{"id":3732,"date":"2009-09-23T11:48:00","date_gmt":"2009-09-23T11:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3732"},"modified":"2009-09-23T11:48:00","modified_gmt":"2009-09-23T11:48:00","slug":"diversas-fases-da-mesma-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/diversas-fases-da-mesma-vida\/","title":{"rendered":"Diversas fases da mesma vida"},"content":{"rendered":"<p>Cada pessoa tem a sua hist\u00f3ria. Mas a sua vida est\u00e1 traduzida em express\u00f5es, atitudes, modos de ser e agir, que, sendo diferentes, denunciam, normalmente, uma continuidade com semelhan\u00e7as e sem roturas de maior. Nesta roda da vida em que todos circulamos, ningu\u00e9m \u00e9 igual a ningu\u00e9m, ningu\u00e9m esgota a escala da perfei\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, ningu\u00e9m substitui ningu\u00e9m, ningu\u00e9m est\u00e1 a mais. Por\u00e9m, todos somos, por virtudes e defeitos, da fam\u00edlia de todos, ao contr\u00e1rio de indiferentes ou desconhecidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 sempre fases sucessivas de sentido comum e de leitura evidente. Podem tornar-se banais, mas tamb\u00e9m podem ser fonte de saberes que geram aprendizagens, de interroga\u00e7\u00f5es que for\u00e7am perguntas, de experi\u00eancias que envolvem mist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Como o correr apressado \u00e9 a t\u00f3nica que d\u00e1 tom a multid\u00f5es, a insensibilidade \u00e9 a atitude mais frequente, ante as coisas que o tempo n\u00e3o corr\u00f3i. Como o vogar \u00e0 superf\u00edcie \u00e9 o modo mais comum para quem o pensar incomoda, a vida, mesmo no que tem de mais \u00f3bvio e linear, torna-se cada dia mais cinzenta.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria indiana \u2013 a \u00cdndia \u00e9 terra de sonhos, mist\u00e9rios e dizeres ilustrativas &#8211; conta que a vida humana se processa em quatro fases: na primeira, aprendemos; na segunda, ensinamos; na terceira, retiramo-nos e habituamo-nos a calar; na \u00faltima, come\u00e7amos a mendigar\u2026<\/p>\n<p>Uma leitura sem valores consistentes e fechada \u00e0 hist\u00f3ria, d\u00e1 import\u00e2ncia ilimitada \u00e0 primeira fase, entra em contradi\u00e7\u00e3o e rotura com a segunda, desconhece, progressivamente, a terceira, e incomoda-se com a \u00faltima, mais agora que ela se est\u00e1 prolongando, sem se saber at\u00e9 quando. Estas fases s\u00e3o insepar\u00e1veis, entendem-se em continuidade, s\u00e3o de tra\u00e7ado repet\u00edvel para todos. S\u00f3 uma vis\u00e3o deturpada as pode marcar com import\u00e2ncia diferente. <\/p>\n<p>S\u00e3o fases de uma vida fecunda, porque a fecundidade s\u00f3 existe onde h\u00e1 vida. Cada qual com o seu fruto e sabor, a espraiarem-se no ambiente que respiramos e nos envolve, deixando a vida sem sentido e leitura poss\u00edvel se alguma delas \u00e9 menosprezada. A sociedade precisa de todas para seu tempero. Todas exprimem a sua verdade e o seu valor e desequilibra-se a vida quando umas sem as outras. N\u00e3o \u00e9 apenas uma invers\u00e3o preocupante da pir\u00e2mide de idades, mas o ruir de sentimentos, apre\u00e7os e afectos.<\/p>\n<p>Se na fase do come\u00e7o domina a aprendizagem, esta persiste em todas as ou-tras. O povo s\u00e1bio traduziu o seu saber secular quando disse: \u201cAprender at\u00e9 morrer\u201d. <\/p>\n<p>A fase do ensinar desvirtua a sequ\u00eancia, sempre que aparece gente que teima em ensinar, descuidando o continuar do aprender. Os que se retiram e calam, porque detr\u00e1s sabem tudo, domina-os o sentimento de que est\u00e3o a mais, quando, ao contr\u00e1rio, se lhes derem aten\u00e7\u00e3o, a sua \u00e9 a fase mais enriquecedora da sociedade. O \u00faltimo grito de mendigo se traduz o eco pessoal das car\u00eancias indispens\u00e1veis, de amor, carinho e aten\u00e7\u00e3o, \u00e9, tamb\u00e9m, o do \u00faltimo mestre a dizer \u00e0 sociedade que quem despreza as pessoas ou as minimiza pela sua idade, n\u00e3o enriquece nunca s\u00f3 com bens materiais. \u00c9 o aban\u00e3o da natureza a acordar aqueles que a n\u00e3o sabem ler e, por isso, a n\u00e3o respeitam.<\/p>\n<p>Se repararmos bem, as quatro fases realizam-se no interior da fam\u00edlia. Ela \u00e9 a c\u00e9lula viva e identificada de uma sociedade que n\u00e3o pode crescer, secando as suas ra\u00edzes e n\u00e3o respeitando os seus ritmos. Os pol\u00edticos e ide\u00f3logos que menosprezam a fam\u00edlia ou a p\u00f5em ao n\u00edvel de qualquer aglomerado social passageiro, s\u00e3o sempre os coveiros acelerados do pa\u00eds que empobreceram. Por isso, n\u00e3o passam de animadores foleiros de festas barulhentas que terminam com o lan\u00e7ar do \u00faltimo fogo de artif\u00edcio de um arraial sem hist\u00f3ria e sem outro futuro para al\u00e9m deste: para o ano, para os que c\u00e1 estiverem, ser\u00e1 igual. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada pessoa tem a sua hist\u00f3ria. Mas a sua vida est\u00e1 traduzida em express\u00f5es, atitudes, modos de ser e agir, que, sendo diferentes, denunciam, normalmente, uma continuidade com semelhan\u00e7as e sem roturas de maior. 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