{"id":4184,"date":"2009-11-18T10:14:00","date_gmt":"2009-11-18T10:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4184"},"modified":"2009-11-18T10:14:00","modified_gmt":"2009-11-18T10:14:00","slug":"que-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/que-liberdade\/","title":{"rendered":"Que liberdade?"},"content":{"rendered":"<p>O exemplo vem da Igreja Ortodoxa. \u201cO primaz da Igreja ortodoxa grega, Ieronymos II, declarou-se disposto a convocar um S\u00ednodo extraordin\u00e1rio para desenhar um plano de ac\u00e7\u00e3o contra a recente senten\u00e7a do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que veta o crucifixo nas escolas\u201d.<\/p>\n<p>E tem raz\u00e3o na sua argumenta\u00e7\u00e3o. Se as minorias t\u00eam direitos, por que n\u00e3o as maiorias? De facto, a liberdade de cada um n\u00e3o acaba onde come\u00e7a a liberdade do outro; antes, cresce quando faz crescer a liberdade do outro. A toler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 o suportar sofrido e passivo da diversidade do outro. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, o acolhimento positivo da liberdade do outro, integrando as diferen\u00e7as num m\u00fatuo enriquecimento.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 subjacente a tudo isto &#8211; e temo-lo dito insistentemente &#8211; \u00e9 um projecto civilizacional que se prop\u00f5e substituir um conceito de liberdade como \u201cum meio para se poder atingir a excel\u00eancia e a felicidade humanas\u201d, pelo esfor\u00e7o da intelig\u00eancia e da vontade, por um outro conceito de liberdade, a \u201cliberdade de ser indiferente\u201d, fruto de uma nominalista vis\u00e3o atomizada do ser humano e da sociedade.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, nessa vis\u00e3o, o bem comum, como um compromisso interpessoal, como uma teia de rela\u00e7\u00f5es que nos implicam uns com os outros, n\u00e3o existe. A ilus\u00e3o do bem comum ser\u00e1 apenas a regula\u00e7\u00e3o das fric\u00e7\u00f5es entre pessoas e grupos, como protec\u00e7\u00e3o ao \u201cprojecto de autonomia\u201d, traduzido, segundo Nietzsche, numa rela\u00e7\u00e3o com os outros apenas de poder.<\/p>\n<p>Neste sentido, podemos concluir com G. Weigel: \u201cSe a teimosia \u00e9 tudo e a liberdade \u00e9 simplesmente a \u2018nossa\u2019 pr\u00f3pria reivindica\u00e7\u00e3o (uma reivindica\u00e7\u00e3o protegida pela lei desde que \u2018n\u00e3o prejudique ningu\u00e9m\u2019), ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil, se n\u00e3o for imposs\u00edvel, perceber por que raz\u00e3o essa liberdade tem qualquer valor, para al\u00e9m da express\u00e3o da nossa vontade. E este parece-nos um alicerce muito frouxo para construir uma civiliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica capaz de se suster internamente e perante os seus inimigos\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, estamos \u00e0 beira de uma ditadura? N\u00e3o! J\u00e1 estamos sob a sua press\u00e3o esmagadora! Se deixamos que o machado corte a raiz ao pensamento, que a anomia debilite a vontade!\u2026 Quem espevita a luz que vive no pensamento?&#8230; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O exemplo vem da Igreja Ortodoxa. \u201cO primaz da Igreja ortodoxa grega, Ieronymos II, declarou-se disposto a convocar um S\u00ednodo extraordin\u00e1rio para desenhar um plano de ac\u00e7\u00e3o contra a recente senten\u00e7a do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que veta o crucifixo nas escolas\u201d. E tem raz\u00e3o na sua argumenta\u00e7\u00e3o. Se as minorias t\u00eam direitos, por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-4184","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4184"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4184\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}