{"id":4182,"date":"2009-11-04T12:08:00","date_gmt":"2009-11-04T12:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4182"},"modified":"2009-11-04T12:08:00","modified_gmt":"2009-11-04T12:08:00","slug":"um-mundo-sempre-igual-cada-dia-mais-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-mundo-sempre-igual-cada-dia-mais-diferente\/","title":{"rendered":"Um mundo sempre igual, cada dia mais diferente"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para muita gente, mesmo da Igreja, perceber que o mundo \u00e9 sempre igual, porque povoado de pessoas com a sua dignidade, direitos, deveres, aspira\u00e7\u00f5es e problemas. Mas \u00e9, tamb\u00e9m, um mundo cada dia diferente, dadas as mudan\u00e7as culturais que se est\u00e3o verificando que influem nos comportamentos e no rumo de muitas vidas, com as aquisi\u00e7\u00f5es sociais e tecnol\u00f3gicas que se v\u00e3o operando e generalizando, com a globaliza\u00e7\u00e3o que a todos nos aproxima mais, sem que por isso nos torne mais amigos e fraternos. Mais possibilidades e mais desencontros; mais gestos de ajuda e mais ego\u00edsmos; mais conhecimentos e mais arrog\u00e2ncia; mais ricos e mais pobres\u2026 Mundo complexo e cheio de contradi\u00e7\u00f5es, mundo rico de oportunidades e cheio de gente sem vez. Mundo que conquistou a sua autonomia e o seu espa\u00e7o de leg\u00edtima liberdade, mas que multiplica os oprimidos, os exclu\u00eddos e os escravos.<\/p>\n<p>A Igreja existe e coexiste neste mundo com uma miss\u00e3o pr\u00f3pria em favor de todos, reconhecida por uns e n\u00e3o por outros que se declaram alheios a qualquer express\u00e3o religiosa. Existir e coexistir \u00e9 express\u00e3o da for\u00e7a que a mant\u00e9m acordada e activa, e tanto a poder\u00e1 levar a um apre\u00e7o crescente, como a persegui\u00e7\u00f5es claras ou encobertas. Foi sempre assim e, mesmo que a hist\u00f3ria n\u00e3o se repita, as pessoas marcam, em cada tempo, rumos semelhantes ou mesmo iguais aos de tempos idos, sempre que o seu mundo valores se assemelha.<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica mais generalizada e observ\u00e1vel \u00e9 que a sociedade se secularizou, as suas op\u00e7\u00f5es e projectos dei-xaram de ser influenciados por for\u00e7as e raz\u00f5es morais, o econ\u00f3mico sobrep\u00f4s-se ao humano, o pol\u00edtico reduziu-se a interesses de grupos, as divis\u00f5es agravaram-se e o di\u00e1logo de coopera\u00e7\u00e3o tornou-se cada dia mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A seculariza\u00e7\u00e3o, entendida como conquista  da autonomia pr\u00f3pria das realidades profanas e modo de as conduzir, \u00e9 uma conquista leg\u00edtima da cultura moderna. \u00c9 tamb\u00e9m uma afirma\u00e7\u00e3o normal de que homem \u00e9, de pleno direito, cidad\u00e3o do mundo e protagonista da sua hist\u00f3ria. Pela sua participa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e activa na sociedade, est\u00e1 ligada a si e dependente das suas ac\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es, a hist\u00f3ria dos seus contempor\u00e2neos e, de algum modo, dos seus vindouros, dado que o presente subsiste em grande parte no passado, e n\u00e3o lhe s\u00e3o indiferentes aos projectos do futuro.<\/p>\n<p>Viver e actuar numa sociedade \u00e0 qual se deve respeitar a autonomia, n\u00e3o se pode fazer pela negativa, refugiando, por exemplo, a express\u00e3o religiosa na \u00e1rea do privado, fazendo ju\u00edzos cr\u00edticos sobre o declinar do religioso, aceitar de modo passivo a dessacraliza\u00e7\u00e3o da sociedade e o que se exprime como simplesmente humano, considerado o normal de uma sociedade moderna.<\/p>\n<p>A Igreja tem de reinventar a sua presen\u00e7a, sem complexos de culpa no processo, nem ju\u00edzos de um triunfalismo que aguarda a derrocada para fazer a festa da vit\u00f3ria. O projecto a Igreja \u00e9 o servi\u00e7o \u00e0 sociedade e \u00e0s pessoas, como fermento, como sal e como luz, traduzido em propostas s\u00e9rias e vi\u00e1veis, de livre aceita\u00e7\u00e3o e generoso seguimento. A hist\u00f3ria j\u00e1 lhe ensinou que o seu \u00eaxito n\u00e3o se mede por crit\u00e9rios profanos, que a luz n\u00e3o se pode colocar debaixo do alqueire, que o fermento s\u00f3 d\u00e1 for\u00e7a \u00e0 massa em contacto com ela, e que o sal que n\u00e3o cai sobre os alimentos, os deixar\u00e1 sempre sem sabor.<\/p>\n<p>A Igreja, fiel ao Evangelho mais que qualquer for\u00e7a social, tem capacidade para se regenerar, para abrir e andar por caminhos novos. <\/p>\n<p>Ser\u00e1 que s\u00f3 os seus detractores sabem que essa \u00e9 a sua for\u00e7a?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para muita gente, mesmo da Igreja, perceber que o mundo \u00e9 sempre igual, porque povoado de pessoas com a sua dignidade, direitos, deveres, aspira\u00e7\u00f5es e problemas. 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