{"id":4374,"date":"2009-11-25T10:08:00","date_gmt":"2009-11-25T10:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4374"},"modified":"2009-11-25T10:08:00","modified_gmt":"2009-11-25T10:08:00","slug":"construir-o-bem-comum-com-pedagogia-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/construir-o-bem-comum-com-pedagogia-social\/","title":{"rendered":"Construir o Bem Comum com pedagogia social"},"content":{"rendered":"<p>Conclus\u00f5es da Semana Social 2009 <!--more--> Reunidos em Aveiro, de 20 a 22 de Novembro, mais de quatro centenas de participantes, com a presen\u00e7a de grande parte do episcopado portugu\u00eas e de institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social, aprofund\u00e1mos a responsabilidade de cada cidad\u00e3o, do Estado e da Igreja na constru\u00e7\u00e3o do Bem comum.<\/p>\n<p>Olhamos para a realidade social do pa\u00eds com confian\u00e7a. Assim conseguiremos responder ao crescimento do desemprego, \u00e0s desigualdades econ\u00f3micas profundas, \u00e0 d\u00e9bil consci\u00eancia c\u00edvica, ao desrespeito pelo ambiente, \u00e0 perda do lugar da dimens\u00e3o religiosa na vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Conscientes da urg\u00eancia de relan\u00e7ar, na vida das comunidades e das institui\u00e7\u00f5es eclesiais, uma lucidez operativa capaz de criar um movimento de pedagogia social, apontamos as seguintes conclus\u00f5es:<\/p>\n<p>1. N\u00e3o cabe ao Estado substituir-se aos cidad\u00e3os, mas harmonizar com justi\u00e7a os interesses sectoriais e promover as suas iniciativas. O povo \u00e9, deve ser e permanecer o sujeito, o fundamento e o fim da vida social, uma vez que a soberania radica na sociedade civil. \u00c9 a constru\u00e7\u00e3o do bem comum que justifica a autoridade do Estado.<\/p>\n<p>2. O bem comum exige que se conceda ao princ\u00edpio da subsidiariedade pleno alcance e sentido, ali\u00e1s bem patente na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa e nos Tratados da Uni\u00e3o Europeia. Nesse contexto, dever\u00e1 valorizar-se uma interven\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima dos cidad\u00e3os com lugares de decis\u00e3o descentralizados.<\/p>\n<p>3. Como elemento essencial da realiza\u00e7\u00e3o das pessoas exige-se a presen\u00e7a da religi\u00e3o. A este prop\u00f3sito \u00e9 expressiva a afirma\u00e7\u00e3o do Papa Bento XVI na recente enc\u00edclica: \u201ca religi\u00e3o crist\u00e3 e as outras religi\u00f5es s\u00f3 podem dar o seu contributo para o desenvolvimento se Deus encontrar lugar tamb\u00e9m na esfera p\u00fablica, nomeadamente nas dimens\u00f5es cultural, social, econ\u00f3mica e particularmente pol\u00edtica\u201d (Caritas in Veritate, n.\u00ba 56).<\/p>\n<p>4. Na actual sociedade p\u00f3s-crist\u00e3, a laicidade \u00e9 uma realidade social, que se joga constantemente no interior da comunidade crist\u00e3. Tem profundas implica\u00e7\u00f5es nas formas de conviv\u00eancia social. No dom\u00ednio dos valores, considerou-se que a laicidade n\u00e3o \u00e9 uma perspectiva neutral. A afirma\u00e7\u00e3o de valores religiosos, sobretudo no ensino, al\u00e9m de leg\u00edtima, n\u00e3o coarcta a plena liberdade de forma\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, concretizada na op\u00e7\u00e3o de escola. Na forma\u00e7\u00e3o plena dos jovens h\u00e1 responsabilidades que \u00e0 fam\u00edlia incumbem e se v\u00eaem contrariadas por uma excessiva depend\u00eancia da escola.<\/p>\n<p>5. A confian\u00e7a na sociedade, assumindo todas as suas responsabilidades, tem de verificar-se tamb\u00e9m no apoio social, nas ac\u00e7\u00f5es culturais e demais sectores, n\u00e3o excluindo a indispens\u00e1vel interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com o estabelecimento e a exig\u00eancia do cumprimento das \u201cregras do jogo\u201d.<\/p>\n<p>6. Nos direitos sociais, importa de facto passar da ret\u00f3rica \u00e0 pr\u00e1tica. N\u00e3o basta a sua consagra\u00e7\u00e3o em textos b\u00e1sicos nacionais e internacionais. Temos de mobilizar para interven\u00e7\u00f5es adequadas a fim de dar satisfa\u00e7\u00e3o a esses direitos seja na ac\u00e7\u00e3o politica, seja na pr\u00e1tica quotidiana.<\/p>\n<p>7. A globaliza\u00e7\u00e3o, sendo inevit\u00e1vel, convenientemente governada constitui um factor de desenvolvimento humano. S\u00f3 uma atenta vigil\u00e2ncia atenuar\u00e1 os aspectos socialmente perniciosos, como o aumento localizado de pobreza e fen\u00f3menos de exclus\u00e3o. Se governada por organismos supranacionais cred\u00edveis, evitar-se-\u00e3o efeitos nefastos. Para isso, \u00e9 fundamental desenvolver actividades locais. Al\u00e9m do Estado, a palavra principal cabe aos empreendedores que t\u00eam que apostar claramente na comunidade onde se inserem.<\/p>\n<p>8. No novo mundo a incrementar \u00e9 indispens\u00e1vel a inova\u00e7\u00e3o social. O envolvimento da sociedade civil ter\u00e1 como resultado a conjuga\u00e7\u00e3o de diferentes factores: predispor para a experimenta\u00e7\u00e3o permanente; criar harmonia entre investiga\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o; aptid\u00e3o para criar redes, colabora\u00e7\u00f5es e parcerias; novas solu\u00e7\u00f5es de investimento e capacita\u00e7\u00e3o de todos os actores sociais.<\/p>\n<p>9. \u00c9 da ess\u00eancia do catolicismo o afastamento de fatalismos e de tenta\u00e7\u00f5es dominadoras. A interioriza\u00e7\u00e3o dos valores revigora a seguran\u00e7a que conduzir\u00e1 \u00e0 profecia do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>10. Prosseguir com coragem e aperfei\u00e7oar com persist\u00eancia as interven\u00e7\u00f5es sociais da Igreja, em colabora\u00e7\u00e3o com todas as pessoas de boa vontade, permitir\u00e1 chegar \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de dignidade de cada ser humano.<\/p>\n<p>11. Como sectores sens\u00edveis, dado que atendem a cidad\u00e3os com especiais dificuldades, importa garantir a qualidade da esperan\u00e7a na presen\u00e7a da Igreja junto dos doentes e dos reclusos.<\/p>\n<p>12. Em cada diocese, requer-se o incentivo de grupos de l\u00edderes-servidores, quais agentes din\u00e2micos e criativos de transforma\u00e7\u00e3o da mentalidade individualista. Assim se motivar\u00e1 para um fortalecimento da consci\u00eancia participativa e respons\u00e1vel dos singulares cidad\u00e3os e se pautar\u00e1 a viv\u00eancia crist\u00e3 da constru\u00e7\u00e3o do bem comum, pelo estilo evang\u00e9lico.<\/p>\n<p>Aveiro, 22 de Novembro de 2009<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conclus\u00f5es da Semana Social 2009<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4374","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4374"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4374\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}