{"id":397,"date":"2010-01-28T09:49:00","date_gmt":"2010-01-28T09:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=397"},"modified":"2010-01-28T09:49:00","modified_gmt":"2010-01-28T09:49:00","slug":"por-uma-escola-mais-autonoma-e-plural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/por-uma-escola-mais-autonoma-e-plural\/","title":{"rendered":"Por uma escola mais aut\u00f3noma e plural"},"content":{"rendered":"<p>Deve-se caminhar para a autonomia das escolas, mesmo com riscos. A escola n\u00e3o pode andar distra\u00edda com o que \u00e9 secund\u00e1rio<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica deseja maior autonomia para as escolas e um sistema educativo menos dependente do Estado, no nosso pa\u00eds. Estas ideias marcaram os tr\u00eas dias do F\u00f3rum \u201cPensar a Escola. Preparar o futuro\u201d, promovido em Lisboa pelo Secretariado Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, de 22 a 24 de Janeiro.<\/p>\n<p>O Cardeal-Patriarca, D. Jos\u00e9 Policarpo, proferiu a confer\u00eancia final do evento, alertando para os perigos de \u201cestender a laicidade do Estado a toda a sociedade e a todas as institui\u00e7\u00f5es do Estado ao servi\u00e7o da comunidade, entre as quais sobressai a escola\u201d. Neste contexto, referiu-se ainda ao que chamou de \u201cguerra dos s\u00edmbolos religiosos\u201d na Europa, considerando-a como \u201csinal muito preocupante\u201d.<\/p>\n<p>Para o Cardeal, estamos na presen\u00e7a de \u201cuma nova forma de hegemonia totalit\u00e1ria que se disfar\u00e7a com as vestes da democracia\u201d. Por isso, acrescentou, \u201ca escola, como institui\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser laica, neste sentido, como n\u00e3o pode ser um espa\u00e7o sagrado, na acep\u00e7\u00e3o religiosa do termo\u201d.<\/p>\n<p>No seu coment\u00e1rio final, Eduardo Mar\u00e7al Grilo, antigo Ministro da Educa\u00e7\u00e3o e actual Administrador da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, sublinhou que hoje caminhamos para uma escola diversificada. \u201cCada escola, ou agrupamento de escola, tem o seu projecto educativo. E esse projecto n\u00e3o \u00e9 um plano de actividades. O projecto educativo \u00e9 uma ideia do que se quer que os alunos aprendam\u201d, observou.<\/p>\n<p>Mar\u00e7al Grilo afirmou que a escola \u00e9 \u201cconstru\u00edda para os estudantes\u201d, n\u00e3o \u00e9 \u201cdos professores, dos pais, da C\u00e2mara Municipal ou da comunidade\u201d. Mas \u201c\u00e9 aos pais que cabe a educa\u00e7\u00e3o pelos filhos\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>12 anos depois da lei da autonomia das escolas, o antigo ministro da educa\u00e7\u00e3o disse que \u201cdeve caminhar-se, t\u00e3o r\u00e1pido quanto poss\u00edvel, para a autonomia das escolas. Mesmo com riscos\u201d.<\/p>\n<p>Guilherme d\u2019Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, tamb\u00e9m antigo ministro da educa\u00e7\u00e3o, falou da import\u00e2ncia do pluralismo no sistema educativo, afirmando que \u201cuma das express\u00f5es da crise social tem a ver com a ideia de que a escola est\u00e1 abandonada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO professor v\u00ea-se muitas ve-zes obrigado a executar fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o lhe competem, porque o professor n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico educador. Ele \u00e9 o profissional da educa\u00e7\u00e3o mas a sociedade e a fam\u00edlia t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o fundamental\u201d, precisou.<\/p>\n<p>Joaquim Azevedo, Presidente do Centro Regional do Porto da UCP, considerou que o sector tem sido prejudicado por quest\u00f5es secund\u00e1rias, como a pol\u00e9mica em torno das quest\u00f5es da avalia\u00e7\u00e3o e do Estatuto da Carreira Docente. Para este respons\u00e1vel, ao n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o \u201ctemos andado distra\u00eddos do essencial\u201d e que \u00e9 necess\u00e1rio que a \u201cac\u00e7\u00e3o educativa assente em pressupostos \u00e9ticos\u201d de modo a que seja uma educa\u00e7\u00e3o de \u201cencontro da autonomia, cria\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o para os projectos pessoais assentes na responsabilidade e exig\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Guy Coq, professor agregado de filosofia da Universidade de Poitiers, defendeu que \u201co debate sobre a escola n\u00e3o tem sentido fora de um debate sobre a sociedade\u201d. Durante a confer\u00eancia \u201cModelos de Sistemas Educativos na Europa de hoje &#8211; Estabelecer um referencial\u201d, o especialista disse que \u201cos problemas da escola s\u00e3o os da sociedade, e os da sociedade projectam-se na escola\u201d. Esta interac\u00e7\u00e3o \u201ceduca\u00e7\u00e3o e sociedade\u201d s\u00e3o sempre muito dif\u00edceis de analisar\u201d.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum, apresentado pelos seus promotores como um espa\u00e7o de di\u00e1logo e um sinal de esperan\u00e7a, reuniu cerca de 200 participantes de 18 dioceses, mais de 50 escolas da rede p\u00fablica cobrindo todos os distritos; representantes de sindicatos da educa\u00e7\u00e3o e especialistas universit\u00e1rios, para al\u00e9m de v\u00e1rios membros da hierarquia cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es do trabalho de ateli\u00eas, os participantes pediram \u201cmenos Estado, mais comunidade\u201d e uma escola \u201cmais contagiada pelo \u2018v\u00edrus\u2019 da felicidade do que pelo da avalia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ecclesia\/CV<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deve-se caminhar para a autonomia das escolas, mesmo com riscos. 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