{"id":4579,"date":"2009-12-16T11:30:00","date_gmt":"2009-12-16T11:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4579"},"modified":"2009-12-16T11:30:00","modified_gmt":"2009-12-16T11:30:00","slug":"tempos-que-la-vao-recordacoes-que-se-avivam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tempos-que-la-vao-recordacoes-que-se-avivam\/","title":{"rendered":"Tempos que l\u00e1 v\u00e3o, recorda\u00e7\u00f5es que se avivam"},"content":{"rendered":"<p>Uma pedrada por semana <!--more--> Quando eu era crian\u00e7a n\u00e3o havia prendas de Natal aos montes, como h\u00e1 agora. A prenda era, normalmente, uma pe\u00e7a de roupa nova. A m\u00e3e, atenta ao que cada um precisava, guardava esse dia para lha comprar, mandar fazer e dar.<\/p>\n<p>Lembro-me das pequenas camisolas de Inverno, quentinhas e com cores; dos cal\u00e7\u00f5es novos que ia a correr buscar ao tio Joaquim Pio, o alfaiate l\u00e1 da terra; dos sapatos, feitos \u00e0 medida, com que sonhava, e que o tio Manuel sapateiro me enganava dizendo que, paci\u00eancia, n\u00e3o tido tempo de os fazer. Estes eram os presentes \u00fateis do Natal, da gente que tinha de contar os tost\u00f5es, mormente quando os filhos eram cinco, como no meu caso, todos a gastar e ainda nenhum a ganhar.<\/p>\n<p>Mas filh\u00f3s havia sempre, e l\u00e1 ia um pratinho delas para quem n\u00e3o as podia fazer, nem tinha fam\u00edlia por perto. O Natal era de todos e n\u00e3o deixava ningu\u00e9m de fora.<\/p>\n<p>A festa maior, por\u00e9m, era \u00e0 meia-noite, na igreja, com o pres\u00e9pio, o Menino, as luzes a acender e a apagar, o madeiro, os homens a entrar e a cantar em coro, como nunca os via antes.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou um nost\u00e1lgico. Mas preciso desta recorda\u00e7\u00e3o viva para me apaziguar c\u00e1 por dentro, nestes natais barulhentos de agora. Parece que estamos sempre \u00e0 espera que passem depressa, porque n\u00e3o trazem nada de novo que alegre, nem de presente que agrade.<\/p>\n<p>Quem manda agora \u00e9 a publicidade desenfreada, n\u00e3o a m\u00e3e carinhosa e atenta. E o Natal faz-se mais com a imagina\u00e7\u00e3o criativa das m\u00e3es do que com os montes de brinquedos sofisticados e variados, que fazem sonhar antes e, logo depois, j\u00e1 fazem aborrecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pedrada por semana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}