{"id":3747,"date":"2009-09-30T11:39:00","date_gmt":"2009-09-30T11:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3747"},"modified":"2009-09-30T11:39:00","modified_gmt":"2009-09-30T11:39:00","slug":"vemos-o-futuro-de-timor-com-optimismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vemos-o-futuro-de-timor-com-optimismo\/","title":{"rendered":"&#8220;Vemos o futuro de Timor com optimismo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Bento Barros Pereira<\/p>\n<p>Nasceu no 9 de Maio de 1979. Frequentou o Semin\u00e1rio Menor de Dili a partir de 1995 e o Semin\u00e1rio Maior de 2000 a 2007. Depois de dois anos de est\u00e1gio pastoral, foi ordenado padre no dia 6 de Agosto de 2009. \u00c9 vig\u00e1rio paroquial em Santa Maria Ainaro.<\/p>\n<p>Sebasti\u00e3o Eug\u00e9nio da Cruz Correia<\/p>\n<p>Nasceu no dia 17 de Novembro de 1975. Entrou no Semin\u00e1rio Menor em 1993. Fez o curso filos\u00f3fico-teol\u00f3gico entre 2000 e 2007. Estagiou nas par\u00f3quias de Vale Maior e Ribeira de Fr\u00e1guas (Albergaria-a-Velha). Foi ordenado padre no dia 15 de Setembro de 2008.<\/p>\n<p>Bento Pereira e Sebasti\u00e3o Correia s\u00e3o padres timorenses. Est\u00e3o em Portugal at\u00e9 meados de Outubro, de f\u00e9rias mas tamb\u00e9m para agradecer \u00e0 Diocese de Aveiro, que em dois per\u00edodos distintos permitiu que o P.e Francisco Melo ensinasse no Semin\u00e1rio Maior de Dili, e \u00e0s par\u00f3quias de Vale Maior e Ribeira de Fr\u00e1guas. As perguntas desta entrevista foram dirigidas aos dois em simult\u00e2neo. Com maior \u00e0 vontade com a l\u00edngua portuguesa, o P.e Bento respondeu mais, mas respondeu pelos dois<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Contem-nos como \u00e9 o vosso trabalho de padres em Timor.<\/p>\n<p>Bento Pereira (BP) \u2013 Sou vig\u00e1rio paroquial em Santa Maria Ainaro, no terceiro distrito de Timor, numa zona de montanha. Trabalho com o padre Evaristo Fernandes. A nossa par\u00f3quia tem cerca de 150 km de comprimento e sete comunidades que, no total, t\u00eam cerca de 40 mil habitantes.<\/p>\n<p>Sebasti\u00e3o Correia (SC) \u2013 Eu trabalho em Becora, Dili, na par\u00f3quia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, com o padre Guilherme da Silva. Sou vig\u00e1rio cooperador. A par\u00f3quia ter cerca de 20 mil habitantes. Nela situa-se a esta\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, com franciscanos, carmelitas e outras congrega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nas vossas par\u00f3quias, a Igreja tem uma grande miss\u00e3o educativa.<\/p>\n<p>BP \u2013 Sim. Temos a Escola Cat\u00f3lica e o Pr\u00e9-Semin\u00e1rio. A Escola Cat\u00f3lica da minha par\u00f3quia tem quatrocentos alunos, do jardim-de-inf\u00e2ncia ao secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>SC \u2013 A minha escola, dos mais novos aos mais velhos, \u00e9 frequentada por 1200 alunos.<\/p>\n<p>Com que dificuldades se debate o ensino em Timor?<\/p>\n<p>BP \u2013 N\u00f3s precisamos de levantar as qualidades da educa\u00e7\u00e3o e dos edif\u00edcios. As nossas escolas precisam de bons professores, mas tamb\u00e9m de bibliotecas, de instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e de materiais para os alunos. O dinheiro n\u00e3o chega para tudo. A escola funciona em instala\u00e7\u00f5es deixadas pelos portugueses. Temos professores permanentes que s\u00e3o pagos pelo governo e professores contratados que s\u00e3o pagos pela par\u00f3quia.<\/p>\n<p>SC \u2013 Temos tamb\u00e9m algumas professores portugueses que n\u00e3o ensinam a alunos, mas sim a professores timorenses.<\/p>\n<p>BP \u2013 No Pr\u00e9-Semin\u00e1rio, a principal dificuldade tem a ver com as instala\u00e7\u00f5es. Temos muita gente a querer entrar, mas n\u00e3o temos espa\u00e7os para todos. N\u00e3o h\u00e1 quartos suficientes. E falta-nos construir uma capela.<\/p>\n<p>Na par\u00f3quia da Gafanha da Nazar\u00e9 [de que agora \u00e9 p\u00e1roco o P.e Francisco Melo], o ofert\u00f3rio foi para ajudar a restaura\u00e7\u00e3o de uma das vossas igrejas. Quer dizer que, em termos de edif\u00edcios, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as escolas que precisam de obras\u2026<\/p>\n<p>BP \u2013 Tamb\u00e9m precisamos de reabilitar a igreja antiga, que foi constru\u00edda pelos portugueses, \u00e0 maneira dos portugueses. Temos neste momento 5 mil d\u00f3lares, mas precisamos de 250 mil. Foi constru\u00edda em 1950\/60, \u00e9 patrim\u00f3nio da Igreja e da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deixando a realidade eclesial, e numa altura em que passam 10 anos sobre o referendo, algumas not\u00edcias, c\u00e1 em Portugal, diziam h\u00e1 pouco tempo que Timor corria o risco de ser um Estado falhado, ou de n\u00e3o ter viabilidade. Como \u00e9 que v\u00eaem o futuro do vosso pa\u00eds?<\/p>\n<p>BP \u2013 Vemos com optimismo. Tivemos a restaura\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia em 2002. No in\u00edcio foi dif\u00edcil. O Governo tinha acabado de nascer e havia imensos problemas. Agora h\u00e1 programa pol\u00edtico e notamos que est\u00e1 a haver mudan\u00e7as. H\u00e1 um melhor relacionamento com os estrangeiros. H\u00e1 obras como hospitais e estradas que est\u00e3o a avan\u00e7ar. Notamos que o or\u00e7amento est\u00e1 a chegar aos distritos e subdistritos. D\u00e1 para notar a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Falando de outro tipo de mudan\u00e7as, como reage a sociedade timorense, alicer\u00e7ada em valores tradicionais, \u00e0 mudan\u00e7a cultural?<\/p>\n<p>BP \u2013 Timor era uma sociedade muito fechada. Agora h\u00e1 mais liberdade, mais informa\u00e7\u00e3o, novas mentalidades. As mudan\u00e7as s\u00e3o fortes e n\u00e3o as vemos como negativas. Geralmente at\u00e9 as acha-mos boas, desde que saibamos manter os nossos valores culturais e religiosos e os nossos costumes.<\/p>\n<p>Timor adoptou o portugu\u00eas como uma das l\u00ednguas oficiais. Como est\u00e1 a ser a implanta\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa?<\/p>\n<p>BP \u2013 As pessoas da nossa idade, que n\u00e3o tiveram aulas em portugu\u00eas \u2013 n\u00f3s, como and\u00e1mos no semin\u00e1rio, tivemos \u2013, acham que a l\u00edngua \u00e9 dif\u00edcil e preferem o indon\u00e9sio e o ingl\u00eas. J\u00e1 os mais velhos gostam do portugu\u00eas, que representa uma liga\u00e7\u00e3o a Portugal. Os mais novos aprendem portugu\u00eas na escola, porque as aulas s\u00e3o dadas em portugu\u00eas. A dificuldade \u00e9 que n\u00e3o falam quando n\u00e3o est\u00e3o na escola.<\/p>\n<p>O padre Sebasti\u00e3o tem uma promessa a cumprir na Diocese de Aveiro\u2026<\/p>\n<p>SC \u2013 Eu estagiei nas par\u00f3quias de Vale Maior e Ribeira de Fr\u00e1guas (onde o P.e Francisco Melo foi p\u00e1roco) e na altura fiz uma promessa: \u201cSe eu for ordenado padre, venho aqui rezar uma Missa\u201d. Estou c\u00e1 para cumprir a promessa. E quero tamb\u00e9m agradecer o dinheiro que estas par\u00f3quias deram para a forma\u00e7\u00e3o de seminaristas. Uma bolsa de estudo custava 15 d\u00f3lares por m\u00eas. Tenho de agradecer a grande ajuda de Ribeira de Fr\u00e1guas e Vale Maior.<\/p>\n<p>Entrevista conduzida por <\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bento Barros Pereira Nasceu no 9 de Maio de 1979. Frequentou o Semin\u00e1rio Menor de Dili a partir de 1995 e o Semin\u00e1rio Maior de 2000 a 2007. Depois de dois anos de est\u00e1gio pastoral, foi ordenado padre no dia 6 de Agosto de 2009. \u00c9 vig\u00e1rio paroquial em Santa Maria Ainaro. 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