{"id":4454,"date":"2009-12-02T10:18:00","date_gmt":"2009-12-02T10:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4454"},"modified":"2009-12-02T10:18:00","modified_gmt":"2009-12-02T10:18:00","slug":"semear-nas-lagrimas-e-colher-alegria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/semear-nas-lagrimas-e-colher-alegria\/","title":{"rendered":"Semear nas l\u00e1grimas e colher alegria"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu*<\/p>\n<p>* \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n<p> <!--more--> 2.\u00ba Domingo do Advento (Ano C)<\/p>\n<p>1.\u00aa Leitura: Livro do profeta Baruc 5,1-9<\/p>\n<p>2.\u00aa Leitura: Carta de S. Paulo aos Filipenses 1,4-11<\/p>\n<p>Evangelho: S. Lucas 3,1-6<\/p>\n<p>A sabedoria dos tempos diz que a nossa dor \u00e9 o terreno mais f\u00e9rtil para semear e o mais s\u00f3lido para construir. As l\u00e1grimas s\u00e3o sinal da consci\u00eancia dos limites que nos afectam, mas tamb\u00e9m das virtualidades. Em cada l\u00e1grima vai a nossa vida: a energia do trabalho, a for\u00e7a dos nossos afectos, a sede de mais justi\u00e7a e a alegria ou esperan\u00e7a de bons momentos. Mais tristes ou mais alegres, as l\u00e1grimas soltam-se, assim, de um abra\u00e7o com a vida. E humedecem a terra em que devemos florir e frutificar.<\/p>\n<p>Por isso, se soubermos semear \u00abnas l\u00e1grimas\u00bb, trabalharemos n\u00e3o \u00abcom l\u00e1grimas\u00bb mas \u00abcom alegria\u00bb.<\/p>\n<p>S. Paulo (2.\u00aa leitura) manifesta a alegria das suas l\u00e1grimas, durante uma das v\u00e1rias \u00abestadias\u00bb em pris\u00e3o, incerto do seu destino: \u00abSempre que me lembro de v\u00f3s, dou gra\u00e7as a Deus\u00bb (1,3), porque dais bom exemplo do cuidado pelos outros e ganhais assim o fino sentido do que \u00e9 melhor.<\/p>\n<p>E a 1.\u00aa leitura fala-nos de Baruc, secret\u00e1rio do profeta Jeremias, durante a deporta\u00e7\u00e3o dos Judeus em Babil\u00f3nia, no s\u00e9c. VI antes de Cristo. Deixou-nos ora\u00e7\u00f5es de esperan\u00e7a e poemas \u00e0 Sabedoria. Chama a Jerusal\u00e9m \u00abPaz da Justi\u00e7a e Gl\u00f3ria da Piedade\u00bb, porque aprendeu a semear na humilha\u00e7\u00e3o e sofrimento. Quem procura a Justi\u00e7a encontra a Paz, com o esplendor da \u00abPiedade\u00bb \u2013 este conceito, hoje em dia com sabor a rid\u00edculo, designava, na cultura do Antigo Testamento, uma rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua implicando ajuda eficaz e fiel. Na rela\u00e7\u00e3o com Deus, corresponde a uma afei\u00e7\u00e3o filial confiante e alegre. No Novo Testamento, Jesus \u00e9 exemplo da aut\u00eantica piedade, refor\u00e7ando o esp\u00edrito filial para com Deus e condenando express\u00f5es de hipocrisia.<\/p>\n<p> \u00abVoltaram como filhos de reis\u00bb, diz ainda Baruc. \u00c9 o grande \u00abregresso na alegria\u00bb, em que veremos como os cuidados deste mundo se foram transformando em veredas direitas, agrad\u00e1veis de percorrer, porque trabalh\u00e1mos para construir um digno \u00abcaminho do Senhor\u00bb \u2013 o evangelho cita o profeta Isa\u00edas (40,3-5), mas este profeta salienta que se trata de construir um caminho onde Deus se possa manifestar e que as pessoas possam percorrer sem obst\u00e1culos que as desorientem. J\u00e1 \u00e9 portanto um caminho feito com Deus, em que O tomamos por conselheiro e \u00abanimador\u00bb dos trabalhos de \u00abconvers\u00e3o\u00bb (mudan\u00e7a de mentalidade, segundo o termo grego \u00abmetan\u00f3ia\u00bb; por\u00e9m, no Antigo Testamento, sobressai o sentido bem concreto de tomar uma nova direc\u00e7\u00e3o).  <\/p>\n<p>\u00abThink positive\u00bb \u2013 ser\u00e1 o lema das leituras de hoje. Com efeito, n\u00e3o se referem apenas \u00e0 colheita \u00abno fim dos tempos\u00bb, mas ao semear e recolher nesta vida. Fazendo dos cuidados do mundo o caminho de Deus, descobrimos neles a alegria de quem se esfor\u00e7a pela Justi\u00e7a. A Justi\u00e7a \u00e9 o rem\u00e9dio que Deus parece propor para a cada vez mais necess\u00e1ria \u00absa\u00fade mental\u00bb. As depress\u00f5es, n\u00e3o nascem elas da injusti\u00e7a que nos rodeia e da qual cada um de n\u00f3s, \u00abpoderosos ou humildes\u00bb, pode ser conivente ou \u00ababstencionista\u00bb? <\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o da liturgia de hoje pede a Deus \u00abque os cuidados deste mundo n\u00e3o sejam obst\u00e1culo para caminhar generosamente ao encontro de Cristo\u00bb. Por\u00e9m, o resto da ora\u00e7\u00e3o mais parece pedinchar \u00abum lugarzinho no c\u00e9u\u00bb. Com ligeiras altera\u00e7\u00f5es, podia ficar assim: \u00abque a sabedoria do Alto\u00bb nos ajude a tirar bom proveito dos \u00abcuidados deste mundo\u00bb, sem nos afundarmos neles nem perdermos o sentido das coisas.<\/p>\n<p>Os \u00abcuidados do mundo\u00bb adquiriram, ao longo de mil\u00e9nios, o significado da excessiva preocupa\u00e7\u00e3o com o \u00abmundano\u00bb que impede o progresso espiritual e religioso. Os \u00abPadres do Deserto\u00bb, nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, quiseram libertar-se dos perigos do \u00abmundo\u00bb e \u00abtenta\u00e7\u00f5es da carne\u00bb, do orgulho, ambi\u00e7\u00e3o e de toda a maldade, refugiando-se na solid\u00e3o. Destas correntes e outras semelhantes, nasceu uma vis\u00e3o terrivelmente pessimista e negativa sobre o \u00abmundo\u00bb. O \u00abmundo\u00bb continua a ser a \u00abtudo aquilo que era bom\u00bb como projecto de Deus (G\u00e9nesis 1,3-25), mas \u00e9 tamb\u00e9m o espa\u00e7o-tempo onde o ser humano tem que escolher entre o bem e o mal. Como Jesus, os seus seguidores s\u00e3o \u00abenviados ao mundo\u00bb para darem testemunho da Justi\u00e7a, mas ser\u00e3o perseguidos pelas for\u00e7as do mal. Acontece que a confus\u00e3o deste mundo \u00e9 tanta que chegamos a pensar nele s\u00f3 como terreiro do mal. <\/p>\n<p>Verdade \u00e9 que ver\u00edamos mais claro, se houvesse mais tempo para meditar e reflectir \u2013 mas, \u00abneste mundo\u00bb, o tempo s\u00f3 \u00e9 dinheiro para demasiada gente, a come\u00e7ar pelos governos, empres\u00e1rios ou \u00abpatr\u00f5es\u00bb de toda a ordem (incluindo organiza\u00e7\u00f5es religiosas), e a acabar nos que sonham n\u00e3o ficar atr\u00e1s deles. Muita gente n\u00e3o tem tempo para meditar e para estar com a fam\u00edlia, porque se v\u00ea obrigada a lutar doidamente pelo m\u00ednimo de subsist\u00eancia ou para manter a posi\u00e7\u00e3o decente que alcan\u00e7aram \u2013 o eterno problema da justi\u00e7a social; num p\u00f3lo oposto, h\u00e1 quem se julgue \u00absuperior\u00bb por n\u00e3o \u00abdar tempo\u00bb aos outros. <\/p>\n<p>Na base de tudo, estar\u00e1 a pregui\u00e7a de pensar&#8230; que nos impede a sabedoria de colher alegria at\u00e9 nas l\u00e1grimas tristes. <\/p>\n<p>S\u00f3 dominamos e ganhamos tempo, se dermos tempo \u00e0 dimens\u00e3o espiritual e religiosa e ao conv\u00edvio sincero, que transformam em vida e em alegria os nossos \u00abcuidados\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu* * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-4454","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4454"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4454\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}