{"id":4325,"date":"2009-11-25T09:26:00","date_gmt":"2009-11-25T09:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4325"},"modified":"2009-11-25T09:26:00","modified_gmt":"2009-11-25T09:26:00","slug":"confraria-preserva-epopeia-bacalhoeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/confraria-preserva-epopeia-bacalhoeira\/","title":{"rendered":"Confraria preserva epopeia bacalhoeira"},"content":{"rendered":"<p>A Confraria Gastron\u00f3mica do Bacalhau, fundada em 1999, est\u00e1 sedeada em \u00cdlhavo. Nestas tr\u00eas pequenas entrevistas, <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Reigota, fundador e gr\u00e3o-mestre durante uma d\u00e9cada, Jo\u00e3o Madalena Oliveira, actual gr\u00e3o-mestre, <\/p>\n<p>e Jorge Pinh\u00e3o, o cozinheiro \u201cguardi\u00e3o das ementas\u201d, falam-nos  desta organiza\u00e7\u00e3o e do seu trabalho de \u00e2mbito gastron\u00f3mico e cultural que j\u00e1 leva uma d\u00e9cada. Entrevistas conduzidas por Cardoso Ferreira.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 aceitamos confrades efectivos da regi\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>CV &#8211; Durante uma d\u00e9cada foi gr\u00e3o-mestre da Confraria do Bacalhau. O que o levou a fundar a confraria?<\/p>\n<p>JO\u00c3O REIGOTA &#8211; Desde a funda\u00e7\u00e3o, em 1999, at\u00e9 ao presente ano, fui gr\u00e3o-mestre da Confraria. Este ano houve elei\u00e7\u00f5es, e como j\u00e1 estava cansado, decidimos nomear um gr\u00e3o-mestre mais novo. Foram v\u00e1rios os factores que motivaram a funda\u00e7\u00e3o da confraria. Estamos numa terra que \u00e9 a capital do bacalhau. Adoptamos o nome de Confraria Gastron\u00f3mica do Bacalhau para activar e desenvolver mais a confec\u00e7\u00e3o de produtos relacionados com o bacalhau. A confraria come\u00e7ou a dar os primeiros passos em 1995, mas s\u00f3 em 1999 foi oficializada, com estatutos e escritura.<\/p>\n<p>Nesse tempo, era um grupo de amigos que se juntava para comer bacalhau?<\/p>\n<p>Sim. Junt\u00e1vamo-nos quase sempre em minha casa ou em casa de pessoas amigas para comermos bacalhau.<\/p>\n<p>A confraria est\u00e1 aberta a confrades de todo o pa\u00eds?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Como confrades efectivos, s\u00f3 da regi\u00e3o. No meu mandato, limitei o n\u00famero de confrades efectivos a 25, n\u00famero que considerava o mais indicado. Como confrades de honra, temos de v\u00e1rios pontos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O que \u00e9 necess\u00e1rio para ser confrade?<\/p>\n<p>Gostar de bacalhau e dos seus derivados.<\/p>\n<p>Ao longo destes dez anos, entronizaram v\u00e1rios confrades de honra?<\/p>\n<p>Sim. De todo o pa\u00eds, de norte a sul. Neste momento, temos cerca de 30 confrades efectivos e mais de 25 confrades de honra. <\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitos pratos de bacalhau <\/p>\n<p>que as pessoas n\u00e3o conhecem\u201d<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Como \u201ccozinheiro oficial\u201d da Confraria do Bacalhau, j\u00e1 criou alguma ementa pr\u00f3pria para a Confraria?<\/p>\n<p>JORGE PINH\u00c3O &#8211; Cri\u00e1mos o \u201cBacalhau \u00e0 Estrela\u201d propositadamente para apresentarmos em Almeida, quando a Confraria l\u00e1 foi. Temos criado outros pratos, mas que ainda n\u00e3o est\u00e3o \u201coficializados\u201d, pelo que esse \u00e9 o \u00fanico de que falamos.<\/p>\n<p>A par dos novos pratos, tem vindo a recuperar ementas tradicionais e que incluem ingredientes j\u00e1 em desuso, como samos, caras, espinhas e outros.<\/p>\n<p>N\u00f3s tentamos fazer isso tudo. Por exemplo, fazemos os samos como eram confeccionados antigamente. O mesmo acontece com as carinhas. A chora, que agora j\u00e1 muita gente nem sabe o que \u00e9\u2026<\/p>\n<p>E \u00e9 o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Sopa com a cabe\u00e7a fresca de bacalhau.<\/p>\n<p>A Confraria tamb\u00e9m recuperou as pataniscas de baca-lhau, que a pr\u00f3pria C\u00e2mara Municipal de \u00cdlhavo adoptou como \u201cpatanisca de honra\u201d para os seus eventos.<\/p>\n<p>Acho que a C\u00e2mara fez muito bem, porque \u00e9 uma das coisas mais conhecidas do bacalhau. Toda a gente sabe o que \u00e9 a patanisca de bacalhau, mesmo que n\u00e3o a saibam fazer. Foi muito correcto e oportuno o presidente Ribau Esteves ter feito a \u201cpatanisca de honra\u201d.<\/p>\n<p>A par disso, juntou ingredientes pouco comuns em alguns pratos, como feij\u00f5es e samos\u2026<\/p>\n<p>A feijoada de samos \u00e9 muito boa. N\u00f3s temos muitos pratos que a maioria das pessoas n\u00e3o conhece. Lan\u00e7\u00e1mos a caldeirada de espinhas, os samos com batatinha e massa cotovelo (guisado). Se calhar, quando falamos de espinhas de bacalhau, as pessoas pensam naquelas espinhazitas, mas as espinhas de bacalhau de que falo s\u00e3o retiradas quando se escala o bacalhau, pelo que n\u00e3o vem no bacalhau seco que se compra. \u00c9 nessa espinha que vem o samo. <\/p>\n<p>Todas essas receitas provam que \u00e9 verdadeira a afirma\u00e7\u00e3o \u201ch\u00e1 mil e uma maneiras de confeccionar bacalhau\u201d.<\/p>\n<p>Eu diria que h\u00e1 mil e duas maneiras.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos esquecer os homens que andaram na pesca do bacalhau\u201d<\/p>\n<p>CV &#8211; A Confraria Gastron\u00f3mica do Bacalhau apresentou recentemente o seu site institucional. O objectivo \u00e9 divulgar a confraria a n\u00edvel nacional?<\/p>\n<p>JO\u00c3O M. MADALENA OLIVEIRA &#8211; N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso porque, felizmente, a confraria j\u00e1 \u00e9 conhecida a n\u00edvel nacional. Julgo que hoje quem n\u00e3o tiver um e-mail ou um \u201csite\u201d na Internet n\u00e3o \u00e9 conhecido, porque a Internet \u00e9 o meio de informa\u00e7\u00e3o mais eficaz da actualidade. Era um sonho a Confraria ter um espa\u00e7o na Internet, um espa\u00e7o onde pud\u00e9ssemos divulgar toda esta aventura do bacalhau, a Faina Maior.<\/p>\n<p>A Confraria tenta criar novas receitas que revitalizem o consumo do bacalhau e dos seus derivados?<\/p>\n<p>Sim, apesar de j\u00e1 haver mil e uma maneira de confeccionar bacalhau. Al\u00e9m de divulgarmos todas estas receitas de bacalhau que n\u00f3s fomos apanhando por a\u00ed, a nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m n\u00e3o deixar esquecer toda a epopeia que os homens passaram na pesca do bacalhau. Foi um per\u00edodo em que toda a sociedade ilhavense foi influenciada pela partida dos homens para o mar. Por isso, dizia-se que a sociedade ilhavense era matriarcal, porque as mulheres \u00e9 que estavam sempre c\u00e1. Como hoje j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 a pesca do bacalhau como antigamente, essa epopeia fica no esquecimento. Felizmente, h\u00e1 o Museu Mar\u00edtimo de \u00cdlhavo para n\u00e3o deixar as pessoas esquecer essa epopeia da Faina Maior, h\u00e1 a Confraria Gastron\u00f3mica do Bacalhau, que tamb\u00e9m pretende manter vivas essas mem\u00f3rias. Ao mesmo tempo, queremos transmitir os conhecimentos que andam \u00e0 volta da confec\u00e7\u00e3o do bacalhau, como conselhos pr\u00e1ticos, receitas e outras informa\u00e7\u00f5es. Com o \u201csite\u201d, temos um meio \u00fatil de divulgar tudo isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, em Aveiro, foi apresentado um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, luso-dinamarquesa, que revelou que cerca de 50% do peixe consumido em Portugal \u00e9 bacalhau. Isso significa que a confraria representa um p\u00fablico muito abrangente.<\/p>\n<p>Sob esse prisma, \u00e9 uma grande honra para n\u00f3s. Eu estive a ver o artigo dessa investigadora, no qual ela diz coisas muito interessantes, at\u00e9 mesmo sobre o amor que a popula\u00e7\u00e3o portuguesa tem ao bacalhau e, por isso mesmo, temos a designa\u00e7\u00e3o de \u201cfiel amigo\u201d. <\/p>\n<p>Projectos futuros para a confraria?<\/p>\n<p>Temos muitos projectos. O mais importante e que nos est\u00e1 a mobilizar no momento \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da sede. Fizemos o protocolo com a C\u00e2mara Municipal de \u00cdlhavo e a Banda dos Bombeiros Volunt\u00e1rios de \u00cdlhavo para utilizarmos uma casa no centro hist\u00f3rico da cidade de \u00cdlhavo, casa que acolhia as instala\u00e7\u00f5es da Banda. N\u00f3s vamos recuperar aquela sede e fazer um espa\u00e7o digno para recebermos todas as pessoas e, a\u00ed mesmo, ensinarmos-lhes a apreciar o bacalhau e a conhecerem melhor toda a hist\u00f3ria do bacalhau. Temos o Museu Mar\u00edtimo de \u00cdlhavo, temos o seu prolongamento que \u00e9 o Navio Museu Santo Andr\u00e9 e, dentro de dias, teremos a sede da Confraria Gastron\u00f3mica do Bacalhau. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Confraria Gastron\u00f3mica do Bacalhau, fundada em 1999, est\u00e1 sedeada em \u00cdlhavo. Nestas tr\u00eas pequenas entrevistas, Jo\u00e3o Reigota, fundador e gr\u00e3o-mestre durante uma d\u00e9cada, Jo\u00e3o Madalena Oliveira, actual gr\u00e3o-mestre, e Jorge Pinh\u00e3o, o cozinheiro \u201cguardi\u00e3o das ementas\u201d, falam-nos desta organiza\u00e7\u00e3o e do seu trabalho de \u00e2mbito gastron\u00f3mico e cultural que j\u00e1 leva uma d\u00e9cada. 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