{"id":3843,"date":"2009-09-30T15:05:00","date_gmt":"2009-09-30T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3843"},"modified":"2009-09-30T15:05:00","modified_gmt":"2009-09-30T15:05:00","slug":"resultado-eleitoral-e-perspectivas-de-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/resultado-eleitoral-e-perspectivas-de-futuro\/","title":{"rendered":"Resultado eleitoral e perspectivas de futuro"},"content":{"rendered":"<p>Um coment\u00e1rio objectivo n\u00e3o pode restringir-se apenas ao resultado sa\u00eddo das urnas. A conclus\u00e3o, l\u00f3gica ou menos l\u00f3gica, tem sempre premissas anteriores, que influenciam tanto as op\u00e7\u00f5es de voto, como a crescente e significativa absten\u00e7\u00e3o: o grau de viv\u00eancia democr\u00e1tica j\u00e1 atingida, o estilo e os objectivos do \u00faltimo governo, as depend\u00eancias procuradas e criadas ao longo de quatro anos, a capacidade cr\u00edtica de quem vota para apreciar programas e campanhas, o discernimento em rela\u00e7\u00e3o ao que na vida de um pa\u00eds \u00e9 essencial, os ouvidos atentos ou surdos ao clamor do pobres, os valores objectivos defendidos e cultivados, o respeito manifestado por todos, sem discrimina\u00e7\u00f5es\u2026 A minha opini\u00e3o, agora e aqui expendida, \u00e9 pessoal, livre, sobre o acontecimento, e que s\u00f3 a mim compromete. <\/p>\n<p>O povo votou e h\u00e1 que aceitar o resultado do seu voto. Mas este depende muito de quem, do que e do modo de o ter influenciado. H\u00e1 dias ouvimos uma velha raposa da pol\u00edtica dizer que o PS, partido no governo, tem de vencer. Muitas interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis, em rela\u00e7\u00e3o a esta proclama\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es inserem-se num processo e n\u00e3o significam o encerrar do mesmo. Marcam o in\u00edcio de uma nova etapa, que permite antever o rumo que se vai seguir e o sentido pretendido para o futuro do pa\u00eds. Algumas certezas, muitas d\u00favidas e interroga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pondo de parte previs\u00f5es de como o PS vai governar daqui em diante, a situa\u00e7\u00e3o anterior, de todos conhecida, permite algumas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e9rias.<\/p>\n<p>Portugal n\u00e3o est\u00e1 no melhor caminho, e n\u00e3o se afigura que se possa esperar, com a mesma gente e o mesmo pensar, que se encontre, como que, por um golpe m\u00e1gico, um rumo pr\u00f3spero para os mais sacrificados e uma clarifica\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es mais  preocupantes. A crise internacional n\u00e3o explica tudo, nem pode ser o bode expiat\u00f3rio do que se fez, do que n\u00e3o se fez, em Portugal. <\/p>\n<p>O PS, como partido, n\u00e3o tem uma ideologia pr\u00f3pria, porque o \u201csocialismo puro\u201d n\u00e3o existe, nem nunca existiu. Todos os pa\u00edses comunistas se reivindicaram de socialistas. A ideologia do PS \u00e9 parcelada e fruto de tend\u00eancias internas variadas e desgarradas. Tem aspectos circunstanciais, respigados de muitas fontes, mas que n\u00e3o formam uma ideologia consistente e clara. No caso, vive e age sob influ\u00eancias marxistas, ma\u00e7\u00f3nicas, laicas, e at\u00e9, por vezes, liberais\u2026 Uma am\u00e1lgama formada consoante os interesses. N\u00e3o \u00e9 um partido de pol\u00edticas consequentes e definidas, mas de decis\u00f5es avulso, de ate-ar e de apagar, de agradar e de esquecer. Empenha-se em respostas imediatas, agrad\u00e1veis, para cultivar depend\u00eancias. Desconhece a hist\u00f3ria e o povo que a viveu, a vive e lhe d\u00e1 sentido. Trata por cima do ombro os dinamismos sociais mais v\u00e1lidos e influentes.<\/p>\n<p>Os hist\u00f3ricos do PS, mais cultos, mais lidos e mais confrontados com as correntes exteriores, n\u00e3o gostam deste PS. Toleram-no, entram nas suas campanhas decisivas para que o partido perdure e tenha visibilidade. Est\u00e1 \u00e0 vista.<\/p>\n<p>Nisto tudo e apesar de tudo, o governo socialista tomou algumas medidas acertadas. Delas, algumas ficaram a meio e sem grande futuro. Fruto, a meu ver, da limita\u00e7\u00e3o de horizontes e perspectivas mais largas. O pa\u00eds \u00e9 feito de pessoas e as decis\u00f5es tomadas devem visar sempre as pessoas, os seus direitos e necessidades e n\u00e3o os interesses partid\u00e1rios e a glorifica\u00e7\u00e3o dos seus mais respons\u00e1veis. Governar \u00e9 servir. Miss\u00e3o dura e dif\u00edcil, mas que vai avante quando o alicerce \u00e9 s\u00f3lido Nas circunst\u00e2ncias actuais, a honra n\u00e3o compensa, e mal vai para quem ainda n\u00e3o percebeu isso.<\/p>\n<p>Se o novo governo olhar com olhos objectivos e cr\u00edticos a realidade do pa\u00eds, aceitar o contributo de uma oposi\u00e7\u00e3o l\u00facida e esclarecida, n\u00e3o adaptar as exig\u00eancias da democracia aos seus interesses, dispensar gente que j\u00e1 mostrou que mais divide que concilia e constr\u00f3i, contar com as capacidades da sociedade civil, fizer uma pol\u00edtica humanista com crit\u00e9rios claros e valores duradoiros, respeitar o povo com as suas convic\u00e7\u00f5es profundas e os seus valores religiosos, morais e \u00e9ticos, tomar consci\u00eancia de que o orgulho confunde e empobrece e s\u00f3 a humildade d\u00e1 lucidez e coer\u00eancia, respeitar e defender a fam\u00edlia, \u00fanica institui\u00e7\u00e3o natural indispens\u00e1vel, corrigindo os erros graves j\u00e1 cometidos que a destroem e minimizam, for vanguardista no respeito pela verdade e pela isen\u00e7\u00e3o, der aos pobres condi\u00e7\u00f5es de vida digna e n\u00e3o apenas subs\u00eddios de depend\u00eancia, proporcionar aos jovens perspectivas s\u00e9rias de futuro, respeitar quem traba-lha e lutar, sem tr\u00e9guas, pelo direito ao trabalho e \u00e0 paz social\u2026 ent\u00e3o, o povo que votou maioritariamente PS n\u00e3o se sentir\u00e1 iludido nem enganado e o partido vencedor n\u00e3o tirar\u00e1 da vit\u00f3ria sen\u00e3o a responsabilidade di\u00e1ria de melhor servir a todos e a ningu\u00e9m esquecer.<\/p>\n<p>E a Igreja? Porque ela subsiste, antes e para al\u00e9m dos governos concretos, ser\u00e1 fiel ao seu profetismo, com maior lucidez e coragem, como \u00e9 seu dever, lutar\u00e1, pelos meios ao seu alcance, pela humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade e colaborar\u00e1, sem condi\u00e7\u00f5es, na prossecu\u00e7\u00e3o s\u00e9ria do bem comum, defendendo os valores essenciais em que acredita, servindo as pessoas concretas, elas que s\u00e3o o caminho permanente da sua miss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um coment\u00e1rio objectivo n\u00e3o pode restringir-se apenas ao resultado sa\u00eddo das urnas. 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