{"id":4470,"date":"2009-12-09T12:09:00","date_gmt":"2009-12-09T12:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4470"},"modified":"2009-12-09T12:09:00","modified_gmt":"2009-12-09T12:09:00","slug":"centenario-da-morte-de-madre-maria-ines-champalimaud-duff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/centenario-da-morte-de-madre-maria-ines-champalimaud-duff\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio da morte de Madre Maria In\u00eas Champalimaud Duff"},"content":{"rendered":"<p>Morreu no dia 10 de Dezembro de 1909, em Aveiro, onde foi prioreza e directora do Col\u00e9gio de Santa Joana. Querida do povo, h\u00e1 quem a venere como santa<\/p>\n<p>Maria Josefina Champalimaud Duff nasceu em Lisboa, na freguesia da Lapa, no dia 11 de Mar\u00e7o 1836, sendo filha de Roberto Aleixo Duff, um liberal ingl\u00eas, e de Ana Umbelina Champalimaud de Sousa Lixa e Castro, filha do general Ant\u00f3nio Champalimaud. Era um casal distinto na sociedade da capital, pelo seu nascimento e not\u00e1veis dotes de intelig\u00eancia e de cora\u00e7\u00e3o. Roberto Duff, apaixonado admirador do nosso grande \u00e9pico Lu\u00eds de Cam\u00f5es, publicou em 1880 a tradu\u00e7\u00e3o inglesa dos \u201cLus\u00edadas\u201d, com o t\u00edtulo \u201cThe Lusiad of Camoens\u201d. <\/p>\n<p>Seus pais deram-lhe uma cuidada educa\u00e7\u00e3o humana, intelectual e religiosa. Crescendo em Lisboa, tornou-se amiga \u00edntima de Teresa de Saldanha. Vulgarmente conhecida com o simples nome de Maria, colaborava na obra educativa da Associa\u00e7\u00e3o Protectora das Meninas Pobres. Durante muito tempo, ambas percorreram juntas as ruas e os bairros mais pobres da capital, socorrendo os necessitados.<\/p>\n<p>Sentindo o apelo de Deus a uma entrega mais radical, partiu para a Irlanda em 29 de Novembro de 1868, onde fez o Noviciado na Congrega\u00e7\u00e3o Dominicana de Santa Catarina de Sena. Recebeu o nome de Irm\u00e3 Maria In\u00eas do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e professou, em Drogheda, Irlanda, no dia 4 de Maio de 1870; regressou a Portugal em Dezembro do mesmo ano.<\/p>\n<p>Exerceu uma influ\u00eancia relevante nas primeiras Irm\u00e3s da Congrega\u00e7\u00e3o, quer como Mestra de Novi\u00e7as, minist\u00e9rio que assumiu em 1873 (sendo a primeira Mestra de Novi\u00e7as, de nacionalidade portuguesa), quer como conselheira e grande colaboradora de Teresa de Saldanha, na orienta\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi nomeada Prioresa da Comunidade em Aveiro e Directora do Col\u00e9gio de Santa Joana, no dia 6 de Novembro de 1884. A\u00ed permaneceu cerca de vinte e cinco anos, sempre com a responsabilidade dos mesmos cargos, exercendo ao mesmo tempo o m\u00fanus de Assistente Geral. Orientou o Col\u00e9gio de Santa Joana e a Aula Pobre, sendo muito querida de todos pela sua caridade. Como escreveu a Madre Maria de Santo Agostinho Pinto Basto Couceiro da Costa, na \u201cHist\u00f3ria da Congrega\u00e7\u00e3o\u201d, 1980, A.G.C., \u00abpol\u00edticos de relevo e gente de todo o tipo, ao serem recebidos por ela, confessavam que se julgavam em frente da Rainha Santa Isabel de Portugal, tal era a delicadeza do seu porte. Havia nela uma simpatia, uma suavidade e uma do\u00e7ura que a todos conquistava. Muita gente da cidade procurava o seu conselho. Os pobres viam nela uma m\u00e3e desvelada: quantas l\u00e1grimas secou, quanta pobreza envergonhada socorreu! A Madre Prioresa, como era conhecida em toda a cidade, era a consola\u00e7\u00e3o de todos os aflitos e a alegria de quantos a conheciam.\u00bb <\/p>\n<p>Em 1901, sofreu com o clima de hostilidade religiosa. Referiu a mesma autora: \u00abEst\u00e3o os \u00e2nimos de tal modo excitados contra a religi\u00e3o que n\u00e3o podemos deixar de ter cuidado pelo que pode acontecer. Na segunda-feira houve quem desse vivas e morras perto do Convento. Felizmente que o Frei Jos\u00e9 Lucas j\u00e1 se foi, pois parece que julgaram que era Jesu\u00edta. Em Lisboa tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7aram as desordens, segundo vejo nos jornais. \u00c9 preciso ter muita prud\u00eancia, mas quem pode livrar-nos de mentiras e cal\u00fanias?!&#8230; Confio em Nosso Senhor, e Santa Joana h\u00e1-de pedir por n\u00f3s e livrar-nos.\u00bb<\/p>\n<p>A Madre Maria In\u00eas foi poupada \u00e0 grande persegui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, pois faleceu no dia 10 de Dezembro de 1909, com setenta e quatro anos, em odor de santidade. O seu funeral foi uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica de gratid\u00e3o, saudade, amizade e reconhecimento da sua santidade. O povo chorava-a com a express\u00e3o: \u00abMorreu a m\u00e3e dos pobres.\u00bb Os jornais da cidade tamb\u00e9m deram esse testemunho. Ainda hoje muitos devotos acorrem ao seu t\u00famulo, no cemit\u00e9rio central de Aveiro, pedindo protec\u00e7\u00e3o e agradecendo benef\u00edcios.<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 Maria de S\u00e3o Gabriel Soveral, em carta remetida de Aveiro a uma prima, com a data de 27 de Dezembro, deixou este testemunho (A.G.C. Doc. 3423.): &#8211; \u00abA nossa Madre Maria In\u00eas tinha aqui ganho as simpatias de todas as pessoas, pelo seu tacto, bom senso e acolhimento que a todas fazia, sem distin\u00e7\u00e3o. Que o seu esp\u00edrito e o da Santa Princesa continuem a reinar nesta casa. N\u00e3o sei se leu alguns dos jornais daqui com artigos sobre ela; n\u00e3o lhe posso mandar nenhum porque se esgotaram todos num instante. O sentimento foi geral, todos lhe chamam santa. A peregrina\u00e7\u00e3o para a igreja e para o cemit\u00e9rio, onde esteve exposta toda a manh\u00e3 de domingo, n\u00e3o tinha fim e o povo n\u00e3o a queria deixar enterrar. Viram-se homens de posi\u00e7\u00e3o tocar-lhe com an\u00e9is, outras pessoas com ter\u00e7os, medalhas, flores, etc. Foi uma coisa extraordin\u00e1ria. Como a virtude \u00e9 reconhecida, mesmo neste mundo! Mas tamb\u00e9m agora \u00e9 que se sabe como a sua caridade chegava a tudo e aliviava tantas chagas corporais e espirituais; parece que n\u00e3o h\u00e1 pessoa em Aveiro que n\u00e3o lhe deva algum benef\u00edcio. Sendo t\u00e3o boa para com os de fora, pode compreender-se o que era para n\u00f3s e a falta que nos faz!\u00bb<\/p>\n<p>Em Aveiro, onde est\u00e1 sepultada, \u00e9 reconhecida como a m\u00e3e dos pobres. Dentre esses h\u00e1 a destacar os de etnia cigana. Ao seu t\u00famulo continua a acorrer muita gente, implorando gra\u00e7as e venerando-a como santa.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Rita Maria Nicolau, O.P.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu no dia 10 de Dezembro de 1909, em Aveiro, onde foi prioreza e directora do Col\u00e9gio de Santa Joana. 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