{"id":4332,"date":"2009-11-18T11:58:00","date_gmt":"2009-11-18T11:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4332"},"modified":"2009-11-18T11:58:00","modified_gmt":"2009-11-18T11:58:00","slug":"programa-estimulante-e-preocupante-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/programa-estimulante-e-preocupante-2\/","title":{"rendered":"Programa estimulante e preocupante (2)"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Os motivos de preocupa\u00e7\u00e3o no Programa do Governo, na perspectiva da ac\u00e7\u00e3o social, podem resumir-se em tr\u00eas palavras: mercantiliza\u00e7\u00e3o do Estado. Esses motivos n\u00e3o se limitam ao Programa, dado j\u00e1 v\u00eam de longe e se observam em todos os quadrantes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>O Estado mercantiliza-se porque se apresenta como fornecedor de servi\u00e7os, a troco do respectivo pagamento traduzido em contribui\u00e7\u00f5es e impostos. Mercantiliza-se, ainda mais, porque se apresenta como fornecedor monopolista desses bens, e porque a generalidade das for\u00e7as sociopol\u00edticas o pressiona para que forne\u00e7a cada vez mais e de melhor qualidade. Mercantiliza-se porque beneficia mais quem obt\u00e9m acesso a determinados servi\u00e7os e equipamentos, votando ao abandono, tal como o mercado, in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia; assim como o mercado abandona a popula\u00e7\u00e3o insolvente, o Estado abandona a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00abacedente\u00bb.<\/p>\n<p>Algumas pr\u00e1ticas s\u00e3o mais gravemente preocupantes. Entre elas figuram: o menosprezo da ac\u00e7\u00e3o de base familiar e local; a insensibilidade perante insuficientes graus de cobertura de v\u00e1rias \u00abrespostas\u00bb sociais; e o culto sect\u00e1rio da qualidade. O Programa do Governo, tal como a generalidade das propostas partid\u00e1rias, \u00abignora\u00bb: a luta pessoal e familiar pela subsist\u00eancia, a entreajuda familiar e local, a economia informal, a forma\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m informais&#8230; As institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social s\u00e3o equiparadas, numa larga medida, a prolongamentos do Estado, como se n\u00e3o possu\u00edssem hist\u00f3rias, identidades e autonomias  pr\u00f3prias, independentemente da exist\u00eancia do Estado. E este, incapaz de abranger a totalidade das situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia, dedica-se totalitariamente a exig\u00eancias de qualidade.  Evidentemente, toda a gente reconhece que a qualidade \u00e9 indispens\u00e1vel, mas toda a gente sensata sabe  que: (a) &#8211; a qualidade se obt\u00e9m gradualmente, conjugando objectivos e recursos; (b) &#8211; ela implica a coopera\u00e7\u00e3o estreita entre os dirigentes das instiui\u00e7\u00f5es, os trabalhdores, os utentes, a popula\u00e7\u00e3o envolvente e a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica; (c) &#8211; n\u00e3o se podem utilizar pruridos de qualidade, em preju\u00edzo da quantidade dos  utentes a abranger; (d) &#8211; n\u00e3o se podem abandonar os largos milhares de situa\u00e7\u00f5es familiares desprovidas de qualquer hip\u00f3tese de qualidade m\u00ednima. Corremos o risco extremo de desvio para a pr\u00e1tica de exterm\u00ednio, enquanto n\u00e3o nos convencermos de que a qualidade b\u00e1sica, e por excel\u00eancia, est\u00e1 no facto de cada pessoa, sem nenhuma exclus\u00e3o, ser quem \u00e9, e ser assumida como tal; quer se encontre em sua casa, na casa de outrem, numa institui\u00e7\u00e3o ou em qualquer outro local. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4332","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4332\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}