{"id":3987,"date":"2009-10-21T17:09:00","date_gmt":"2009-10-21T17:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=3987"},"modified":"2009-10-21T17:09:00","modified_gmt":"2009-10-21T17:09:00","slug":"o-domingo-dos-brados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-domingo-dos-brados\/","title":{"rendered":"O domingo dos brados"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu *<\/p>\n<p>* \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor. <!--more--> 30.\u00ba  Domingo do Tempo Comum (Ano B)<\/p>\n<p>1.\u00aa Leitura: Livro do profeta Jeremias 31,7-9.<\/p>\n<p>2.\u00aa Leitura: Carta aos Hebreus 5,1-6.<\/p>\n<p>Evangelho: S\u00e3o Marcos 10,46-52.<\/p>\n<p>Solta brados de alegria o vigia de Israel, e todas as gentes s\u00e3o convidadas a exultar ruidosamente, porque regressa do cativeiro \u00abo resto\u00bb do povo do Senhor (1.\u00aa leitura); solta brados de intercess\u00e3o junto a Deus o Sumo Sacerdote, e o pr\u00f3prio Deus Pai anuncia com brados vigorosos como Jesus \u00e9 o Cristo e verdadeiro Sumo Sacerdote (2.\u00aa leitura); brada o cego de Jeric\u00f3, para atrair, a todo o custo, a aten\u00e7\u00e3o de Jesus (evangelho).<\/p>\n<p>\u00c9 importante \u00abbradar\u00bb, at\u00e9 para manter a sa\u00fade psicol\u00f3gica e a alegria saudavelmente infantil. E muita gente perde a vida por n\u00e3o conseguir bradar por socorro da maneira mais eficaz\u2026<\/p>\n<p> O sil\u00eancio \u00e9 dif\u00edcil de suportar. Quem n\u00e3o precisa de cantar e, de vez em quando, de gritar? Quem n\u00e3o sente a necessidade de que lhe falem e prestem ouvidos? O pr\u00f3prio Deus, atrav\u00e9s dos profetas e de Jesus, grita connosco e bem: quer para avisar do perigo, quer para se alegrar connosco. E \u00e9 o primeiro a incitar-nos a clamar por ajuda e sobretudo a gritar de alegria. <\/p>\n<p>Precisamos de bradar por Deus, de bradar as injusti\u00e7as em todo o mundo, mas esses brados de nada valem se n\u00e3o se materializam na marcha aventureira ao encontro da justi\u00e7a. Uma caminhada penosa mas alegre \u2013 porque firme na esperan\u00e7a. Um cortejo em que os primeiros n\u00e3o s\u00e3o os mais ricos, os mais atletas, os mais espertos para furar na vida, os mais dotados para actividades intelectuais ou para jogar na diplomacia\u2026 Quem, da lista destes \u00abmais\u00bb, tiver a coragem de jogar forte, vem \u00e0 mistura com os coxos, com os cegos, com os que t\u00eam amor para \u00abperder tempo\u00bb com os filhos\u2026 (1.\u00aa leitura). Jeremias d\u00e1 realce a quem transporta a vida dentro de si ou a seu colo, com o orgulho de quem vai na linha da frente, na luta por mais e melhor vida. E \u00e9 na aut\u00eantica partilha deste caminhar, que cada qual se enriquece e fortifica com os talentos e a for\u00e7a de todos os mais.<\/p>\n<p>Ao lermos o evangelho, vemos que h\u00e1 quem persista em se aproximar de Jesus, mesmo se alguns lhe barram o caminho; e que quem mais brada e caminha resolutamente para encontrar a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele que \u00e9 cego de corpo \u2013 os que n\u00e3o se acham cegos, s\u00e3o os que levantam obst\u00e1culos! Muita gente se julga importante por formar o s\u00e9quito e a guarda (!) de Jesus \u2013 e n\u00e3o facilita a aproxima\u00e7\u00e3o dos mais pobres e mais segregados pela sociedade, e at\u00e9 dos que t\u00eam menos capacidades f\u00edsicas. Tira-se a voz aos \u00abin\u00fateis\u00bb. <\/p>\n<p>Para Deus, ningu\u00e9m \u00e9 in\u00fatil \u2013 este \u00e9 um dos grandes princ\u00edpios presentes na par\u00e1bola dos trabalhadores da \u00faltima hora, que recebem tanto como os que trabalharam o dia inteiro (Mateus 20,1-16). Seja qual for a idade ou o tipo de vida, cada ser humano, pelo mero facto de existir, \u00abbrada a Deus\u00bb \u2013 porque tem sede de mais. E por isso Jesus se apropriou da tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica ao dirigir-se de modo especial aos pobres e marginais (Lucas 4,18), porque estes, ao sentirem na pele as injusti\u00e7as da vida, precisam de estar atentos a tudo o que possa ser um sinal de vida nova. E a experi\u00eancia de ser reconhecido por Deus e a f\u00e9 em que, na perfeita \u00abvida nova\u00bb, Deus \u00abenxugar\u00e1 todas as l\u00e1grimas\u00bb e n\u00e3o haver\u00e1 morte nem dor (Apocalipse 21,4), gera, por sua vez, energias positivas para a grande caminhada da vida.<\/p>\n<p>Uma caminhada onde tamb\u00e9m ajuda \u00abbradar em coro\u00bb \u2013 n\u00e3o s\u00e3o estes \u00abbrados\u00bb a nossa liturgia, feita de aspira\u00e7\u00f5es a uma alegria sem enganos? Mas de pouco valem estes brados a Deus, se n\u00e3o atendemos aos brados uns dos outros.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o somos sens\u00edveis aos problemas dos outros, n\u00e3o nos admiremos que se propague a viol\u00eancia. Se n\u00e3o somos capazes de caminhar junto dos que podem menos (sem snobismo) e dos que podem mais (sem servilismo), n\u00e3o vamos a lado nenhum, por muita sensibilidade que publicitemos.<\/p>\n<p>Jesus Cristo \u00e9 exemplo de quem soube caminhar com uns e com outros. N\u00e3o fugiu \u00e0 fadiga e sofrimento de muitos \u00abencontros\u00bb, como tamb\u00e9m n\u00e3o fugiu ao prazer do conv\u00edvio com amigos \u2013 fossem pobres ou ricos. <\/p>\n<p>A carta aos Hebreus continua a medita\u00e7\u00e3o b\u00edblica sobre as semelhan\u00e7as e confrontos entre o \u00abSumo sacerdote\u00bb e Jesus Cristo. O primeiro era o maior representante do \u00abpovo escolhido\u00bb e mediador entre o povo e Deus, dirigindo os actos de culto, perscrutando e ensinando a vontade de Deus e apresentando as ofertas e sacrif\u00edcios dos fi\u00e9is, principalmente no grande dia de festa da reconcilia\u00e7\u00e3o (ou do perd\u00e3o \u2013 \u00abkippur\u00bb). Jesus Cristo ofereceu sem reservas a sua pessoa e a sua vida, como perfeito representante da humanidade inteira junto de Deus \u2013 que ele revelou como Pai.  Como \u00e9 sabido, Jesus nunca pertenceu \u00e0 classe sacerdotal. O sacerd\u00f3cio que lhe \u00e9 atribu\u00eddo \u00e9 o sacerd\u00f3cio \u00absegundo a ordem de Melquisedeque\u00bb, um sacerd\u00f3cio misterioso, muito superior ao sacerd\u00f3cio institucional (2.\u00aa leitura). \u00c9 o sacerd\u00f3cio do \u00abservo de Jav\u00e9\u00bb (figura de leituras anteriores), que n\u00e3o recuou perante o \u00absacrif\u00edcio\u00bb duma morte violenta e humilhante. Como ele, todos n\u00f3s somos chamados a pertencer a este tipo de sacerd\u00f3cio: doravante, cada pessoa \u00e9 o verdadeiro templo de Deus (Jo\u00e3o 4,23-24) e cada fiel \u00e9 um sacerdote apresentando a sua vida a Deus (1.\u00aa carta de S. Pedro 2, 9), oferecendo a Deus a luta por uma vida honesta, dedicada \u00e0 justi\u00e7a e ao amor, e assim criadora, juntamente com a de Jesus Cristo, de um mundo sempre melhor.<\/p>\n<p>Diz-nos o Evangelho que o cego, ao ser chamado por Jesus, \u00abdeu um salto\u00bb para chegar mais depressa \u2013 e ainda era cego! Bastou-lhe sentir e prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voz divina \u2013 a voz que n\u00e3o nos deixa adormecer no nosso cantinho. S\u00f3 com esta coragem \u00e9 que vale a pena ter os olhos abertos, provocando, com os nossos \u00abbrados e saltos\u00bb, a luta por mais e melhor vida.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu * * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-3987","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3987\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}