{"id":3799,"date":"2009-09-30T12:12:00","date_gmt":"2009-09-30T12:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3799"},"modified":"2009-09-30T12:12:00","modified_gmt":"2009-09-30T12:12:00","slug":"darwin-ou-como-a-biologia-confundiu-as-sagradas-escrituras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/darwin-ou-como-a-biologia-confundiu-as-sagradas-escrituras\/","title":{"rendered":"Darwin ou como a Biologia confundiu as Sagradas Escrituras"},"content":{"rendered":"<p>O que h\u00e1 de novo na explica\u00e7\u00e3o de Darwin n\u00e3o \u00e9 a ideia de evolu\u00e7\u00e3o dos seres vivos, j\u00e1 presente em outros cientistas e at\u00e9 em Santo Agostinho, mas a da evolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da selec\u00e7\u00e3o natural e sexual dos mais aptos. Para a mentalidade popular, j\u00e1 no tempo de Darwin, tudo se resumiu a \u201co homem descende dos macacos\u201d, o que n\u00e3o corresponde ao seu pensamento, embora assim o caricaturassem. Na sociedade anglicana, as teorias de Darwin, que em jovem chegara a iniciar estudos eclesi\u00e1sticos, provocam amplos debates teol\u00f3gicos, muito para al\u00e9m do que o cientista pretendia. Coleccionou provas, em grande parte recolhidas na viagem do Beagle, e prop\u00f4s e teoria que melhor explicava os factos. Mas rapidamente as suas conclus\u00f5es colidiram com diversas passagens da B\u00edblia, ainda frequentemente interpretada \u00e0 letra. Como conciliar a teoria cient\u00edfica da evolu\u00e7\u00e3o com a fixidez b\u00edblica? As eras geol\u00f3gicas de milh\u00f5es de anos com a aparente dura\u00e7\u00e3o b\u00edblica de seis mil anos? Os homin\u00eddeos com Ad\u00e3o e Eva? Onde fica o pecado original?<\/p>\n<p>Na Igreja Cat\u00f3lica, o maior embate oficial entre as ideias de Darwin e o dogma n\u00e3o chegou a acontecer. Mas faltou pouco. Escreve Jacques Arnould em \u201cRequiem por Darwin\u201d: \u201cQuando de uma reuni\u00e3o preparat\u00f3ria [para o Conc\u00edlio Vaticano I], em Maio de 1869, um dos participantes mostra-se preocupado com a teoria que faz do homem um produto da evolu\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e, no decurso do Conc\u00edlio propriamente dito, n\u00e3o faltam alus\u00f5es aos trabalhos de Darwin. Os dois esquemas sobre a doutrina cat\u00f3lica sucessivamente elaborados prev\u00eaem que se declare como sendo dogma da f\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o da descend\u00eancia de todos os homens a partir de um \u00fanico casal (o que \u00e9 costume chamar-se monogenismo); com efeito, parece imposs\u00edvel conciliar a outrina do pecado original com a ideia de uma humanidade proveniente da animalidade, tal como a ideia de um casal original e \u00fanico, formado por Ad\u00e3o e Eva, com a imagem de pequenos grupos de macacos. Algumas vozes, como a de Mons. V\u00e9rot, admiram-se de que a Igreja possa considerar sem valor as descobertas da geologia e da paleontologia. Contudo, parece que nada consegue impedir que o monogenismo seja considerado dogma e assuma um valor coactivo; nada, a n\u00e3o ser a guerra de 1870, cuja consequ\u00eancia foi a interrup\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio\u201d. O Vaticano I n\u00e3o voltou a ser convocado e evitou-se, felizmente, o que poderia ser a condena\u00e7\u00e3o do evolucionismo biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Hoje, a teoria da evolu\u00e7\u00e3o de Darwin \u00e9 amplamente aceite pela Igreja cat\u00f3lica (mas n\u00e3o as consequ\u00eancias materialistas e sociais que alguns pretendem da\u00ed extrair), ao contr\u00e1rio de outras igrejas, geralmente apegadas a uma interpreta\u00e7\u00e3o literal da B\u00edblia. Jo\u00e3o Paulo II escreveu em 1996 que a \u201cteoria veio-se impondo progressivamente \u00e0 aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, depois de uma s\u00e9rie de descobertas feitas nas diversas disciplinas do saber. A converg\u00eancia n\u00e3o procurada nem provocada dos resultados dos trabalhos conduzidos independentemente um dos outros constitui s\u00f3 por si um argumento significativo a favor dessa teoria\u2026\u201d<\/p>\n<p>Entretanto, os estudos b\u00edblicos evolu\u00edram muito. Os mitos e relatos da cria\u00e7\u00e3o deixaram de ser interpretados literalmente para se descobrir que afinal s\u00e3o ainda mais belos. A esfera da ci\u00eancia (que explica o como, mas n\u00e3o alcan\u00e7a o porqu\u00ea final) e a da f\u00e9 s\u00e3o diferentes mas complementares. Dialogam. E \u00e9 desse di\u00e1logo, nem sempre isento de tens\u00f5es, que o ser humano retira mais sentido para a sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Charles Darwin<\/p>\n<p>1809 &#8211; (12 de Fevereiro) Nasce Charles Darwin, em Shrewsbury, Inglaterra.<\/p>\n<p>1831 \u2013 Inicia a viagem de cinco anos a bordo do Beagle, que possibilitar\u00e1 as investiga\u00e7\u00f5es para fundamentar a sua teoria.<\/p>\n<p>1859 \u2013 Publica \u201cSobre a Origem das Esp\u00e9cies por meio da Selec\u00e7\u00e3o Natural ou a Conserva\u00e7\u00e3o das Ra\u00e7as favorecidas na Luta pela Exist\u00eancia\u201d, mais conhecido por \u201cA Origem das Esp\u00e9cies\u201d.<\/p>\n<p>1871 \u2013 Publica \u201cA Origem do Homem e a Selec\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00e3o ao Sexo\u201d.<\/p>\n<p>1882 \u2013 (16 de Abril) Morre em Kent.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que h\u00e1 de novo na explica\u00e7\u00e3o de Darwin n\u00e3o \u00e9 a ideia de evolu\u00e7\u00e3o dos seres vivos, j\u00e1 presente em outros cientistas e at\u00e9 em Santo Agostinho, mas a da evolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da selec\u00e7\u00e3o natural e sexual dos mais aptos. 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