{"id":3978,"date":"2009-10-14T11:39:00","date_gmt":"2009-10-14T11:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3978"},"modified":"2009-10-14T11:39:00","modified_gmt":"2009-10-14T11:39:00","slug":"comunhao-e-pluralismo-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/comunhao-e-pluralismo-na-igreja\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o e pluralismo na igreja"},"content":{"rendered":"<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social falaram largamente da interven\u00e7\u00e3o do Cardeal Jos\u00e9 Policarpo, no Simp\u00f3sio do Clero. Alguns viram nas palavras proferidas uma clara advert\u00eancia a bispos e padres quando, na Igreja, expendem opini\u00f5es que p\u00f5em ou podem bulir com a unidade, a comunh\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio do Papa. <\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 em causa que a unidade da f\u00e9, a comunh\u00e3o na caridade e a ades\u00e3o fraterna ao Sucessor de Pedro s\u00e3o elementos fundamentais para a vida da Igreja de Cristo. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 em causa que defend\u00ea-las e estimul\u00e1-las \u00e9 miss\u00e3o di\u00e1ria do bispo e, logicamente, dos seus mais imediatos colaboradores, os presb\u00edteros. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio que, ao mesmo tempo, se tenha presente que, na Igreja, n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 verdades intoc\u00e1veis, mas h\u00e1, tamb\u00e9m, um espa\u00e7o de liberdade de opini\u00e3o, aceite e recomendado, para saber interpretar e estimular a viv\u00eancia, \u00e0 luz da realidade, pessoal e social, das verdades de sempre. A leitura dos sinais dos tempos, recomendada pelo Vaticano II, n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio, direito ou dever da hierarquia, mesmo entendendo esta, como deve ser, um servi\u00e7o permanente, em nome de Deus, \u00e0 Igreja e ao mundo das pessoas. <\/p>\n<p>Na Igreja, sem que se tenham apagado ou esquecido as verdades essenciais, foram-se multiplicando, ao longo da hist\u00f3ria, costumes e h\u00e1bitos, que geraram normas e orienta\u00e7\u00f5es, encostados \u00e0 doutrina. Em muitos casos n\u00e3o eram mais que fruta de uma pobreza espiritual em que o essencial da f\u00e9 andava arredado das preocupa\u00e7\u00f5es de muita gente. Muitos respons\u00e1veis da Igreja deixaram-se invadir pela tenta\u00e7\u00e3o de esta ser uma sociedade vazada \u00e0 maneira de senhores, fidalgos e poderosos, e modelada por crit\u00e9rios meramente temporais e profanos. Assim se foram introduzindo situa\u00e7\u00f5es esp\u00farias, marcadas pelos ventos do tempo, que recolhiam o proveito de quem na Igreja, as desejava, admitia e por elas lutava. Criou-se, ent\u00e3o, uma sociedade semelhante \u00e0quela que Jesus Cristo, por via de uma revolu\u00e7\u00e3o activa, mas pac\u00edfica, denunciou e alterou, por ser contr\u00e1ria aos seus valores. Foi neste contexto que pregou o Reino de Deus, chamou e formou os que livremente aceitaram segui-lo e se tornaram Seus disc\u00edpulos. O Seu projecto n\u00e3o podia ser alterado e deviam estar atentos a quanto o podia desvirtuar. Um trabalho que se foi fazendo ao longo do tempo, por crist\u00e3os fieis e corajosos, profetas e santos, sempre com n\u00e3o poucas dificuldades.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os s\u00e9culos que identificaram a Igreja com o mundo, no prop\u00f3sito de que todo o mundo fosse Igreja, levaram esta a obedecer a crit\u00e9rios e a seguir caminhos que n\u00e3o eram os seus, carregando-a de excresc\u00eancias in\u00fateis onde n\u00e3o cabiam os valores evang\u00e9licos. Muitas delas ainda a\u00ed est\u00e3o, vis\u00edveis e luzidias, a ilustrar tempos que passaram e n\u00e3o s\u00e3o de recordar, mas que parecem agradar a quem prefere mais os ornatos e as apar\u00eancias passageiras, que a verdade permanente e consistente.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito que d\u00e1 a vida e renova todas as coisas, foi dando luz e fortaleza a membros da Igreja &#8211; bispos, padres, religiosos e leigos &#8211; para denunciarem caminhos de uma uniformidade que n\u00e3o nascia da f\u00e9 e limparem inutilidades, que pesavam sobre os crist\u00e3os e suas comunidades, e denunciavam, \u00e0 maneira profana, uma grandeza que n\u00e3o vem da fidelidade a Deus, nem ao Evangelho. Os profetas escolhidos foram fieis \u00e0 sua f\u00e9, mas desprezados e perseguidos por gente que defendia interesses instalados. Francisco de Assis encarnou a den\u00fancia de um Evangelho que n\u00e3o era o de Cristo. Chamaram-lhe louco. Rosmini ousou, corajosamente, apontar as \u201cchagas\u201d da Igreja. Foi condenado e s\u00f3 muito mas mais tarde recuperado como profeta. A lista podia continuar. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o XXIII surgiu inesperado. Convocou um Conc\u00edlio, dizia ele, para limpar o rosto da Igreja, em muitos aspectos confuso e conspurcado. Tamb\u00e9m para ele e para aqueles que apoiaram a sua intui\u00e7\u00e3o, como sinal do Esp\u00edrito, a vida n\u00e3o foi f\u00e1cil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social falaram largamente da interven\u00e7\u00e3o do Cardeal Jos\u00e9 Policarpo, no Simp\u00f3sio do Clero. Alguns viram nas palavras proferidas uma clara advert\u00eancia a bispos e padres quando, na Igreja, expendem opini\u00f5es que p\u00f5em ou podem bulir com a unidade, a comunh\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio do Papa. 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