{"id":4142,"date":"2009-10-28T10:14:00","date_gmt":"2009-10-28T10:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4142"},"modified":"2009-10-28T10:14:00","modified_gmt":"2009-10-28T10:14:00","slug":"ecologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ecologia\/","title":{"rendered":"Ecologia"},"content":{"rendered":"<p>10 Palavras fundamentais de Bio\u00e9tica <!--more--> Adoptando a linha de compreens\u00e3o do que ser\u00e1 a bio\u00e9tica, inaugurada, em 1970, por Van Potter, o termo ecologia poder\u00e1 afigurar-se como central em qualquer corrente bioeticista, quer te\u00f3rica, quer praticamente. Na verdade, assim \u00e9, de facto, pois, de acordo com o pensamento deste pioneiro da ci\u00eancia bio\u00e9tica que a hist\u00f3ria posterior veio a confirmar, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar-se a vida do homem sem a conceber em articula\u00e7\u00e3o com as demais manifesta\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas. Mais ainda, a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica depende de pressupostos que resultam do entendimento que se tenha da mesma rela\u00e7\u00e3o do homem com os demais. <\/p>\n<p>Ora, s\u00e3o estes dados que se cruzam quando se pretende discutir do que se fala quando se evoca a ecologia. Importa, antes de mais, compreender que o pr\u00f3prio termo que oculta o conceito re\u00fane a ideia de que estamos perante uma reflex\u00e3o (l\u00f3gia, l\u00f3gos, em grego, significa reflex\u00e3o, discurso, pensamento, ci\u00eancia) acerca da casa em que todos vivemos (oikos significa \u2018casa e o quintal, o aido\u2019). O mesmo prefixo \u00e9 utilizado no termo economia (as normas da casa). \u00c9 por isto que se vai generalizando a ideia de que a ecologia \u00e9 a reflex\u00e3o sobre a nossa \u2018casa comum\u2019. Uma tal defini\u00e7\u00e3o entreabre j\u00e1 a porta para a compreens\u00e3o de que, ao falar de ecologia, j\u00e1 muito est\u00e1 a ser dito, pois afirma-se a condi\u00e7\u00e3o de solidariedade que une todos num destino \u00fanico e comum, refor\u00e7ando a convic\u00e7\u00e3o de que o agir humano n\u00e3o \u00e9 neutro ou in\u00f3cuo, isto \u00e9, sem consequ\u00eancias. Pelo contr\u00e1rio, ao falar-se de ecologia estamos a acentuar que todo o acto humano se repercute nos outros (humanos ou n\u00e3o). Ali\u00e1s, uma tal compreens\u00e3o tem, ainda, impl\u00edcito um outro pressuposto: ao falar-se de ecologia n\u00e3o nos referimos, apenas, \u00e0 coexist\u00eancia com outros seres diversos de n\u00f3s ou que seriam mero cen\u00e1rio dos nossos actos, mas antes, que os demais seres interagem connosco (ecologia ambiental), sendo que, dessa interac\u00e7\u00e3o resultam consequ\u00eancias para a mesma natureza e para o pr\u00f3prio homem (ecologia humana). <\/p>\n<p>Esta descri\u00e7\u00e3o, aparentemente tranquila e sem sobressaltos, n\u00e3o deixa, por\u00e9m de ser o ponto de partida para m\u00faltiplas diverg\u00eancias, nos discursos bioeticistas que gostar\u00edamos de retratar, muito sumariamente. <\/p>\n<p>Na verdade, esta condi\u00e7\u00e3o de interac\u00e7\u00e3o, reflectida pela ecologia, serve de pressuposto para a formula\u00e7\u00e3o de discursos que chegam a contradizer-se e perante os quais importa encontrar um ponto de equil\u00edbrio. Na realidade, as ditas ecologias radicais t\u00eam partido deste pressuposto para afirmar a total equipara\u00e7\u00e3o entre o homem e os demais seres, sendo que de tal ponto de partida se conclui que os seres n\u00e3o humanos podem constituir-se como detentores de direitos. No extremo oposto, est\u00e3o as correntes que, em nome de um antropocentrismo radical, recusam qualquer dever de respeitabilidade da natureza, pela total redu\u00e7\u00e3o desta \u00e0 categoria de \u2018cen\u00e1rio\u2019 para a exist\u00eancia humana. A natureza, nesta concep\u00e7\u00e3o, \u00e9 totalmente instrumentaliz\u00e1vel, n\u00e3o sendo alvo de qualquer considera\u00e7\u00e3o \u00e9tica a ac\u00e7\u00e3o que recaia sobre ela.<\/p>\n<p>Importa, diante de t\u00e3o radicais tomadas de posi\u00e7\u00e3o, encontram uma concep\u00e7\u00e3o que permita, por um lado, assegurar a inigual\u00e1vel dignidade humana, mas simultaneamente a n\u00e3o redu\u00e7\u00e3o da natureza \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mero alvo de toda a ac\u00e7\u00e3o justificada pelos princ\u00edpios de uma raz\u00e3o meramente instrumental. A resposta a tal diverg\u00eancia pode ser encontrada no pensamento de fil\u00f3sofos e te\u00f3logos que, em nome do princ\u00edpio da responsabilidade s\u00f3 atribu\u00edvel ao homem (os animais, as plantas n\u00e3o podem ser, em si mesmos, detentores de direitos, mas sim, benefici\u00e1rios do dever do homem de os proteger), afirmam que toda a ac\u00e7\u00e3o humana que se repercuta na natureza deve ser marcada pela atitude de prud\u00eancia, que procura equilibrar as necessidades humanas com a proporcionalidade do uso de recursos suscept\u00edveis de suprir as mesmas necessidades. Uma tal abordagem comporta exig\u00eancias que desafiam a uma constante atitude de busca das melhores e mais equilibradas respostas que garantam que o homem possa desenvolver-se, mas sem hipotecar o seu futuro. Particularmente interes-sante e sintetizador desta concep\u00e7\u00e3o \u00e9 o aforismo que recorda que \u2018a Terra n\u00e3o \u00e9 uma heran\u00e7a dos nossos pais, mas um empr\u00e9stimo dos nossos filhos\u2019. Afirma\u00e7\u00e3o que resume, genialmente, ecologia humana e ecologia ambiental: a sobreviv\u00eancia do mundo n\u00e3o se consegue sem a do homem que dela tamb\u00e9m depende, circularmente.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Manuel Pereira<\/p>\n<p>Dignidade | Pessoa | Aborto | Eugenismo | Clonagem | Eutan\u00e1sia | Bio\u00e9tica | Ecologia | Humanismo | Princ\u00edpios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10 Palavras fundamentais de Bio\u00e9tica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-4142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}