{"id":3712,"date":"2009-09-09T11:38:00","date_gmt":"2009-09-09T11:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3712"},"modified":"2009-09-09T11:38:00","modified_gmt":"2009-09-09T11:38:00","slug":"uma-enciclica-ingenua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-enciclica-ingenua\/","title":{"rendered":"Uma enc\u00edclica ing\u00e9nua?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Uma cr\u00edtica feita \u00e0 enc\u00edclica \u00abCaritas in Veritate\u00bb, de Bento XVI, \u00e9 a de ser ing\u00e9nua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia de mercado. A enc\u00edclica n\u00e3o a condena e, pelo contr\u00e1rio, assume-a como realidade positiva. Por isso, afirma que: \u00abA sociedade n\u00e3o tem que se proteger do mercado, como se o desenvolvimento deste implicasse \u00abipso facto\u00bb a morte das rela\u00e7\u00f5es autenticamente humanas\u00bb (n\u00ba. 36). Nesta conformidade, \u00abn\u00e3o \u00e9 o instrumento (a economia de mercado) que deve ser questionado, mas sim o homem, a sua consci\u00eancia e a sua responsabilidade pessoal e social\u00bb (ibidem). <\/p>\n<p>A enc\u00edclica at\u00e9 valoriza o mercado, reconhecendo que ele, \u00abse houver confian\u00e7a rec\u00edproca e generalizada, \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimens\u00e3o de  operadores econ\u00f3micos (&#8230;)\u00bb (n\u00ba. 35). E, invocando Paulo VI, na \u00abPopulorum Progressio\u00bb, n\u00ba. 38, considera desej\u00e1vel \u00abum modelo econ\u00f3mico de economia de mercado capaz de incluir, pelo menos intencionalmente, todos os povos (&#8230;)\u00bb (n\u00ba. 39).<\/p>\n<p>Ser\u00e1 ing\u00e9nuo este reconhecimento das virtualidades do mercado? &#8211; Para uma parte significativa do pensamento dominante, parece que sim: o pensamento pr\u00f3-capitalista e o anti-capitalista entendem que a aceita\u00e7\u00e3o do mercado implica a aceita\u00e7\u00e3o do capitalismo; portanto, \u00e9 irrealista defender o contr\u00e1rio. Por\u00e9m , em abono do realismo da enc\u00edclica, note-se que, segundo ela, a aceita\u00e7\u00e3o do mercado n\u00e3o significa a confian\u00e7a ilimitada nele; com efeito, \u00aba actividade econ\u00f3mica n\u00e3o pode resolver todos os problemas sociais atrav\u00e9s da simples extens\u00e3o da l\u00f3gica mercantil\u00bb (n\u00ba. 36). Precisamente, a absolutiza\u00e7\u00e3o do mercado e a falta de \u00e9tica \u00e9 que levaram aos extremos da desregula\u00e7\u00e3o tornada patente na crise actual. Isto \u00e9 afirmado n\u00e3o s\u00f3 na enc\u00edclica mas tamb\u00e9m por v\u00e1rias correntes de pensamento.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 ingenuidade reconhecer as virtualidades do mercado, sem o absolutizar? Ou ser\u00e1 clarivid\u00eancia? &#8211; Neste reconhecimento, aceita-se a realidade \u00abmercado\u00bb, e preconizam-se altera\u00e7\u00f5es para que ele funcione ao servi\u00e7o do bem comum. Pelo contr\u00e1rio, na defesa do capitalismo absoluto e na do colectivismo estatal, aceita-se o \u00abrealismo\u00bb de for\u00e7as opressivas que comprometem o futuro.<\/p>\n<p>Deve notar-se que a enc\u00edclica, ao reconhecer as virtualidades do mercado, n\u00e3o faz a op\u00e7\u00e3o por um determinado sistema econ\u00f3mico. Deixa o campo aberto para op\u00e7\u00f5es muito diversificadas, como por exemplo:  o mercado regulado; a economia social de mercado; a economia mista; o socialimo n\u00e3o colectivista; a democracia socialista&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-3712","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3712\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}