{"id":406,"date":"2010-01-28T10:01:00","date_gmt":"2010-01-28T10:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=406"},"modified":"2010-01-28T10:01:00","modified_gmt":"2010-01-28T10:01:00","slug":"nao-ha-desenvolvimento-sem-verdade-justica-e-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nao-ha-desenvolvimento-sem-verdade-justica-e-caridade\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento, sem verdade, justi\u00e7a e caridade"},"content":{"rendered":"<p>Com a participa\u00e7\u00e3o interessada e interveniente de seis dezenas de pessoas, a par\u00f3quia de Oi\u00e3 dedicou duas noites \u00e0 reflex\u00e3o sobre a enc\u00edclica \u201cA Caridade na Verdade\u201d (\u201cCaritas in veritate\u201d, CV), nos dias 20 e 21 de Janeiro. Orientou a reflex\u00e3o Jorge Pires Ferreira, ap\u00f3s o acolhimento e introdu\u00e7\u00e3o do p\u00e1roco, P.e Manuel M\u00e1rio Ferreira.<\/p>\n<p>Deixam-se aqui as ideias principais desta carta aberta do pensamento papal (e eclesial) sobre quest\u00f5es e de economia e pol\u00edtica, centradas no tema do desenvolvimento no mundo actual. Por vezes a CV \u00e9 considerada \u201cdif\u00edcil\u201d, mas vale a pena acolher os seus princ\u00edpios e valores. Permitem olhar para o mundo com um olhar mais cr\u00edtico mas tamb\u00e9m esperan\u00e7ado, ao mesmo tempo que podem iluminar a ac\u00e7\u00e3o social dos pequenos grupos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>A primeira afirma\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica \u00e9 chave de leitura. \u201cA caridade na verdade (\u2026) \u00e9 a for\u00e7a propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira\u201d. Inverte a ideia tradicional de que \u201c\u00e9 preciso dizer a verdade na caridade\u201d, que normalmente resulta em preju\u00edzo da verdade, e faz pensar que vivemos num tempo em que a ilus\u00e3o, a mentira, o relativismo, os interesses se sobrep\u00f5em \u00e0 verdade. Abundam exemplos disso, dos motivos para a guerra e da sobrevaloriza\u00e7\u00e3o dos \u201cdireitos dos animais\u201d \u00e0s leis sobre o aborto ou sobre o casamento. A sociedade altamente mediada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social sugere que o simulacro se tome por realidade. Tom\u00e1s de Aquino dizia: \u201cAs pessoas querem ser enganadas. Devemos engan\u00e1-las?\u201d A resposta do s\u00e1bio medieval era: \u201cN\u00e3o\u201d. A de hoje \u00e9: \u201cSe elas querem\u2026\u201d<\/p>\n<p>Bento XVI faz um balan\u00e7o decepcionado sobre as esperan\u00e7as de desenvolvimento de Paulo VI, que em 1967 publicara a \u201cPopulorum progressio\u201d, sobre o \u201cDesenvolvimento dos povos\u201d, e real\u00e7a que o mundo precisa de quem se preocupe com o bem comum (bem ligado \u00e0 vida social das pessoas; o caminho institucional e pol\u00edtico da caridade), com amor (que \u00e9 \u201cdar ao outro do que \u00e9 \u00abmeu\u00bb\u201d) praticado sobre a justi\u00e7a (\u201cque induz a dar ao outro o que \u00e9 \u00abdele\u00bb, o que lhe pertence em raz\u00e3o do seu ser e do seu agir\u201d).<\/p>\n<p>O formador sintetizou em doze ideias o pensamento de Bento XVI, n\u00e3o deixando de real\u00e7ar a necessidade de leitura do documento, que \u00e9 mais f\u00e1cil, directo, consequente e pr\u00e1tico do que o de outras enc\u00edclicas papais.<\/p>\n<p>As doze propostas de Bento XVI:<\/p>\n<p>1. Gratuidade e dom nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e pol\u00edticas, entre pessoas e entre na\u00e7\u00f5es. Um exemplo: o voluntariado.<\/p>\n<p>2. Esp\u00edrito empresarial precisa-se. No p\u00fablico e no privado. Os pobres tamb\u00e9m podem ser empreendedores. A pobreza n\u00e3o \u00e9 um destino.<\/p>\n<p>3. Orientar a globaliza\u00e7\u00e3o em termos de relacionamento, comunh\u00e3o e partilha.<\/p>\n<p>4. A partilha dos deveres rec\u00edprocos mobiliza muito mais do que a mera reivindica\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n<p>5. Pol\u00edticas que promovam a centralidade e a integridade da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>6. Correcto relacionamento do ser humano com o ambiente natural.<\/p>\n<p>7. O desenvolvimento dos povos depende sobretudo do reconhecimento que s\u00e3o uma s\u00f3 fam\u00edlia. O fundamento \u00faltimo da fraternidade \u00e9 a Trindade.<\/p>\n<p>8. A raz\u00e3o tem necessidade de ser purificada pela f\u00e9 (a duas asas do esp\u00edrito humano, dizia Jo\u00e3o Paulo II).<\/p>\n<p>9. O princ\u00edpio da subsidiariedade (n\u00e3o fa\u00e7am os de cima o que podem fazer os de baixo) h\u00e1-de ser mantido estritamente ligado com o da solidariedade (o dever de todos se preocuparem com todos) e vice-versa.<\/p>\n<p>10. Coliga\u00e7\u00e3o mundial em favor do trabalho decente (incluindo sindicatos adaptados aos novos problemas, como o do consumo).<\/p>\n<p>11. Desenvolvimento \u00e9 quest\u00e3o de t\u00e9cnica e de esp\u00edrito. A raz\u00e3o t\u00e9cnica, sozinha, n\u00e3o consegue o desenvolvimento, que \u00e9 quest\u00e3o cultural e espiritual.<\/p>\n<p>12. O desenvolvimento mundial tem necessidade de crist\u00e3os com os bra\u00e7os levantados para Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a participa\u00e7\u00e3o interessada e interveniente de seis dezenas de pessoas, a par\u00f3quia de Oi\u00e3 dedicou duas noites \u00e0 reflex\u00e3o sobre a enc\u00edclica \u201cA Caridade na Verdade\u201d (\u201cCaritas in veritate\u201d, CV), nos dias 20 e 21 de Janeiro. Orientou a reflex\u00e3o Jorge Pires Ferreira, ap\u00f3s o acolhimento e introdu\u00e7\u00e3o do p\u00e1roco, P.e Manuel M\u00e1rio Ferreira. 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