{"id":4435,"date":"2009-12-09T11:41:00","date_gmt":"2009-12-09T11:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4435"},"modified":"2009-12-09T11:41:00","modified_gmt":"2009-12-09T11:41:00","slug":"o-meu-desejo-e-que-as-pessoas-vivam-a-partir-de-cristo-e-com-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-meu-desejo-e-que-as-pessoas-vivam-a-partir-de-cristo-e-com-cristo\/","title":{"rendered":"&#8220;O meu desejo \u00e9 que as pessoas vivam a partir de Cristo e com Cristo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O P.e Vasco Pedrinho, 32 anos, \u00e9 p\u00e1roco da Branca desde 4 de Outubro de 2009. Padre da Diocese de Lamego, ordenado no dia 10 de Agosto de 2002, est\u00e1 \u201cemprestado\u201d \u00e0 Diocese Aveiro, tendo colaborado na par\u00f3quia de Bedu\u00eddo (Estarreja) entre Fevereiro e Outubro deste ano<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Como est\u00e3o a ser estes primeiros tempos na par\u00f3quia da Branca?<\/p>\n<p>P.E VASCO PEDRINHO &#8211; Est\u00e3o a ser bons, mais ou menos de acordo com o que eu pensava. J\u00e1 sabia, quando estava em Estarreja, que \u00e9 uma par\u00f3quia grande, com uma certa dimens\u00e3o populacional e com v\u00e1rios centros de culto \u2013 tr\u00eas para al\u00e9m da Igreja. \u00c9 um desafio, para mim, conhecer e ir sempre mais al\u00e9m na ac\u00e7\u00e3o pastoral, dando resposta \u00e0s necessidades da comunidade.<\/p>\n<p>Conte-nos o seu percurso at\u00e9 chegar \u00e0 Diocese de Aveiro.<\/p>\n<p>Fui p\u00e1roco durante cinco anos no arciprestado de Cinf\u00e3es, diocese de Lamego. O Sr. Bispo de Aveiro \u00e9 de Tendais e eu estive nas par\u00f3quias vizinhas. Depois fui destacado pela Confer\u00eancia Episcopal para a Pastoral Juvenil Nacional. Estive em Lisboa um ano. N\u00e3o me enquadrei bem naquele trabalho. Senti que seria necess\u00e1rio uma forma\u00e7\u00e3o em Pastoral Juvenil, para al\u00e9m da experi\u00eancia, que era pouca da minha parte. Entretanto cessou esse meu mandato e D. Ant\u00f3nio Francisco requereu ao bispo de Lamego, D. Jacinto, que me dispensasse e viesse ajudar na Diocese de Aveiro.<\/p>\n<p>O nosso Bispo j\u00e1 tinha sido seu superior no tempo do Semin\u00e1rio?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Ele tinha sido vice-reitor do Semin\u00e1rio de Lamego, uns anos antes. S\u00f3 foi meu professor de Teodiceia ou Teologia Filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>A sua entrada na Diocese aconteceu em Estarreja\u2026<\/p>\n<p>Fui para Estarreja no dia 15 de Fevereiro. Era um lugar muito necessitado, atendendo \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do Sr. Reitor, P.e Fragoso, em termos de vis\u00e3o. Estarreja \u00e9 uma comunidade com din\u00e2mica e vigor, muito participativa. Tenho boas recorda\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>\u2026Por isso, uma delega\u00e7\u00e3o de Estarreja acompanhou-o ao entrar na Par\u00f3quia de S. Vicente da Branca.<\/p>\n<p>Sim. Veio uma boa representa\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia de Bedu\u00eddo como testemunho de amizade e sinal de que os la\u00e7os perduram para al\u00e9m dos escassos meses\u2026 Houve marcas de parte a parte, uma empatia rec\u00edproca.<\/p>\n<p>Na sua nova par\u00f3quia, qual \u00e9 a sua maior preocupa\u00e7\u00e3o pastoral?<\/p>\n<p>Que as pessoas vivam a partir de Cristo e com Cristo e que a partir dele se construa uma verdadeira comunidade, onde n\u00e3o baste falar do Evangelho, mas se viva o Evangelho. E que este seja motivo de transforma\u00e7\u00e3o e de renova\u00e7\u00e3o da comunidade e das pessoas. Em termos de prioridades, \u00e9 importante apostar na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens, atrav\u00e9s da catequese, e dos adultos tamb\u00e9m. H\u00e1 momentos e \u00e2mbitos em que podem e devem participar.<\/p>\n<p>Como sente que as pessoas olham hoje para o padre?<\/p>\n<p>As que pessoas que vivem a f\u00e9 t\u00eam carinho pelo padre que est\u00e1 \u00e0 frente da comunidade. Isso \u00e9 not\u00f3rio. H\u00e1 boa aceita\u00e7\u00e3o, respeito. Da minha parte tamb\u00e9m procuro fazer tudo para que corresponda \u00e0quilo que \u00e9 necess\u00e1rio para as pessoas ao n\u00edvel da viv\u00eancia da f\u00e9.<\/p>\n<p>O que \u00e9 para si ser padre hoje?<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 geral, mas devemos ir sempre \u00e0 fonte. E a fonte \u00e9 Jesus Cristo, \u00e9 Deus, que chama. Ser padre \u00e9 ser o rosto de Cristo entre as pessoas. Qualquer crist\u00e3o pode e deve s\u00ea-lo, \u00e0 sua maneira. Mas o padre \u00e9, de facto, de modo especial, esse sinal da presen\u00e7a de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Quando surgiu a sua voca\u00e7\u00e3o para o sacerd\u00f3cio ministerial?<\/p>\n<p>Desde muito cedo. Ainda ontem (25 de Novembro), estive nas escolas, a convite da professora Idalina, porque est\u00e3o a tratar o tema vocacional nas aulas de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, e relatei o meu percurso, desde a quarta classe. Nessa altura j\u00e1 sentia uma certa simpatia por ser padre. Admirava a sua figura, talvez por influ\u00eancia do meu p\u00e1roco. O ambiente familiar tamb\u00e9m foi favor\u00e1vel. Os meus pais andaram pela Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica e pelos Cursos de Cristandade. Quando eu tinha 10-11 anos, o meu p\u00e1roco perguntou-se se queria conhecer o Semin\u00e1rio e eu disse que sim. Integrei depois o Pr\u00e9-Semin\u00e1rio e fiz os meus estudos em escolas p\u00fablicas at\u00e9 o 12.\u00ba ano. A minha \u201ccarreira\u201d de seminarista limita-se ao curso superior de seis anos no Semin\u00e1rio Maior.<\/p>\n<p>Na actualidade \u00e9 mais dif\u00edcil a din\u00e2mica vocacional?<\/p>\n<p>A meu ver, o problema \u00e9 o ambiente, que \u00e9 adverso \u00e0s voca\u00e7\u00f5es em geral. Vemos que, no caso do matrim\u00f3nio, o modelo tradicional de fam\u00edlia est\u00e1 abanado. As voca\u00e7\u00f5es religiosas e sacerdotais tamb\u00e9m se ressentem desse ambiente que n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel. At\u00e9 o facto de as fam\u00edlias terem menos filhos \u00e9 contr\u00e1rio ao surgimento de novas voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ambiente \u00e9 adverso por n\u00e3o incentivar compromissos?<\/p>\n<p>Julgo que sim. H\u00e1 dificuldade em assumir compromissos a longo prazo, em assumir uma vida totalmente entregue. Por isso \u00e9 que tamb\u00e9m h\u00e1 um n\u00famero avultado de div\u00f3rcios.<\/p>\n<p>Referiu h\u00e1 pouco a ida \u00e0s aulas de EMRC da EB 2.3 da Branca. Como tem sido a experi\u00eancia?<\/p>\n<p>Tem havido bom acolhimento por parte da comunidade escolar, quer dos funcion\u00e1rios quer dos professores. E os mi\u00fados fazem uma festa.<\/p>\n<p>Muitos s\u00e3o seus paroquianos\u2026<\/p>\n<p>Quase todos. Alguns estavam bastante ansiosos por me verem. A Sr.\u00aa professora j\u00e1 os tinha preparado. Dei-lhes o meu testemunho e respondi a quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Que quest\u00f5es surgiram?<\/p>\n<p>As normais. Por exemplo: Por que \u00e9 que os padres n\u00e3o se podem casar? Eu respondo-lhes que a Igreja, no seu todo, assim estabe-leceu, e que o celibato n\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o, mas uma op\u00e7\u00e3o, porque os que querem ser padres contam com essa condi\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m lhes digo que nem sempre foi assim na Hist\u00f3ria da Igreja. Perguntam tamb\u00e9m porque \u00e9 que as mulheres n\u00e3o podem ser padres. As perguntas reflectem muito a comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A ida \u00e0 escola foi espa\u00e7o de proposta vocacional?<\/p>\n<p>Noto sempre que esta presen\u00e7a do padre nas escolas \u00e9 positiva. Poder\u00e1 dar os seus frutos. Fala-se de encontros do Pr\u00e9-Semin\u00e1rio, h\u00e1 uma ficha que \u00e9 distribu\u00edda. Alguns dizem logo: \u201cEu n\u00e3o!\u201d Mas outros dizem que querem ir ao Semin\u00e1rio e que l\u00e1 se joga futebol\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 dias esteve no Semin\u00e1rio de Aveiro com um grupo da Branca\u2026<\/p>\n<p>Foram catequistas, pais, jovens e crian\u00e7as al\u00e9m de mim e do di\u00e1cono Lu\u00eds [di\u00e1cono permanente de Lamego que est\u00e1 com o P.e Vasco na Branca]. Penso que \u00e9 muito importante que os adultos conhe\u00e7am por dentro o Semin\u00e1rio para incentivarem e explicarem aos mais novos.<\/p>\n<p>O que gosta de fazer no seu tempo livre?<\/p>\n<p>Gosto de ler e passear. Leio principalmente livros espirituais, de forma\u00e7\u00e3o religiosa, relacionados com a f\u00e9 e o meu minist\u00e9rio. N\u00e3o vou muito para coisas como \u201cO C\u00f3digo da Vinci\u201d, mas reconhe\u00e7o que at\u00e9 devia co-nhecer para poder falar. Mas \u00e9 uma literatura que n\u00e3o me cativa. Um dos \u00faltimos que li foi \u201cA saga de um pensador\u201d, de Augusto Cury. Gosto de passear e de conhecer terras e paisagens. Gosto da serra e do mar.<\/p>\n<p>Daqui de cima [a Igreja da Branca e a resid\u00eancia paroquial ficam no alto da vila], v\u00ea-se a ria de Aveiro\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 dias em que o cen\u00e1rio \u00e9 extraordin\u00e1rio. \u00c0s vezes estou sentado na cadeira presidencial, com as portas da igreja abertas, e vejo a ria e o mar. Ontem \u00e0 tarde, o sol reflectia-se na \u00e1gua e proporcionava um espect\u00e1culo \u00fanico. \u00c9 inspirador.<\/p>\n<p>Faz pensar \u201cnas margens do mar da Galileia\u201d?<\/p>\n<p>O mar n\u00e3o \u00e9 um calmante, mas \u00e9 algo que d\u00e1 paz.<\/p>\n<p>Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O P.e Vasco Pedrinho, 32 anos, \u00e9 p\u00e1roco da Branca desde 4 de Outubro de 2009. 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