{"id":3713,"date":"2009-09-09T11:45:00","date_gmt":"2009-09-09T11:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3713"},"modified":"2009-09-09T11:45:00","modified_gmt":"2009-09-09T11:45:00","slug":"horizontes-estreitos-e-redutores-geram-pobreza-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/horizontes-estreitos-e-redutores-geram-pobreza-social\/","title":{"rendered":"Horizontes estreitos e redutores geram pobreza social"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que surge, a qualquer n\u00edvel, um acontecimento que toca em conceitos, preconceitos e interesses de qualquer ordem, surgem brados de esc\u00e2ndalo, cr\u00edticas mordazes e, consequentemente, o exibir de t\u00edtulos de modernidade e progressismo. Os protagonistas do desagrado esgotam os habituais ep\u00edtetos que atiram, como setas despeitadas, aos intervenientes desagrad\u00e1veis no processo, e que actuaram nele, por for\u00e7a do servi\u00e7o devido \u00e0 verdade e ao bem da comunidade no seu conjunto. H\u00e1 acontecimentos que n\u00e3o dispensam as normais exig\u00eancias \u00e9ticas, queira-se ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o primeiro cientista a reconhecer a raz\u00e3o do Papa, quando, em Mar\u00e7o, no avi\u00e3o que o levava aos Camar\u00f5es, se referiu \u00e0 n\u00e3o solu\u00e7\u00e3o do preservativo, frente ao drama da sida, na Africa ou em qualquer outro s\u00edtio. <\/p>\n<p>Agora, \u00e9 mais um reconhecido cientista, professor da conceituad\u00edssima Universidade Harvard, Edward Green, Director do Projecto de Preven\u00e7\u00e3o da AIDS, que vem dizer, fruto do seu saber e experi\u00eancia, a uma Europa prenhe de certezas, que Bento XVI tinha e tem raz\u00e3o, porque \u201cas medidas de car\u00e1cter e t\u00e9cnico e m\u00e9dico n\u00e3o servem para resolver o problema da sida\u201d. As palavras insultuosas, ent\u00e3o dirigidas ao Papa, foram, j\u00e1 o sab\u00edamos, dardos que erraram o disco-alvo.<\/p>\n<p>Mais uma vez o Presidente da Rep\u00fablica foi brindado, por motivo do seu veto \u00e0 lei sobre as \u201cuni\u00f5es de facto\u201d, com os habituais mimos de \u201cretr\u00f3grado\u201d, \u201cantiquado\u201d, e agora, tamb\u00e9m, incapaz \u201cde compreender as novas rela\u00e7\u00f5es sociais\u201d e, por raz\u00e3o de uma \u201ccega teimosia\u201d, de \u201cdescortinar os sinais do tempo\u201d e aos de que \u201cdificultosamente se apercebe, fecha-os no c\u00edrculo limitad\u00edssimo das suas avalia\u00e7\u00f5es\u201d. Desta vez, acrescenta-se, tudo por ser cat\u00f3lico e, por isso mesmo, pessoa de vistas curtas\u2026<\/p>\n<p>Interrogo-me, frequentemente, at\u00e9 que ponto este mundo europeu de democratas j\u00e1 se apercebeu de que, em democracia, n\u00e3o vinga o sentido \u00fanico e que este nada tem de livre e liberto. Pelo contr\u00e1rio, gera, inevitavelmente, horizontes estreitos e redutores, por via da ignor\u00e2ncia e da cultura unidimensional, daqueles que, no poder ou fora dele, pensam e dizem que quem n\u00e3o est\u00e1 com eles, est\u00e1 sempre errado? As convic\u00e7\u00f5es de uns n\u00e3o podem esvaziar as convic\u00e7\u00f5es dos outros. N\u00e3o se pode fazer um mundo \u00e0 medida de cada um. N\u00e3o se pode menosprezar um patrim\u00f3nio cultural de s\u00e9culos com valores universais. Sem refer\u00eancias, validamente testadas, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dialogar, nem procurar, em comum, os melhores caminhos e, muito menos, integrar novidades num mundo onde nem tudo perdeu o valor e nem sempre o \u00faltimo que chega vale tudo.<\/p>\n<p>Os soci\u00f3logos, a que hoje tanto se recorre para tomar decis\u00f5es, pondo-se de parte outros elementos necess\u00e1rios de reflex\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o nunca criadores de moralidade, ao lerem, com a necess\u00e1ria compet\u00eancia e honestidade, dados comportamentais colhidos na sociedade. Nem as maiorias pol\u00edticas, podem ser, por decis\u00f5es legais, geradoras de novos modelos de vida, \u00e0 revelia de postulados \u00e9ticos e morais.<\/p>\n<p>Um cientista nunca se considera um dogm\u00e1tico ou um sabe tudo. \u00c9 sempre um insatisfeito que procura. A investiga\u00e7\u00e3o e a ci\u00eancia geram gente humilde. Um pol\u00edtico, nunca \u00e9 detentor de um poder absoluto, porque n\u00e3o pode esquecer a sua dimens\u00e3o. Tem de ver nos outros, pessoas os grupos, gente a ouvir e respeitar, para melhor poder servir.<\/p>\n<p>A humildade n\u00e3o \u00e9 moeda corrente entre gente que pensa que o \u00faltimo dado da ci\u00eancia \u00e9 j\u00e1 o definitivo, nem para pol\u00edticos que julgam que, depois deles e para al\u00e9m deles, nada pode haver de novo e v\u00e1lido para bem do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Gente que se afirma a si negando os outros, desumaniza e destr\u00f3i uma sociedade de pessoas. Em entrevista recente \u00e0 RTP 2, Adriano Moreira, que prima pela sua cultura e lucidez de pensamento e coragem em dizer, afirma que o Parlamento \u00e9 o espa\u00e7o normal de uma diversidade leg\u00edtima que deve ser acolhida e respeitada, porque s\u00f3 do contributo de todos se encontram os melhores caminhos e solu\u00e7\u00f5es. De facto, as maiorias absolutas geram orgulho e prepot\u00eancia e tornam-se facilmente antidemocr\u00e1ticas. Mais ainda quando as elei\u00e7\u00f5es, por pobreza c\u00edvica, s\u00e3o a escolha de galos para um s\u00f3 poleiro e n\u00e3o a procura de um equil\u00edbrio de for\u00e7as e ideias para servir o bem comum.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que surge, a qualquer n\u00edvel, um acontecimento que toca em conceitos, preconceitos e interesses de qualquer ordem, surgem brados de esc\u00e2ndalo, cr\u00edticas mordazes e, consequentemente, o exibir de t\u00edtulos de modernidade e progressismo. 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