{"id":4150,"date":"2009-11-04T10:36:00","date_gmt":"2009-11-04T10:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4150"},"modified":"2009-11-04T10:36:00","modified_gmt":"2009-11-04T10:36:00","slug":"a-bolsa-ou-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-bolsa-ou-a-vida\/","title":{"rendered":"A bolsa ou a vida"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu*<\/p>\n<p>* \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor. <!--more--> 32.\u00ba  Domingo do tempo comum (ano B)<\/p>\n<p>1.\u00aa leitura: 1.\u00ba  Livro dos Reis 17, 10-16<\/p>\n<p>2.\u00aa leitura: Carta aos Hebreus 9, 24-28<\/p>\n<p>Evangelho: S. Marcos 12, 38-44<\/p>\n<p>E \u00e9 se queremos salvar a vida, por muito reles que esta nos pare\u00e7a. Vida h\u00e1 s\u00f3 uma, e n\u00e3o h\u00e1 dinheiro que a pague. Assim \u00e9 que n\u00e3o hesitamos em alargar os cord\u00f5es \u00e0 bolsa perante quem nos p\u00f5e entre a espada e a parede. <\/p>\n<p>A 1.\u00aa leitura fala-nos do grande profeta Elias, fugindo da seca com que Israel estava a ser castigado, levando consigo apenas o duro fardo de lutar por descobrir e proclamar o enredo da rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e Deus. Cheio de fome e de sede, encontrou uma vi\u00fava a quem pediu p\u00e3o e \u00e1gua. Se esta vi\u00fava negasse a Elias o \u00faltimo pedacinho de p\u00e3o, religiosamente guardado em tempo de cintos bem apertados, acabaria na mesma por morrer de fome e ainda por cima com um peso na consci\u00eancia. Mas porque confiou num  profeta a s\u00e9rio, num homem que n\u00e3o vivia \u00e0 custa de enganar e roubar, viu melhorar n\u00e3o s\u00f3 a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o como a de toda a sociedade, e abriu os olhos para o real valor da sua \u00fanica vida. <\/p>\n<p>Na verdade, as vi\u00favas da 1.\u00aa leitura e do evangelho souberam dar a bolsa para ficarem com muito mais vida! <\/p>\n<p>O problema \u00e9 saber se podemos confiar em quem se apresenta como \u00absalvador da p\u00e1tria\u00bb ou \u00absalvador das nossas almas\u00bb. Jesus Cristo utiliza um crit\u00e9rio quase infal\u00edvel: desconfiar de quem gosta de parecer importante, sobretudo se \u00e0 custa do dinheiro dos outros (evangelho). <\/p>\n<p>As pessoas mesmo importantes sabem p\u00f4r o tempo e dinheiro ao servi\u00e7o do bem comum e, se s\u00e3o mesmo competentes, ganhar\u00e3o a parte devida ao seu contributo para a melhoria geral do n\u00edvel de vida. N\u00e3o andam a enganar com boas promessas ou a dizer que s\u00e3o bons porque afinal n\u00e3o roubam tanto como dizem por a\u00ed\u2026<\/p>\n<p>Demasiadas vezes, aqueles que mais sofrem com a desorganiza\u00e7\u00e3o social s\u00e3o apenas objecto de palavras bonitas. Quantos, de quem se esperava a sabedoria das palavras que iluminam e aquecem, se preocupam sobretudo com \u00abfrases caras\u00bb e vistosas, que lhes abrir\u00e3o as portas da fama! Para n\u00e3o falar dos mistificadores no poder \u2013 exemplos, todos eles, da advert\u00eancia de Jesus: \u00abTende cuidado com os doutores da Lei, que gostam de se exibir com ricas roupagens e de ser cumprimentados nos mais ilustres centros urbanos, e de ocupar os primeiros lugares nas cerim\u00f3nias religiosas e civis; devoram as casas das vi\u00favas, a pretexto de longas ora\u00e7\u00f5es\u00bb; e gostam de ostentar grandes esmolas (daquelas que retornam ao bolso dos \u00abbenfeitores\u00bb&#8230;).<\/p>\n<p>Na medida em que a sociedade fecha os olhos ou at\u00e9 promove a desonestidade como estrat\u00e9gia de poder e de riqueza, n\u00e3o s\u00e3o apenas as hist\u00f3rias de vi\u00favas a acabar mal. Al\u00e9m disso, custa fugir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o das \u00abluzes da ribalta\u00bb e da roda gigantesca do poder (at\u00e9 basta um crime para ter lugar nas caixas altas da imprensa e meios televisivos!). A \u00eanfase que os evangelhos d\u00e3o \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es de Jesus testemunha bem a for\u00e7a desta atrac\u00e7\u00e3o, capaz de rebaixar ou destruir os projectos mais promissores.<\/p>\n<p>Porque a vida \u00e9 s\u00f3 uma, temos que a saber jogar bem \u2013 tamb\u00e9m Deus nos p\u00f5e entre a espada e a parede! Jesus Cristo mostrou-se espantosamente consciente de como era importante jogar a sua \u00fanica vida para bem de todos (2.\u00aa leitura). Fez muit\u00edssimo pelo progresso da Humanidade, mas s\u00f3 teve a import\u00e2ncia suficiente para ser castigado e executado como perturbador da \u00abordem da gente que se serve do poder\u00bb&#8230; Ele pr\u00f3prio se mostrou triste, v\u00e1rias vezes, por verificar que n\u00e3o era compreendido e que at\u00e9 era mal interpretado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por isso, Jesus foi particularmente sens\u00edvel \u00e0quela vi\u00fava pobre (evangelho), que passava despercebida, ou que seria ridicularizada por dar esmolas t\u00e3o pequeninas para o imponente tesouro do templo. Mas Jesus bem a viu, e bem sabia que ela estava a dar esse poucochinho com enorme sacrif\u00edcio, com um extraordin\u00e1rio e exemplar sentido de responsabilidade na constru\u00e7\u00e3o do reino de Deus \u2013 portanto, com a honestidade e efici\u00eancia de quem joga a vida pelo bem de todos, sem hipocrisia e sem esperar reconhecimento p\u00fablico (que ser\u00e1 sempre bem-vindo e estimulante, se honesto). <\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Jesus Cristo s\u00f3 foi reconhecido muito tempo depois da morte (convenhamos que n\u00e3o \u00e9 grande consola\u00e7\u00e3o! Mas sempre ajuda\u2026). D\u00e1 muita for\u00e7a pensar que as nossas ac\u00e7\u00f5es, por muito pequeninas que pare\u00e7am, constituem uma pedra s\u00f3lida (quem sabe se aquela pedrita que fazia mesmo falta) no grande projecto da humanidade \u2013 e que um dia a justi\u00e7a dar\u00e1 o devido valor a tudo o que parece escondido e a todo o bem feito sem exigir \u00abdireitos de autor\u00bb (Mateus 6, 1-8). <\/p>\n<p>Como tamb\u00e9m d\u00e1 for\u00e7a a m\u00e1xima que ainda se ouve a quem sabe olhar perto e longe: \u00abtemos que deixar o mundo melhor do que o encontr\u00e1mos\u00bb.<\/p>\n<p>Ao dar exemplo do que \u00e9 dignificar a morte \u2013 acto doloroso e solene que p\u00f5e \u00e0 prova a f\u00e9, a esperan\u00e7a e o sentido da vida \u2013 e do que pode significar \u00abamor mais forte do que a morte\u00bb, Jesus Cristo mostrou como morte e ressurrei\u00e7\u00e3o fazem parte da vida \u2013 essa \u00abcoisa\u00bb misteriosa que acaba por se libertar da opress\u00e3o de horizontes tristes, alcan\u00e7ando um \u00abambiente\u00bb onde verdadeiramente somos o que desejamos ser. <\/p>\n<p>Se promovermos a sabedoria de \u00abjogar a vida\u00bb, podemos gerar filhos corajosos, libertos da vaidade (ou \u00abvanidade\u00bb, do mesmo radical indo-europeu subjacente a termos como v\u00e3o, vazio, vago, evanescer\u2026). Com Jesus Cristo, somos observadores das vaidades humanas, sem medo de as identificar e de as procurar corrigir; mas igualmente, e sobretudo, somos observadores da autenticidade e f\u00e9 humanas, capazes do sacrif\u00edcio oportuno para accionar honestamente a causa da justi\u00e7a. No mais profundo sentido, esta \u00faltima paisagem \u00e9 deveras revigorante.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu* * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-4150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}