{"id":4448,"date":"2009-11-25T10:50:00","date_gmt":"2009-11-25T10:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4448"},"modified":"2009-11-25T10:50:00","modified_gmt":"2009-11-25T10:50:00","slug":"europa-dos-interesses-ou-do-pluralismo-democratico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/europa-dos-interesses-ou-do-pluralismo-democratico\/","title":{"rendered":"Europa dos interesses ou do pluralismo democr\u00e1tico?"},"content":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, a partir de um equ\u00edvoco do laicismo provocado por outros equ\u00edvocos, que define a \u201cpresen\u00e7a dos crucifixos nas escolas da It\u00e1lia como uma viola\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa dos alunos\u201d, traz ao de cima uma problema mais grave que o dos sinais religiosos em lugares p\u00fablicos. Este problema cifra-se na pr\u00e1tica corrente de as inst\u00e2ncias europeias decidirem, com um dogmatismo carregado de moralismo ou amoralismo, sobre os pa\u00edses da Uni\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o a aspectos que bolem com a sua hist\u00f3ria, cultura, religi\u00e3o e identidade nacional, como se tratasse de definir as cotas leiteiras. Agora foi a Gr\u00e9cia a reagir.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 assim quando os pa\u00edses grandes t\u00eam interesses pr\u00f3prios e uma voz grossa para dizer \u201cn\u00e3o\u201d, como aconteceu e acontece em rela\u00e7\u00e3o a muitos aspectos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p>As habituais tens\u00f5es prov\u00eam, em geral, de uma Uni\u00e3o Europeia que deixa pouco ou nenhum lugar aos seus membros para se afirmarem na sua originalidade ou se defenderem de intromiss\u00f5es, que n\u00e3o deviam existir. Morto o pluralismo, matam-se muitas ocasi\u00f5es de um enriquecimento comum, ben\u00e9fico para todos.<\/p>\n<p>A ideia de que os cidad\u00e3os europeus devem ter em tudo direitos iguais e padr\u00f5es de valor id\u00eanticos, onde quer que se encontrem, tem destru\u00eddo, a pouco e pouco, o patrim\u00f3nio cultural e moral de muitos pa\u00edses com hist\u00f3ria pr\u00f3pria. \u00c0 revelia das suas origens, a UE foi-se transformando, por press\u00f5es diversas, numa inst\u00e2ncia de padr\u00f5es morais e pseudo culturais. Por infelicidade, s\u00e3o poucos os estados que reagem a este dom\u00ednio e prepot\u00eancia. E, quando o fazem, logo s\u00e3o classificados de reaccion\u00e1rios e conservadores. Para os ide\u00f3logos, com carimbo europeu, s\u00f3 o que eles ditam \u00e9 certo, moderno e aceit\u00e1vel. Assim t\u00eam baralhado as popula\u00e7\u00f5es e as suas refer\u00eancias morais.<\/p>\n<p>Leis e normas sobre fam\u00edlia, casamento, vida humana, natalidade, div\u00f3rcio, aborto, tudo sai da central ideol\u00f3gica de Bruxelas, como decis\u00e3o sem apelo ou crit\u00e9rios de inspira\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para as leis dos pa\u00edses membros.<\/p>\n<p>Assim, as doen\u00e7as morais graves do continente europeu acabam por ser epidemia que se exporta e alastra por todo o lado. Quando, neste campo, os pa\u00edses que ainda mant\u00eam lucidez, pundonor e liberdade, reagem, logo surgem press\u00f5es e amea\u00e7as. Como da Europa vem o dinheiro e j\u00e1 nenhum pa\u00eds pode sobreviver sem cumprir as normas europeias que lhes abrem portas, por vezes bem estreitas, a reac\u00e7\u00e3o torna-se imposs\u00edvel para os mais dependentes, que s\u00e3o sempre os mais pequenos e mais pobres. Aparecem na fotografia, mas, nas grandes decis\u00f5es, s\u00e3o n\u00fameros que pouco contam.<\/p>\n<p>Certamente que nem tudo tem sido negativo e que o balan\u00e7o tem muitas coisas positivas, que muitos pa\u00edses membros nunca teriam coragem de enfrentar por si, dados os interesses criados, sobretudo pol\u00edticos e econ\u00f3micos. Mas n\u00e3o \u00e9 este o problema, na minha opini\u00e3o. Ser\u00e1, antes, saber se os pa\u00edses t\u00eam de se anular na sua originalidade e leg\u00edtima autonomia para poderem fazer parte de um grupo alargado, com interesses comuns, mas que parece esquecer-se que precisa de todos e do espec\u00edfico de cada um, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a gastronomia, o artesanato e o folclore.<\/p>\n<p>A origem da EU, a partir do Tratado de Roma de 1956, n\u00e3o previa aniquilar ningu\u00e9m. Os da primeira hora eram crist\u00e3os com ideais de respeito e abertura. Os que agora dominam s\u00e3o, na sua maioria, servos da ma\u00e7onaria, com poderes e estrat\u00e9gias que j\u00e1 n\u00e3o enganam ningu\u00e9m. N\u00e3o se nega a ningu\u00e9m o direito a ser de qualquer Loja, mas sim que esta seja a oficina do novo rosto da Europa, a que negam as ra\u00edzes crist\u00e3s e a face humanista.<\/p>\n<p>O primeiro obreiro, Giscard D\u2019Estaing, de uma Constitui\u00e7\u00e3o rejeitada, n\u00e3o ocultou a face ma\u00e7\u00f3nica nela impressa, os objectivos ideol\u00f3gicos pretendidos e os inc\u00f3modos hist\u00f3ricos que sofria. N\u00e3o se entende, com tudo isto, qual \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de pluralismo e de respeito pela verdade e pelas pessoas. Se o Parlamento tivesse mais gente com cultura e capaz de pensar, as coisas seriam diferentes. Assim, seremos os eternos obedientes que trocam tudo por dinheiro e por sonhos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, a partir de um equ\u00edvoco do laicismo provocado por outros equ\u00edvocos, que define a \u201cpresen\u00e7a dos crucifixos nas escolas da It\u00e1lia como uma viola\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa dos alunos\u201d, traz ao de cima uma problema mais grave que o dos sinais religiosos em lugares p\u00fablicos. 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