{"id":4311,"date":"2009-11-11T11:23:00","date_gmt":"2009-11-11T11:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4311"},"modified":"2009-11-11T11:23:00","modified_gmt":"2009-11-11T11:23:00","slug":"igreja-uma-preocupacao-ou-um-gesto-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/igreja-uma-preocupacao-ou-um-gesto-de-esperanca\/","title":{"rendered":"Igreja, uma preocupa\u00e7\u00e3o ou um gesto de esperan\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 hoje frequente depararmos, em jornais e revistas, e at\u00e9 em grupos ou encontros mais alargados, com reflex\u00f5es sobre o presente e o futuro da Igreja, normalmente a partir de pessoas que conhecem a sua miss\u00e3o e se interrogam sobre a sua forma de estar e de agir numa sociedade que parece ter perdido o norte.<\/p>\n<p>De algum modo, n\u00e3o se trata tanto de reflectir sobre a natureza da Igreja, bem explicitada no Vaticano II, mas antes do di\u00e1logo indispens\u00e1vel que ela deve ter com o mundo actual, espa\u00e7o do Reino, e dada a miss\u00e3o humanizadora da mensagem crist\u00e3.<\/p>\n<p>A Igreja est\u00e1 consciente da seculariza\u00e7\u00e3o da sociedade, para ela um desafio e uma oportunidade, dado que se trata de uma aquisi\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, a da conquista da autonomia das realidades profanas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prem\u00eancia hist\u00f3rica do poder religioso. <\/p>\n<p>\u00c9 verdade que ainda h\u00e1 gente no seio da comunidade crist\u00e3, que continua a olhar o mundo de soslaio, saudosa dos an\u00e1temas de tempos idos, sobretudo quando se v\u00ea perante o negativismo de certas medidas sociais e o alastrar de um laicismo corrosivo e destruidor. Por\u00e9m, o caminho n\u00e3o ser\u00e1 mais o das condena\u00e7\u00f5es, mas sim o di\u00e1logo construtivo, que pode passar, se for caso, por formas de den\u00fancias fundamentadas.<\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o \u00e9 nem pode ser estranha a medidas pol\u00edticas e econ\u00f3micas que n\u00e3o respeitam a pessoa humana e a sua dignidade natural e passam ao lado das exig\u00eancias \u00e9ticas e morais. Aqui se p\u00f5e \u00e0 Igreja o problema de como andar, ao mesmo tempo, o caminho do an\u00fancio e da proposta, do di\u00e1logo e da den\u00fancia, da defesa e da interpela\u00e7\u00e3o, do respeito e da frontalidade. Certamente que n\u00e3o \u00e9 o de se intimidar ou de se refugiar no templo. Mas, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, por certo, o da arrog\u00e2ncia hist\u00f3rica ou da pretens\u00e3o de usufruir s\u00f3 ela a posse total da raz\u00e3o e do saber.<\/p>\n<p>O Povo de Deus n\u00e3o \u00e9 a hierarquia. Mas sem a hierarquia, poder sagrado traduzido em servi\u00e7o humilde e dispon\u00edvel a todos os membros do Povo de Deus, tamb\u00e9m n\u00e3o haver\u00e1 Igreja que se possa reclamar de m\u00e3e e mestra, de serva e pobre, de fermento social, vivo e activo. A Igreja tem assim de se esfor\u00e7ar por n\u00e3o ser, dentro de si mesma e com os de fora, que hoje s\u00e3o muitos, um espa\u00e7o de concorr\u00eancia, de lutas e incompatibilidades, quaisquer que sejam as raz\u00f5es. Antes, se deve assumir-se aquilo que \u00e9, ou seja, um \u201co\u00e1sis de liberdade\u201d, aquela liberdade com a qual todo o homem foi liberto por Cristo. <\/p>\n<p>Radica aqui a exig\u00eancia do respeito m\u00fatuo, do reconhecimento e promo\u00e7\u00e3o dos dons de cada um, da liberta\u00e7\u00e3o de preconceitos, da abertura \u00e0s iniciativas que n\u00e3o partiram dela, mas s\u00e3o a favor da verdade e da justi\u00e7a, da capacidade de colaborar com os que outrora foram vistos com indiferen\u00e7a, ou mesmo tidos por inimigos. <\/p>\n<p>Um cora\u00e7\u00e3o lavado como o de Jo\u00e3o XXIII, um humanismo evang\u00e9lico sadio como de Paulo VI, um sorriso r\u00e1pido, mas significativo e marcante, como o de Jo\u00e3o Paulo I, um zelo corajoso e sem fronteiras como o de Jo\u00e3o Paulo II, uma clarivid\u00eancia espantosa ante a hist\u00f3ria e o mundo da cultura como a de Bento XVI, s\u00e3o caminho aberto \u00e0 Igreja, com presente e com futuro.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o da Igreja, como institui\u00e7\u00e3o religiosa e a dos seus membros, n\u00e3o tem sido global e harm\u00f3nica. H\u00e1 sempre um peso que a liga ao passado e uma diversidade de oportunidades que n\u00e3o favorecem uma renova\u00e7\u00e3o imediata, nem uma convers\u00e3o f\u00e1cil da mentalidade, individual e colectiva. Torna-se necess\u00e1rio saber o que se \u00e9 e se quer e orientar a caminhada, ainda que a passo e passo, sempre e em tudo nesse sentido.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas \u00e0 Igreja, por parte da sociedade, denunciam o valor que se lhe reconhece e o que dela se espera. A Igreja tem de saber conviver, positivamente, com as preocupa\u00e7\u00f5es e com os gestos de esperan\u00e7a. Fazem parte da sua vida e da sua miss\u00e3o no mundo, o espa\u00e7o necess\u00e1rio para que ela exprime a sua vida e deixe o rasto de Cristo na hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 hoje frequente depararmos, em jornais e revistas, e at\u00e9 em grupos ou encontros mais alargados, com reflex\u00f5es sobre o presente e o futuro da Igreja, normalmente a partir de pessoas que conhecem a sua miss\u00e3o e se interrogam sobre a sua forma de estar e de agir numa sociedade que parece ter perdido o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4311","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4311"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4311\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}