{"id":4024,"date":"2009-10-21T18:11:00","date_gmt":"2009-10-21T18:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4024"},"modified":"2009-10-21T18:11:00","modified_gmt":"2009-10-21T18:11:00","slug":"tempo-de-profetas-que-ninguem-podera-calar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tempo-de-profetas-que-ninguem-podera-calar\/","title":{"rendered":"Tempo de profetas que ningu\u00e9m poder\u00e1 calar"},"content":{"rendered":"<p>Profetas n\u00e3o t\u00eam faltado na Igreja, e a incompreens\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o a eles, tamb\u00e9m n\u00e3o. Se na Igreja de Cristo h\u00e1 o fermento novo do apelo \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 mudan\u00e7a interior, tamb\u00e9m resta nela o fermento velho que a impede de ser serva, neste tempo em que a luz de Cristo \u00e9 ainda, para muita gente, o \u00fanico p\u00e3o da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O Cardeal Martini, profeta a que n\u00e3o falta lucidez, coragem, sabedoria, amor \u00e0 Igreja e aos homens e mulheres deste tempo, \u00e9, como bispo, um crist\u00e3o humilde e consciente, que exerce o seu dever de promover a comunh\u00e3o eclesial, com o profetismo do realismo e da esperan\u00e7a. Sempre houve gente de lugares cimeiros, n\u00e3o Bento XVI nem os seus predecessores, que o temeram, desconfiaram dele e puseram reservas p\u00fablicas \u00e0s suas interven\u00e7\u00f5es, l\u00facidas, pertinentes e corajosas. Gente que, por certo, se sentiu aliviada, a quando da sua passagem a em\u00e9rito. Por\u00e9m, a doen\u00e7a progressiva n\u00e3o lhe apagou o dom que nele Deus outorgou \u00e0 Igreja e \u00e0 sociedade, nem as suas limita\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, lhe limitaram o direito e o dever de discernir, criteriosamente, os sinais dos tempos e, em comunh\u00e3o, ser profeta, numa Igreja em que todos se deviam sentir estimulados a exercer o profetismo que lhes \u00e9 pr\u00f3prio, e de que muito necessita a Igreja e o mundo. <\/p>\n<p>N\u00e3o falo do Cardeal Martini, por uma simpatia de \u00faltima hora. Conheci-o de modo directo e de viv\u00eancia, n\u00e3o meramente ocasional, ao longo de tr\u00eas s\u00ednodos, de v\u00e1rios simp\u00f3sios, de encontros frequentes, por essa Europa fora, e pela leitura e reflex\u00e3o atentas a que nos habituou nas suas interven\u00e7\u00f5es orais e escritas.<\/p>\n<p>A Martini podemos juntar H\u00e9lder C\u00e2mara, que legou \u00e0 Igreja um riqu\u00edssimo patrim\u00f3nio prof\u00e9tico, avalizado por um compromisso eloquente, ainda n\u00e3o entendidos.<\/p>\n<p>O momento hist\u00f3rico que a Igreja vive, obriga a caminhos novos aos j\u00e1 acordados para as urg\u00eancias da f\u00e9 esclarecida e do testemunho coerente, que n\u00e3o podem enredar-se em tradi\u00e7\u00f5es e costumes que, n\u00e3o raro, sossegam o esp\u00edrito e anestesiam a vontade.<\/p>\n<p>Sempre que se calam os profetas, proliferam os falsos profetas. A sementeira das seitas, os movimentos pseudo-religiosos que fazem da ignor\u00e2ncia e da dor de muitos uma fonte de r\u00e9ditos, a onda de indiferen\u00e7a que atinge jovens e adultos, o descr\u00e9dito programado que caiu sobre o casamento e a fam\u00edlia, a carga pesada de tantas vidas que procuram, por vezes em v\u00e3o, cireneus generosos e compreensivos, as incurs\u00f5es di\u00e1rias nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social para desvirtuarem a verdade crist\u00e3 e que pu-gnam para impor sentimentos e opini\u00f5es falaciosas, a diminui\u00e7\u00e3o de voca\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o, tudo grita por um apelo a profetas corajosos e atentos e por um retorno urgente ao essencial.<\/p>\n<p>Mais parece, em muitas circunst\u00e2ncias, que a Igreja de alguns roda \u00e0 volta de si pr\u00f3pria, gasta, com os seus problemas internos, as melhores energias e, em detrimento do Reino, mais d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o aos \u201cacr\u00e9scimos\u201d, que n\u00e3o resistem ao tempo. <\/p>\n<p>Construir o Reino de Deus, fermento novo na humanidade, \u00e9 o grande e apaixonante projecto de Jesus Cristo. Foi esse projecto que legou \u00e0 Igreja e lhe pediu lhe fosse fiel.<\/p>\n<p>Os interpelados por acontecimentos da vida que afectam o agir da Igreja, juram fidelidade ao Vaticano II. J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o mais de quarenta anos, tempo suficiente para amadurecer orienta\u00e7\u00f5es e lhes dar vida. Por\u00e9m, n\u00e3o podemos esquecer que s\u00e3o j\u00e1 muitos os padres, leigos e consagrados que do Vaticano II apenas ouviram falar e os seus documentos s\u00e3o um livro volumoso, ao lado de outros, que o p\u00f3 vai cobrindo.<\/p>\n<p>Sente-se, aqui e ali, ao arrepio do Conc\u00edlio, um agir pastoral e uma vida comunit\u00e1ria, que pouco tem a ver com as intui\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es conciliares. Recebemos um patrim\u00f3nio conciliar que nos honra e responsabiliza. Ele est\u00e1 vivo, mas s\u00f3 se for posto em pr\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profetas n\u00e3o t\u00eam faltado na Igreja, e a incompreens\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o a eles, tamb\u00e9m n\u00e3o. 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