{"id":4021,"date":"2009-10-21T18:00:00","date_gmt":"2009-10-21T18:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4021"},"modified":"2009-10-21T18:00:00","modified_gmt":"2009-10-21T18:00:00","slug":"o-que-e-um-cristao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-que-e-um-cristao-cultural\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 um crist\u00e3o cultural?"},"content":{"rendered":"<p>A categoria \u201ccat\u00f3lico ou crist\u00e3o n\u00e3o praticante\u201d faz pele de galinha a muita gente que assim reage contra o confor-mismo dos que receberam uma heran\u00e7a crist\u00e3 sem nunca verdadeiramente a ter assumido. Engrossam as estat\u00edsticas mais gen\u00e9ricas, reconhecem-se num determinado conjunto de refer\u00eancias e partilham at\u00e9 uma espor\u00e1dica ou difusa atmosfera religiosa, mas afastaram-se de uma integra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e plena na din\u00e2mica eclesial. Por isso, s\u00e3o olhados, tantas vezes, como um peso-morto que a Igreja tem de carregar e em rela\u00e7\u00e3o ao qual pouco ou nada pode fazer.<\/p>\n<p>Ora, sem simplificar aquilo que \u00e9 complexo, deve-se dizer, por\u00e9m, que eles representam tamb\u00e9m um imenso desafio. Hoje alguns autores da sociologia da religi\u00e3o preferem mesmo utilizar a designa\u00e7\u00e3o \u201ccrist\u00e3o cultural\u201d para descrever este povo que, talvez de modo apressado, se chamava de \u201cn\u00e3o-praticantes\u201d. Verdadeiramente, os \u201cn\u00e3o-praticantes\u201d t\u00eam tamb\u00e9m as suas express\u00f5es que \u00e9 preciso reconhecer: no seu modo de viver h\u00e1 pr\u00e1ticas que persistem e outras que v\u00e3o sendo transformadas; h\u00e1 um confronto com o Absoluto e um sentido do Transcendente, talvez soletrados com outra dic\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o necessariamente despojado de intensidade; h\u00e1 a procura dos valores evang\u00e9licos, mesmo quando explicitamente j\u00e1 n\u00e3o tomam o Evangelho como refer\u00eancia\u2026 Claro que nem tudo \u00e9 igual, e h\u00e1 uma expl\u00edcita maturidade crist\u00e3 que tem de ser anunciada com desassombro. Mas isso n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com uma arte do encontro (e do reencontro) que precisamos todos, praticantes e n\u00e3o-praticantes, de descobrir.<\/p>\n<p>Da passagem recente de Enzo Bianchi entre n\u00f3s, anotei, por exemplo, estas palavras, que nos obrigam certamente a pensar: \u00abCreio que tamb\u00e9m h\u00e1 lugar para uma espiritualidade dos agn\u00f3sticos e dos n\u00e3o-crentes, daqueles que se colocam \u00e0 procura da verdade porque n\u00e3o se satisfazem com respostas pr\u00e9-fabricadas e definidas de uma vez para sempre. \u00c9 uma espiritualidade que se alimenta da experi\u00eancia da interioridade, da procura de sentido e do sentido dos sentidos, do confronto com a realidade da morte como palavra origin\u00e1ria e da experi\u00eancia do limite; uma espiritualidade que conhece tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da solid\u00e3o, do sil\u00eancio e do meditar\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A categoria \u201ccat\u00f3lico ou crist\u00e3o n\u00e3o praticante\u201d faz pele de galinha a muita gente que assim reage contra o confor-mismo dos que receberam uma heran\u00e7a crist\u00e3 sem nunca verdadeiramente a ter assumido. Engrossam as estat\u00edsticas mais gen\u00e9ricas, reconhecem-se num determinado conjunto de refer\u00eancias e partilham at\u00e9 uma espor\u00e1dica ou difusa atmosfera religiosa, mas afastaram-se de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4021","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4021\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}