{"id":4247,"date":"2009-11-18T11:23:00","date_gmt":"2009-11-18T11:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4247"},"modified":"2009-11-18T11:23:00","modified_gmt":"2009-11-18T11:23:00","slug":"a-construcao-do-bem-comum-responsabilidade-da-pessoa-da-igreja-e-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-construcao-do-bem-comum-responsabilidade-da-pessoa-da-igreja-e-do-estado\/","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o do bem comum, responsabilidade da Pessoa, da Igreja e do Estado"},"content":{"rendered":"<p>Excertos de textos sobre as tem\u00e1ticas que v\u00e3o ser abordadas na Semana Social, no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, nos dias 20, 21 e 22 de Novembro. A vers\u00e3o integral dos textos encontra-se em www.agenciaecclesia.pt<\/p>\n<p>Sem deveres pessoais n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel <\/p>\n<p>construir a cidade<\/p>\n<p>O dia-a-dia da maior parte das pessoas \u00e9 uma sucess\u00e3o de tarefas individuais, no emprego ou na fam\u00edlia (fam\u00edlias estas, tamb\u00e9m cada vez mais reduzidas e mais fechadas sobre si mesmas), para al\u00e9m das quais procuram pequenos momentos de satisfa\u00e7\u00e3o pessoal atrav\u00e9s da ida ao gin\u00e1sio, da aula de yoga \u2013 actividades necess\u00e1rias para a \u201csanidade mental\u201d. E o tempo para estar com os outros \u00e9 sempre reduzido, e a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica a n\u00edvel associativo torna-se a \u00faltima prioridade.<\/p>\n<p>O Homem, cuja natureza necessita da rela\u00e7\u00e3o com os outros, pretende crescer actualmente sem que essa rela\u00e7\u00e3o o afecte, julga poder desenvolver a sua identidade na escuta somente de si mesmo e n\u00e3o dos outros e da colectividade. E assim, como uma planta que precisa de sol e se encontra a crescer \u00e0 sombra, vai mirrando, definhando gradualmente.<\/p>\n<p>O Bem Comum \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da polis de Arist\u00f3teles, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa no todo que lhe d\u00e1 sentido.<\/p>\n<p>A sociedade de hoje espera talvez que uma \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d construa o puzzle, a partir de pe\u00e7as que, convictamente aut\u00f3nomas e independentes, pretendem antes de mais realizar-se individualmente. Torna-se provavelmente um objectivo irrealiz\u00e1vel \u00e0 partida: se cada um considera ter deveres s\u00f3 para consigo mesmo, e ter in\u00fameros direitos perante a colectividade, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel construir a cidade.<\/p>\n<p>Joana Rigato, Vice-presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n<p>Dever eclesial de consciencializar<\/p>\n<p>Se a Igreja poderia viver sem ser em prol da constru\u00e7\u00e3o do Bem Comum? Provavelmente podia, mas n\u00e3o seria a mesma coisa; n\u00e3o seria Igreja organiza\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do Homem imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Por isso, sim, \u00e9 responsabilidade da Igreja agir no sentido de consciencializar estruturas e pessoas para a necessidade e responsabilidade de todos e de cada na cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que o desenvolvimento de cada pessoa seja pleno porque divino.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que a Igreja tem assumido de m\u00faltiplas formas esta sua responsabilidade que lhe \u00e9 intr\u00ednseca, quer atrav\u00e9s do pensamento que produz (a t\u00edtulo de exemplo vejam-se as interpela\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas nas duas \u00faltimas enc\u00edclicas e as implica\u00e7\u00f5es que delas podem surgir se levadas \u00e0 pr\u00e1tica), quer da sua ac\u00e7\u00e3o concretizada nas formas mais espont\u00e2neas \u00e0s mais organizadas. No entanto, nunca ser\u00e1 demais lembrar que a Igreja somos n\u00f3s e como tal, a responsabilidade na Constru\u00e7\u00e3o do Bem Comum, \u00e9 bem concreta porque se enquanto homens e mulheres \u201cfomos criados como plenitude e sentido da cria\u00e7\u00e3o\u201d por outro lado todos estamos chamados a ser \u201cco-criadores desta obra que \u00e9 de todos\u201d.<\/p>\n<p>Henrique Joaquim, Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/p>\n<p>Basta o bom desempenho<\/p>\n<p>do Estado?<\/p>\n<p>No s\u00e9c. XIX, poucos esperavam que o Estado, que havia sido t\u00e3o adverso para os mais pobres, pudesse ser seu \u201camigo\u201d. Em 1870, os estados europeus j\u00e1 absorviam 11 por cento do PIB (hoje, a sua despesa p\u00fablica ascende a cerca de 50 por cento do PIB). O alargamento do papel do Estado foi de tal ordem que, em 1890, o pol\u00edtico ingl\u00eas liberal Sir William Harcourt escrevia: \u00abSomos todos socialistas agora.\u00bb<\/p>\n<p>O advento da democracia e do Estado-provid\u00eancia parecia estar a concretizar o sonho de muitos vision\u00e1rios e revolucion\u00e1rios do passado: o de um final perfeito, de uma ordem est\u00e1vel benigna, uma utopia, onde a hist\u00f3ria chegaria ao fim e o ser humano regressaria a um estado primordial sem invejas nem divis\u00f5es. A este prop\u00f3sito, Mark Twain haveria de escrever, mais tarde, que \u00aba hist\u00f3ria n\u00e3o se repete mas rima\u00bb, condenando ao fracasso este tipo de expectativas ut\u00f3picas.<\/p>\n<p>A legitima\u00e7\u00e3o moral que os estados se atribuem, desde os prim\u00f3rdios, nas diferentes civiliza\u00e7\u00f5es, deve ser a bitola pela qual s\u00e3o julgados. Assim, para se avaliar um governo \u00e9 necess\u00e1rio perceber qu\u00e3o bem promove a justi\u00e7a, a protec\u00e7\u00e3o (da guerra, do crime, das amea\u00e7as ecol\u00f3gicas) e o bem-estar dos seus cidad\u00e3os (medido em felicidade, rendimento ou sa\u00fade) \u2013 tendo em considera\u00e7\u00e3o as circunst\u00e2ncias que herdou e o desempenho de outros governos em circunst\u00e2ncias semelhantes \u2013, bem como se aumentou ou diminuiu o capital (financeiro, humano, social e natural) herdado.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o basta. Para que as sociedades sejam bem governadas, n\u00e3o \u00e9 suficiente assegurar a democracia e um bom desempenho do Estado. H\u00e1 outros aspectos determinantes, nomeadamente a \u00e9tica e o contributo da sociedade civil.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Wengorovius Meneses, Director da TESE<\/p>\n<p>Seis edi\u00e7\u00f5es para transmitir a vis\u00e3o crist\u00e3 das quest\u00f5es sociais<\/p>\n<p>As semanas sociais nacionais iniciaram-se na d\u00e9cada de 1940. Foram abandonadas na d\u00e9cada seguinte e retomadas em 1991. Na nova s\u00e9rie, as primeiras quatro foram da responsabilidade da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia. Desde 2006 s\u00e3o da responsabilidade da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral da Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>I Semana Social<\/p>\n<p>Exig\u00eancias Actuais do Desenvolvimento Solid\u00e1rio<\/p>\n<p>1991 \u2013 Lisboa<\/p>\n<p>II Semana Social<\/p>\n<p>Fam\u00edlia e Solidariedade<\/p>\n<p>1994 \u2013 Coimbra<\/p>\n<p>III Semana Social<\/p>\n<p>Economia Social e Desenvolvimento Humano<\/p>\n<p>1997 \u2013 \u00c9vora<\/p>\n<p>IV Semana Social<\/p>\n<p>Cidadania Pessoal, Responsabilidade Colectiva<\/p>\n<p>2001 \u2013 Marinha Grande (Leiria)<\/p>\n<p>V Semana Social<\/p>\n<p>Uma Sociedade Criadora<\/p>\n<p>de Emprego<\/p>\n<p>2006 \u2013 Braga<\/p>\n<p>VI Semana Social<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do bem comum. Responsabilidade da Pessoa, da Igreja e do Estado<\/p>\n<p>2009 \u2013 Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excertos de textos sobre as tem\u00e1ticas que v\u00e3o ser abordadas na Semana Social, no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, nos dias 20, 21 e 22 de Novembro. 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