{"id":4351,"date":"2009-11-25T10:06:00","date_gmt":"2009-11-25T10:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4351"},"modified":"2009-11-25T10:06:00","modified_gmt":"2009-11-25T10:06:00","slug":"e-tempo-de-acordar-para-a-luta-e-promocao-do-bem-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-tempo-de-acordar-para-a-luta-e-promocao-do-bem-comum\/","title":{"rendered":"\u00c9 tempo de acordar para a luta e promo\u00e7\u00e3o do Bem Comum"},"content":{"rendered":"<p>Dar em duas p\u00e1ginas de jornal uma imagem fiel de um encontro que durou tr\u00eas dias, incluiu cinco grandes comunica\u00e7\u00f5es mais seis em grupos menores, tr\u00eas comunica\u00e7\u00f5es de bispos (incluindo a homilia da Eucaristia que encerrou a semana social) e cerca de 60 quest\u00f5es lan\u00e7adas em plen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 demasiado ambicioso. Ter\u00e1 tamb\u00e9m menos efeito. Ora, efeito, consequ\u00eancias, ac\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que se quer que a semana social tenha.<\/p>\n<p>Na abertura das jornadas, o Bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Francisco, afirmava:<\/p>\n<p>\u201cNesta Casa Municipal que nos acolhe, o belo Centro Cultural da nossa cidade, outrora f\u00e1brica onde da argila das nossas terras nascia a cer\u00e2mica s\u00f3bria e fr\u00e1gil que a arte e o engenho humanos transformavam em elementos robustos e resistentes das nossas constru\u00e7\u00f5es, somos hoje chamados a reflectir e convocados a trabalhar na constru\u00e7\u00e3o do bem comum. Queremos construir (\u2026) com pedra nova, com madeira s\u00e3 e com linguagem transparente. O bem comum n\u00e3o se pode hipotecar a interesses transit\u00f3rios de grupos ou a h\u00e1beis e ocultos oportunismos de privilegiados. \u00c9 responsabilidade da Pessoa, da Igreja e do Estado transformar a argila humana, vulner\u00e1vel e quebradi\u00e7a, em pedras novas, de firme e s\u00f3lida constru\u00e7\u00e3o. Ao engenho individual de cada um urge juntar a solidariedade e a rela\u00e7\u00e3o entre todos\u201d.<\/p>\n<p>Ficou dado o mote.<\/p>\n<p>No final, D. Carlos Azevedo, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social, entidade respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o da semana (a log\u00edstica esteve a cargo da C\u00e1ritas de Aveiro), afirmava: \u201cA semana social s\u00f3 teve uma parte, a da reflex\u00e3o. Importa agora a da ac\u00e7\u00e3o\u201d. E aos jornalistas acrescentou: \u201cEsta semana foi um acto de pedagogia para que n\u00e3o caiamos nem no desespero fatalista nem no individualismo de cada um. Oxal\u00e1 que todas as dioceses formem bons l\u00edderes que multipliquem a reflex\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Pelo meio, foram proferidas comunica\u00e7\u00f5es interessant\u00edssimas que obter\u00e3o mais eco neste jornal nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n<p>Barbosa de Melo real\u00e7ou que os \u00faltimos dois Papas s\u00e3o as personalidades que mais t\u00eam defendido o bem comum. \u201cJ\u00e1 dizem h\u00e1 muito: \u00abYes, we change\u00bb. \u00abYes we can\u00bb\u201d (\u201cSim, n\u00f3s mudamos\u201d. \u201cSim, n\u00f3s podemos\u201d \u2013 slogans celebrizados por Obama).<\/p>\n<p>D. Jos\u00e9 Policarpo observou que h\u00e1 \u201cfor\u00e7as ateizantes\u201d que pretendem \u201cneutralizar a religi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Maria L\u00facia Amaral defendeu que os direitos sociais (trabalho, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o\u2026) n\u00e3o podem separar-se dos direitos, liberdades e garantias (direito \u00e0 vida, liberdade de express\u00e3o, de reuni\u00e3o, religiosa\u2026) e que os deveres estatais n\u00e3o devem iludir a responsabilidade \u00faltima dos cidad\u00e3os, nem que seja, justamente, para lembrar as obriga\u00e7\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Matos Ferreira notou que nunca houve \u2013 nem h\u00e1 \u2013 sociedade sem religi\u00e3o. A religi\u00e3o n\u00e3o desaparece \u2013 desloca-se. \u201cA laicidade n\u00e3o \u00e9 redut\u00edvel ao exterior da comunidade crist\u00e3, joga-se constantemente no seu interior\u201d, disse, o que transfere claras responsabilidades para os protagonistas eclesiais, leigos e clero: constante atitude de estudo, vida quotidiana de ora\u00e7\u00e3o; vida de servi\u00e7o aos outros. A laicidade \u201ccontraria a l\u00f3gica clerical\u201d.<\/p>\n<p>Ludgero Marques, no domingo de manh\u00e3, denunciou que a economia vive \u201cuma aut\u00eantica canibaliza\u00e7\u00e3o\u201d, porque \u201cas empresas tentam apanhar as encomendas de forma muito agressiva\u201d e h\u00e1 empres\u00e1rios que se comportam \u201ccomo abutres\u201d, \u00e0 espera que uma empresa entre em fal\u00eancia para se apoderarem dos seu bens, mas referiu tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o (principalmente at\u00e9 ao 12.\u00ba ano, para que estes trabalhadores exijam quadros com mais forma\u00e7\u00e3o) e deixou uma ideia que disse j\u00e1 ter transmitido a pol\u00edticos, mas que ainda n\u00e3o obteve ecos: seria poss\u00edvel criar em pouco tempo 250 mil postos de trabalho. Bastaria um programa de reabilita\u00e7\u00e3o urbana e de constru\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o social que ocupasse cinco trabalhadores em cada uma das 50 mil habita\u00e7\u00f5es. As contas est\u00e3o feitas e o empres\u00e1rio e antigo presidente da AEP promete insistir junto do poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Na S\u00e9 de Aveiro, D. Jorge Ortiga, presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, em dia de Cristo Rei, iluminou a ac\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is e concluiu a semana social: \u201cRecordamos, ainda, o compromisso, atrav\u00e9s duma interpreta\u00e7\u00e3o literal, para que Cristo reinasse verdadeiramente em todos os ambientes, exigindo uma milit\u00e2ncia organizada e realizadora de actos tendencionalmente triunfalistas. A partir da comunidade o mundo deveria ser conquistado\u201d, mas os tempos mudaram. \u201cHoje sabemo-nos e orgulhamo-nos de ser cidad\u00e3os no mundo com um projecto especificamente dominado pelo amor. (\u2026) O triunfalismo desaparece mas o Seu esp\u00edrito vivifica e gera uma sociedade pautada por crit\u00e9rios de igualdade e dignidade de todas as pessoas humanas com a consequente experi\u00eancia de fraternidade universal. E da\u00ed que o caminho da Igreja deve ser uma consciente proclama\u00e7\u00e3o da verdade do amor de Cristo na sociedade. (\u2026) O hoje de Portugal e do mundo est\u00e1 a solicitar menor triunfalismo por parte da Igreja, mas maior empenho e presen\u00e7a nas realidades terrestres. A nossa demiss\u00e3o permite que outro modelo da sociedade avance. N\u00e3o temos consci\u00eancia disto? \u00c9 tempo de acordar para a luta e promo\u00e7\u00e3o do Bem Comum\u201d. Estava encerrada a semana social. Mas como se afirmou, apenas a primeira parte. <\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dar em duas p\u00e1ginas de jornal uma imagem fiel de um encontro que durou tr\u00eas dias, incluiu cinco grandes comunica\u00e7\u00f5es mais seis em grupos menores, tr\u00eas comunica\u00e7\u00f5es de bispos (incluindo a homilia da Eucaristia que encerrou a semana social) e cerca de 60 quest\u00f5es lan\u00e7adas em plen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 demasiado ambicioso. 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