{"id":4284,"date":"2009-11-18T12:04:00","date_gmt":"2009-11-18T12:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4284"},"modified":"2009-11-18T12:04:00","modified_gmt":"2009-11-18T12:04:00","slug":"o-pe-no-chao-e-o-coracao-na-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-pe-no-chao-e-o-coracao-na-vida\/","title":{"rendered":"O p\u00e9 no ch\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o na vida"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO mundo moderno \u00e9 o nosso mundo. Porque \u00e9 nosso e porque tem muito de bom e o queremos ainda melhor, devemos am\u00e1-lo, olh\u00e1-lo com simpatia, alegrar-nos com os seus bens e valores, purific\u00e1-lo dos seus erros e males. N\u00e3o basta um conhecimento superficial. \u00c9 preciso estud\u00e1-lo por dentro, aprofundar os seus problemas, descobrir pistas de solu\u00e7\u00e3o, ganhar for\u00e7as para as percorrer\u201d.<\/p>\n<p>Estas palavras dos bispos portugueses, foram proferidas em 1991, por ocasi\u00e3o do Ano da Doutrina Social da Igreja, numa mensagem ao Povo de Deus. Recordo-as agora ao terem-se celebrado, h\u00e1 poucos dias, os 75 anos da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, e por estarmos em v\u00e9speras da VI Semana Social nacional, a realizar em Aveiro, sobre a \u201cConstru\u00e7\u00e3o do Bem Comum\u201d, uma responsabilidade que diz respeito a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Um e outro acontecimento lembram o dever di\u00e1rio de olhar o mundo com olhos de amor e de reden\u00e7\u00e3o, esse mundo em que muitos milhares de leigos crist\u00e3os investiram e continuam a investir o seu tempo e energias, traduzindo, desse modo, o seu compromisso de f\u00e9, a sua solidariedade fraterna e o seu dever social.<\/p>\n<p>\u00c9 preocupante o facto de se ver muita gente ficar em p\u00e2nico ao olhar os males que existem e se alastram, deixando de prestar aten\u00e7\u00e3o e manifestar gratid\u00e3o por tantas coisas boas e pelo empenhamento de quantos assumem, de modo consciente, a sua voca\u00e7\u00e3o de dupla cidadania, na Igreja e no mundo. Um crist\u00e3o nunca pode ser um pessimista, um vencido, tal como o n\u00e3o pode ser qualquer cidad\u00e3o consciente. <\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a sociedade est\u00e1 minada pela mentira, a corrup\u00e7\u00e3o, as riquezas d\u00fabias, as infidelidades de toda a ordem, o menosprezo lament\u00e1vel por valores fundamentais, como a vida e a fam\u00edlia. \u00c9 verdade que, na grande pol\u00edtica, o bem comum foi abafado pelos interesses individuais e de grupos. \u00c9 verdade que existe uma crise de modelos e de refer\u00eancias morais e muita gente parece ter perdido o norte e o sentido da vida. \u00c9 verdade que valores sociais, assim ditos, se traduzem, hoje, por coisas que nada valem ou s\u00e3o veneno corrosivo. \u00c9 verdade que n\u00e3o faltam meios p\u00fablicos para suportar campanhas destrutivas e suspeitas, mas s\u00e3o cada vez mais escassos os meios necess\u00e1rios para investir em favor dos que mais precisam e apoiar causas que promovem o bem e a verdade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, que olhar apenas as desgra\u00e7as que a\u00ed abundam, ficar\u00e1, inevitavelmente, acorrentado ao medo que deprime e ao pessimismo de que nada vale a pena, porque j\u00e1 tudo est\u00e1 perdido. Assim, se fica tolhido para enfrentar, com lucidez, os problemas graves que afectam o pa\u00eds e incapaz de neles poder intervir validamente. O mais l\u00facido diagn\u00f3stico das desgra\u00e7as, por si n\u00e3o as soluciona nem as cura.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria mostra que existem, na sociedade, energias pessoais e naturais, mais numerosas e vivas do que se pode imaginar. \u00c9 preciso descobri-las, reconhec\u00ea-las, potenci\u00e1-las, uni-las, integr\u00e1-las e organiz\u00e1-las. Ora esta n\u00e3o \u00e9 obra de pessoas azedas, medrosas e, antecipadamente, vencidas.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita gente s\u00e9ria e honesta neste pa\u00eds que n\u00e3o se pode isolar, nem acomodar. A urg\u00eancia de uma mobiliza\u00e7\u00e3o, pac\u00edfica e operante, imp\u00f5e-se cada vez mais. O povo sensato e trabalhador tem sido anestesiado e baralhado pelo malabarismo de alguns pol\u00edticos pouco s\u00e9rios. Haja quem o acorde, o fa\u00e7a pensar, o confronte com a realidade, a mentira e as promessas v\u00e3s, o convoque e lhe d\u00ea consci\u00eancia dos seus direitos, deveres e capacidades. Graves omiss\u00f5es comete quem o pode fazer e n\u00e3o o faz.<\/p>\n<p>Amar o mundo concreto das pessoas para poder reconhecer e p\u00f4r em relevo os seus valores e o purificar dos seus erros e males, \u00e9 uma atitude pessoal e uma opera\u00e7\u00e3o alargada, que n\u00e3o se podem descurar. Assim, se ter\u00e1 o p\u00e9 no ch\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o na vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO mundo moderno \u00e9 o nosso mundo. Porque \u00e9 nosso e porque tem muito de bom e o queremos ainda melhor, devemos am\u00e1-lo, olh\u00e1-lo com simpatia, alegrar-nos com os seus bens e valores, purific\u00e1-lo dos seus erros e males. 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