto de linha que une as diversas esquerdas, centros e direitas, na eterna e inacabada luta entre os divergentes modelos, op\u00e7\u00f5es e pessoas para a gest\u00e3o da nossa vida colectiva. Nem todas as op\u00e7\u00f5es da vida colectiva e do cidad\u00e3o devem ser op\u00e7\u00f5es para servir uma luta partid\u00e1ria\u201d. Assim opinou um gestor, Jorge Marr\u00e3o, no Espa\u00e7o P\u00fablico, do jornal com o mesmo t\u00edtulo (27.07.09). <\/p>\n<p>Uma opini\u00e3o de quem parece ter os p\u00e9s no ch\u00e3o, capaz de denunciar as querelas partid\u00e1rias que geram absolutos para servir pessoas e interesses, mas que passam ao lado do bem comum, tarefa de todos, cidad\u00e3os e partidos pol\u00edticos, e em que ningu\u00e9m est\u00e1 a mais.<\/p>\n<p>Nas minhas leituras de f\u00e9rias esteve um livro, come\u00e7ado h\u00e1 tempos e de que s\u00f3 agora pude continuar a proveitosa leitura. Trata-se de \u201cChina, a escalada do drag\u00e3o\u201d, da jornalista italiana Renata Pisu, uma profunda conhecedora e estudiosa. da China hist\u00f3rica e da actual. \u00c9 uma verifica\u00e7\u00e3o e uma advert\u00eancia que, n\u00e3o sendo n\u00f3s chineses, n\u00e3o deixa de vir a prop\u00f3sito. Diz ela logo no fim do pr\u00f3logo: \u201cNa China, agora como antigamente, quem coloca quest\u00f5es e levanta problemas e \u00e9 malvisto. Dizer \u201cgostava de fazer um pergunta\u201d significa que h\u00e1 um problema. Ent\u00e3o, \u00e9 melhor nunca colocar perguntas, nunca levantar problemas\u201d. Assim j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 obstru\u00e7\u00f5es. Parece ser este o pre\u00e7o exigido pelo governante que n\u00e3o quer ser incomodado. Quem abafa pessoas nunca dar\u00e1 um passo para construir uma sociedade de pessoas.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita gente que opta pela cr\u00edtica f\u00e1cil da mesa do caf\u00e9, sempre inconsequente. \u00c9 verdade que os com\u00edcios de campanha eleitoral est\u00e3o desvirtuados. S\u00f3 l\u00e1 vai a gente da cor e essa vai para aplaudir, n\u00e3o para reflectir ou questionar. Algu\u00e9m com opini\u00e3o pr\u00f3pria, se ousa discordar do orador de servi\u00e7o e faz perguntas, sai ou \u00e9 vaiado. <\/p>\n<p>Uma sociedade que se diz livre est\u00e1 capturada pela linguagem partid\u00e1ria. E, se forem perdidas as ocasi\u00f5es para opinar, perguntar e desabafar, pode tornar-se uma sociedade amorfa, ainda mais decapitada e entregue a quem n\u00e3o queremos, nem desejamos. <\/p>\n<p>Certamente que h\u00e1 que relativizar muitas coisas e ter consci\u00eancia de que os governantes s\u00e3o pessoas normais, mesmo que julguem que n\u00e3o o s\u00e3o. Por isso eles precisam de ouvir para conhecer a realidade, de dar valor at\u00e9 aos pr\u00f3prios opositores, de encontrar em comum os melhores caminhos, de n\u00e3o se considerarem donos do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 tempo de cada um se assumir com os seus direitos, deveres e responsabilidades de cidad\u00e3o e de crist\u00e3o, se for o caso. Tempo \u00e9 sempre. Por\u00e9m, h\u00e1 acontecimentos que nos fazem acordar e nos empurram para caminhos novos, abertos e estimulantes, porventura inc\u00f3modos, mas necess\u00e1rios. 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