{"id":4443,"date":"2009-12-09T12:01:00","date_gmt":"2009-12-09T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4443"},"modified":"2009-12-09T12:01:00","modified_gmt":"2009-12-09T12:01:00","slug":"heroi-em-tempo-de-danca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/heroi-em-tempo-de-danca\/","title":{"rendered":"Her\u00f3i em tempo de dan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu *<\/p>\n<p>* \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n<p> <!--more--> 3.\u00ba  Domingo do Advento  (ano C)<\/p>\n<p>1.\u00aa leitura: Profeta Sofonias 3, 14-18<\/p>\n<p>2.\u00aa leitura: Carta aos Filipenses 4, 4-7<\/p>\n<p>Evangelho: S. Lucas 3, 10-18<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o gosta de estar alegre e de ver um rosto brilhante de alegria? A alegria \u00e9 uma virtude (palavra que significa \u00abfor\u00e7a\u00bb, proveniente do mesmo radical de \u00abviril\u00bb e de \u00abvida\u00bb). E o velho Arist\u00f3teles j\u00e1 chamava a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de criarmos h\u00e1bitos suficientemente fortes para que a virtude n\u00e3o desmaie. <\/p>\n<p>Temos que arrega\u00e7ar bem as mangas para conquistar alguns h\u00e1bitos. E para conquistar alguma coisa, \u00e9 preciso o h\u00e1bito fundamental de n\u00e3o desistir \u00e0 primeira \u2013 logicamente, ser\u00e1 de todos o acto mais her\u00f3ico\u2026 Depois disso, j\u00e1 se ganhou o jeito de dar sempre um passo mais, na direc\u00e7\u00e3o que julgamos correcta (nota: \u00absempre um passo mais\u00bb n\u00e3o \u00e9 um passo sempre a direito! A boa direc\u00e7\u00e3o exige a sabedoria de um passo de dan\u00e7a, e mesmo ent\u00e3o \u00e9 muito conveniente saber onde se p\u00f5em os p\u00e9s!).<\/p>\n<p>A pujan\u00e7a da alegria bem que pode ser o objectivo da conquista sugerido neste domingo. E como todos os objectivos muito dependentes da nossa vontade, corre o s\u00e9rio risco de se degradar com o tempo \u2013 e obriga a muito trabalho para o restaurar. \u00c9 um sonho a ser alimentado por uma sucess\u00e3o de pequenos e grandes actos her\u00f3icos de restauro.<\/p>\n<p>\u00c9 ent\u00e3o que vem mesmo a calhar o grito do profeta Sofonias: \u00abN\u00e3o temas! Est\u00e1 no meio de ti o her\u00f3i que vem renovar-te a alegria!\u00bb<\/p>\n<p>O final euf\u00f3rico da profecia de Sofonias seria suficiente para o tornar c\u00e9lebre. Quase que parece o profeta do pa\u00eds das maravilhas\u2026 Mas este autor, nas poucas p\u00e1ginas que nos deixou (tr\u00eas breves cap\u00edtulos), \u00e9 sobretudo o profeta da calamidade pendente sobre o g\u00e9nero humano. V\u00e1rias express\u00f5es suas inspiraram directamente o famoso poema \u00abdies irae\u00bb, o \u00abdia da ira\u00bb, que s\u00f3 depois do Vaticano II deixou de fazer parte da liturgia dos fi\u00e9is defuntos \u2013 por t\u00e3o negras serem as cores com que pintava o mais natural e universal dos fen\u00f3menos: o fim dos ciclos da vida e de todos os ciclos de exist\u00eancia. <\/p>\n<p>Dos antigos profetas, foi o que mais desenvolveu o tema do \u00abdia do Senhor\u00bb \u2013 embora tenha focado especialmente o desajuste entre o Deus incompreens\u00edvel e este mundo que tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para entender\u2026 N\u00e3o admira que a \u00abmistura\u00bb pare\u00e7a explosiva e geradora de aterrorizantes ondas de tempestade, como outro dil\u00favio destruidor. No entanto, mesmo para Sofonias, o \u00abdia do Senhor\u00bb \u00e9 fundamentalmente a experi\u00eancia de como Deus \u00e9 vivo e n\u00e3o apenas a projec\u00e7\u00e3o do nosso desejo de salva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Este desejo universal leva a naturais projec\u00e7\u00f5es (como as dos \u00absalvadores\u00bb pol\u00edticos), mas, fundamentalmente, reflecte a constata\u00e7\u00e3o de que nem o maior poder ou a maior riqueza nos libertam do sofrimento e da morte, das cat\u00e1strofes da natureza e da maldade humana. A dimens\u00e3o religiosa permite uma vis\u00e3o global, que n\u00e3o nos deixa afogar no fatalismo e transforma o desejo err\u00e1tico numa liga\u00e7\u00e3o com Deus. <\/p>\n<p>Damos-Lhe a imagem de pessoa, porque \u00e9 para n\u00f3s a mais alta categoria de um ser vivo. E tamb\u00e9m Lhe atribu\u00edmos os nossos sentimentos, eliminando as facetas \u00abindesej\u00e1veis\u00bb. Os profetas falam de um Deus \u00abcioso\u00bb \u2013 palavra mais exacta do que \u00abciumento\u00bb, uma vez que traduz o reconhecimento de Deus como n\u00e3o podendo admitir que os seres humanos d\u00eaem a qualquer bem mais valor do que a Ele pr\u00f3prio, pois Ele \u00e9 que d\u00e1 for\u00e7a a todo o bem. <\/p>\n<p>O profeta verdadeiro partilha uma profunda experi\u00eancia de Deus \u2013 que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, por\u00e9m, acompanhada de profunda experi\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o humana. No caso de Sofonias, \u00e9 not\u00f3ria a sensibilidade \u00e0 grave conjuntura pol\u00edtica do s\u00e9c. VII a.C. (ciclos de destrui\u00e7\u00e3o protagonizados pela Ass\u00edria, Babil\u00f3nia e Egipto) e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que tanto pode comandar as guerras como a organiza\u00e7\u00e3o mais est\u00e1vel. Ali\u00e1s, \u00e9 quando tudo parece correr bem, que Deus deixa de ter interesse. Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es dos profetas \u00e9 conceber Deus no meio de tanto mal \u2013 provocado quer pelas for\u00e7as da natureza quer pelo desequil\u00edbrio humano. \u00c9 a grande interroga\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 este mundo em que vivemos e o que \u00e9 a Hist\u00f3ria da Humanidade, do mais long\u00ednquo passado ao mais indefin\u00edvel futuro.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o catastr\u00f3fica sobre o futuro da humanidade foi alimentada pela consci\u00eancia de que se d\u00e1 um afastamento volunt\u00e1rio da direc\u00e7\u00e3o que sabemos correcta. O ser humano castiga-se a si pr\u00f3prio e n\u00e3o sabe gozar o presente preparando o futuro. Talvez que por isso a \u00faltima parte do livro de Sofonias seja de retumbante alegria \u2013 a de quem sabe que Deus vive connosco e que \u00e9 com Ele que dan\u00e7amos no palco da vida. \u00c9 tudo uma quest\u00e3o de acertar o passo. \u00c9 o pr\u00f3prio Sofonias que fala de dan\u00e7as e festas j\u00e1 na vida presente \u2013 para que a vida futura seja ainda mais alegre\u2026<\/p>\n<p>Para garantir uma festa em que todos nos d\u00eamos bem, diz esse profeta (3,11-13) que Deus \u00abexterminar\u00e1 os orgulhosos e arrogantes\u00bb. S\u00f3 o \u00abresto\u00bb do povo \u00e9 que \u00abn\u00e3o cometer\u00e1 mais a iniquidade\u00bb, nem \u00abse achar\u00e1 mais na sua boca uma l\u00edngua enganadora\u00bb. Por sua vez, S. Jo\u00e3o Baptista (evangelho) apela a uma vida renovada, \u00abporque \u2013 grita ele enquanto baptiza \u2013 vai chegar quem \u00e9 mais forte do que eu\u00bb, com a sagacidade para avaliar as pessoas, sem preconceitos. De nada nos vale uma justi\u00e7a de fachada e palavrosa. Se queremos ser mais do que um cepo seco, temos que limpar o terreno e adub\u00e1-lo, a fim de que nas\u00e7a uma sociedade onde n\u00e3o se arranca dinheiro aos indefesos ou ingenuamente confiantes, onde se evita a viol\u00eancia e onde se sabe ajudar quem \u00e9 pobre (Evangelho).<\/p>\n<p>O pedacinho da carta aos Filipenses hoje proposto para reflex\u00e3o diz claramente que \u00e9 tempo de alegria porque, quase nos pr\u00f3prios termos de S. Paulo, dan\u00e7amos com Deus. At\u00e9 diz que o devemos fazer com \u00abmod\u00e9stia\u00bb \u2013 palavra que designa o \u00abmodo equilibrado\u00bb dos nossos passos. S\u00f3 com este jeito \u00e9 que a sociedade pode garantir paz e bem-estar \u2013 porque organizada com o permanente dinamismo da alegria. (S. Paulo escreveu ainda na expectativa de que a vinda de Jesus manifestamente glorioso poderia dar-se a todo o momento \u2013 s\u00f3 progressivamente \u00e9 que foi compreendendo, bem como as primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, que o \u00abesp\u00edrito de Jesus\u00bb vai continuamente sendo assimilado por quantos se deixam cativar pela sua \u00abboa nova\u00bb). <\/p>\n<p>A alegria devia estar presente com particular intensidade nos momentos mais dif\u00edceis e sobretudo no momento em que parece que vamos perder tudo. Precisamos de sentir \u00e0 nossa volta uma atitude positiva, vinda das v\u00e1rias pessoas e grupos que connosco partilham a vida, que nos transmita for\u00e7a, aconchego e carinho, testemunhando que h\u00e1 raz\u00f5es para vencer qualquer medo. A esperan\u00e7a e o amor aumentam na medida em que s\u00e3o partilhados.  <\/p>\n<p>Precisamos de treinar a alegria de quem \u00abdan\u00e7a com Deus\u00bb em todos os natais, em todas as sextas-feiras santas e em todas as p\u00e1scoas. A alegria que supera a mais que compreens\u00edvel ang\u00fastia humana perante a vida. Celebramos o nascimento do Her\u00f3i que nos conquistou um \u00abmundo novo\u00bb \u2013 desejado mais ou menos obscuramente ao longo da nossa hist\u00f3ria. Um her\u00f3i homenageado na fragilidade de um menino que, at\u00e9 \u00e0 morte, lutou com bondade, alegria e mansid\u00e3o. Com a dignidade de um her\u00f3i que d\u00e1 a vida para mostrar os \u00abpassos certos\u00bb na dan\u00e7a da vida.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu * * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-4443","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4443\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}