{"id":3844,"date":"2009-10-07T09:30:00","date_gmt":"2009-10-07T09:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3844"},"modified":"2009-10-07T09:30:00","modified_gmt":"2009-10-07T09:30:00","slug":"as-pessoas-vivem-pouco-as-cidades-em-que-habitam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-pessoas-vivem-pouco-as-cidades-em-que-habitam\/","title":{"rendered":"&#8220;As pessoas vivem pouco as cidades em que habitam&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>C\u00e9sar Costa, arquitecto, at\u00e9 agora n\u00e3o estava ligado a qualquer associa\u00e7\u00e3o ou movimento, excluindo a Ordem dos Arquitectos. Integrou os Amigos da Avenida por causa de uma \u201cpaix\u00e3o muito grande\u201d pela cidade. Ao Correio do Vouga fala sobre este grupo que reflecte e interv\u00e9m publicamente na e pela cidade de Aveiro<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; O que s\u00e3o e como surgiram os Amigos da Avenida?<\/p>\n<p>C\u00c9SAR COSTA &#8211; Somos um grupo informal de amigos que partilhavam as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es sobre a cidade de Aveiro e que se constituiu com o des\u00edgnio de trazer um pouco da cultura, normalmente confinada a s\u00edtios fechados, para a rua, para que os aveirenses vivessem um pouco a rua. O que une os Amigos da Avenida \u00e9 uma paix\u00e3o muito grande por Aveiro. Essa paix\u00e3o levou-nos a discutir, pensar, elaborar o Manifesto, trabalhar num programa de anima\u00e7\u00e3o da cidade e a lan\u00e7ar uma ponte para o futuro. Este passo j\u00e1 foi dado e agora que venham mais cinco que consigam aproveitar o que est\u00e1 feito e levar isto para a frente.<\/p>\n<p>Os Amigos da Avenida congregam associa\u00e7\u00f5es e entidades diversas, inclusive no que se refere a blogues e p\u00e1ginas de Internet\u2026<\/p>\n<p>Tent\u00e1mos congregar numa plataforma comum, o blogue Amigos da Avenida, algumas associa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 faziam anima\u00e7\u00e3o cultural e convid\u00e1mo-las a participar em ac\u00e7\u00f5es de anima\u00e7\u00e3o de rua. Para isso, escolhemos a Pra\u00e7a Melo Freitas, que identific\u00e1mos como sendo uma das partes emblem\u00e1ticas da cidade. A partir da\u00ed desafi\u00e1mos essas associa\u00e7\u00f5es a apresentarem os espect\u00e1culos que j\u00e1 tivessem preparado ou que quisessem preparar. A Festa dos Amigos e Vizinhos, realizada no Rossio, foi o corol\u00e1rio dessa iniciativa.<\/p>\n<p>Que balan\u00e7o \u00e9 que se podem fazer destas actividades, que se iniciaram em Mar\u00e7o e se prolongaram at\u00e9 Setembro?<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos ser n\u00f3s a fazer esse balan\u00e7o. Quem o deve fazer \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o de Aveiro. De qualquer forma, e sendo isto uma experi\u00eancia piloto \u2013 n\u00f3s n\u00e3o somos uma associa\u00e7\u00e3o constitu\u00edda formalmente \u2013 acho que o balan\u00e7o \u00e9 positivo. Tivemos muitas ac\u00e7\u00f5es e reunimos muitas pessoas. Tudo o que seja participar na vida da cidade \u00e9 sempre positivo.<\/p>\n<p>O encerramento das actividades no dia 19 de Setembro, com a Festa dos Amigos e Vizinhos, foi motivado pela proximidade das elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas ou j\u00e1 estava previsto?<\/p>\n<p>N\u00e3o tem nada a ver com o per\u00edodo eleitoral que atravessamos. J\u00e1 t\u00ednhamos previsto encerrar as actividades por volta desta altura, muito antes de estarem marcadas as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. Estamos a entrar no Outono. A partir de agora, o clima deixa de ser prop\u00edcio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de actividades de rua. Por isso, escolhemos o meio de Setembro para encerrar as actividades.<\/p>\n<p>Este ano, Aveiro esteve em festa com o tema 250 Anos da sua eleva\u00e7\u00e3o a cidade, com iniciativas de diversas entidades, incluindo da pr\u00f3pria C\u00e2mara Municipal de Aveiro (CMA). Para o ano, a iniciativa \u00e9 para repetir, nestes ou noutros moldes?<\/p>\n<p>O que n\u00f3s lan\u00e7\u00e1mos foi uma pista. Gost\u00e1vamos que isto continuasse, como \u00e9 evidente, mas isto \u00e9 o resultado do trabalho de uma associa\u00e7\u00e3o informal de amigos, e n\u00e3o temos nada preparado para o pr\u00f3ximo ano. Achamos que \u00e9 pena perder-se esta din\u00e2mica de anima\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico do centro da cidade. Uma das coisas que se nota, n\u00e3o s\u00f3 em Aveiro mas em todo o Portugal, \u00e9 que as pessoas vivem pouco as cidades em que habitam. \u00c9 uma pena perder-se essa \u201ccontamina\u00e7\u00e3o\u201d, que este ano esteve um pouco restrita \u00e0 Pra\u00e7a Melo Freitas, com uma pequena expans\u00e3o ao Rossio. Achamos que se deveria aproveitar e pegar nisto, se calhar de uma outra forma.<\/p>\n<p>Sendo Amigos da Avenida, a Avenida Dr. Louren\u00e7o Peixinho, que vos deu o mote, ficou um pouco de lado nessa anima\u00e7\u00e3o de rua?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Eu acho que a Avenida n\u00e3o se restringe \u00e0 Avenida. A Avenida \u00e9 um dos pontos centrais de Aveiro e, por isso, tem muitos pontos de influ\u00eancia. Curiosamente, lembro-me de num dos semin\u00e1rios propostos pela CMA e pela Associa\u00e7\u00e3o Comercial, surgir a pergunta \u201cAveiro termina nas Pontes ou segue para o Rossio?\u201d Os Amigos da Avenida t\u00eam reflectido sobre a principal art\u00e9ria de Aveiro, dando uma s\u00e9rie de pistas. Neste momento estamos a preparar um trabalho, incluindo um filme, sobre o que deve ser a Avenida do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Nessa abrang\u00eancia de amigos, surgiu o Manifesto?<\/p>\n<p>Exactamente. O Manifesto \u00e9 uma base de trabalho, n\u00e3o tenta fazer mais do que plasmar uma s\u00e9rie de ideias de anima\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o cultural, de trazer a cultura para o espa\u00e7o p\u00fablico. O Manifesto enuncia dez princ\u00edpios que podem ser aplicados aqui, ou noutro s\u00edtio qualquer, e que traduzem um pouco essa vontade de trazer a cultura dos espa\u00e7os fechados para o local p\u00fablico, para o dia-a-dia das pessoas, para os fins-de-semana e para a viv\u00eancia que todos n\u00f3s temos de rua, rua essa que, infelizmente, ainda \u00e9 sub-aproveitada.<\/p>\n<p>A Universidade de Aveiro (UA) tamb\u00e9m pode contribuir para essa anima\u00e7\u00e3o, mesmo fora do campus universit\u00e1rio?<\/p>\n<p>Exactamente. A UA tamb\u00e9m se associou \u00e0 Festa dos Amigos e Vizinhos. O que n\u00f3s sempre tent\u00e1mos fazer foi congregar vontades. A UA e a cidade vivem um pouco de costas voltadas uma para a outra. A realidade \u00e9 que temos ali uma massa enorme de jovens estudantes e de professores, pessoas muito v\u00e1lidas que fazem falta nestas coisas. Deviam aparecer e viver mais a cidade. Por isso, o desafio tamb\u00e9m foi feito \u00e0 UA. H\u00e1 v\u00e1rios Amigos da Avenida que s\u00e3o professores na UA. Aos poucos, estas coisas come\u00e7am a casar-se.<\/p>\n<p>Foi necess\u00e1rio aparecer um grupo informal para ser elo de liga\u00e7\u00e3o entre diversas entidades, incluindo CMA e a UA?<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s olhamos sempre mais par ao nosso umbigo. Quando algu\u00e9m vem de fora e tenta, de alguma forma, fazer pontes, \u00e9 mais f\u00e1cil. Tudo isto foi novo, o que permitiu que as coisas fossem surgindo quase que naturalmente. Umas coisas empurraram as outras, e, de um momento para o outro, algo que era apenas um laborat\u00f3rio de ideias transformou-se num projecto que se materializou durante este tempo, de Mar\u00e7o at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Entrevista conduzida <\/p>\n<p>por Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>BLOGUE <\/p>\n<p>DOS AMIGOS DA AVENIDA<\/p>\n<p>http:\/\/amigosdavenida.blogs.sapo.pt\/<\/p>\n<p>MANIFESTO POR UMA POL\u00cdTICA DE ANIMA\u00c7\u00c3O <\/p>\n<p>E QUALIFICA\u00c7\u00c3O DO ESPA\u00c7O P\u00daBLICO<\/p>\n<p>http:\/\/amigosdavenida.blogs.sapo.pt\/240523.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e9sar Costa, arquitecto, at\u00e9 agora n\u00e3o estava ligado a qualquer associa\u00e7\u00e3o ou movimento, excluindo a Ordem dos Arquitectos. Integrou os Amigos da Avenida por causa de uma \u201cpaix\u00e3o muito grande\u201d pela cidade. 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