{"id":4630,"date":"2009-12-16T10:58:00","date_gmt":"2009-12-16T10:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4630"},"modified":"2009-12-16T10:58:00","modified_gmt":"2009-12-16T10:58:00","slug":"sinal-maravilhoso-que-enche-o-presente-e-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sinal-maravilhoso-que-enche-o-presente-e-o-futuro\/","title":{"rendered":"Sinal maravilhoso que enche o presente e o futuro"},"content":{"rendered":"<p>Tempos atr\u00e1s, a palavra solidariedade n\u00e3o era muito do agrado de pessoas desconfiadas das palavras que mexiam com sentimentos, por se pensar, ent\u00e3o, que elas eram pouco evang\u00e9licas e poluidoras de tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Para a baptizar, dado que cada dia se generalizava mais o seu uso, acrescentava-se \u00e0 solidariedade a express\u00e3o \u201cfraterna\u201d. Assim n\u00e3o havia confus\u00f5es e tentava-se para ela uma nova matriz, porventura menos laica. Tamb\u00e9m a gente grande que andava menos pelos espa\u00e7os religiosos pretendia imp\u00f4-la como um valor republicano, a contrastar com a caridade, de que ent\u00e3o se falava com desprezo e displic\u00eancia.<\/p>\n<p>Estas guerrilhas de gente pequena foram ultrapassadas pelo tempo, que n\u00e3o respeita sen\u00e3o o que merece ser respeitado.<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira solidariedade come\u00e7a onde n\u00e3o se espera nada em troca\u201d, diz o autor do \u201cPrincipezinho\u201d, Antoine Saint Exupery, um cora\u00e7\u00e3o lavado que deu valor \u00e0 paci\u00eancia de quem sabe esperar, aos pequenos gestos de amor, \u00e0 sabedoria em todas as suas formas. Publicou-se h\u00e1 pouco um livro, cujo t\u00edtulo \u00e9 ilustrativo e caminho aberto para quem olha os outros e o mundo com sentimentos de irm\u00e3o e de pessoa respons\u00e1vel. \u201cN\u00e3o h\u00e1 futuro sem solidariedade\u201d \u2013 assim se intitula. O autor \u00e9 Dion\u00edsio Tettamanzi, arcebispo de Mil\u00e3o.   <\/p>\n<p>Mas mais do que uma discuss\u00e3o de palavras, embora j\u00e1 ultrapassada, interessam os gestos que as traduzem em vida. Acabamos de ter conhecimento destes gestos bem eloquentes e significativos. <\/p>\n<p>Apesar do tempo ser de crise, o Natal aquece os cora\u00e7\u00f5es e tira-os da indiferen\u00e7a. Foi assim que o Banco Alimentar contra a Fome recolheu 2500 toneladas de alimentos, mais de 30% do que no ano passado. Em 1992 tinham-se recolhido 17,4 toneladas.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o Natal 2009 contou com a participa\u00e7\u00e3o de 27 mil volunt\u00e1rios. O voluntariado social \u00e9, tamb\u00e9m, uma forma de solidariedade que muitos v\u00e3o descobrindo e lhes permite uma melhor respira\u00e7\u00e3o interior, que vem sempre ao encontro de quem faz bem sem olhar a quem, e sem esperar em troca sen\u00e3o a alegria de que muitos beneficiaram de uma ajuda, an\u00f3nima e discreta.<\/p>\n<p>J\u00e1 existem em Portugal 17 Bancos Alimentares, integrados nos 282 que h\u00e1 no mundo. <\/p>\n<p>A solidariedade social \u00e9 um dos sinais dos tempos, mais vis\u00edveis e eficazes, ao alcance de todos os que andam por a\u00ed de olhos abertos e n\u00e3o dispensam, no seu horizonte habitual, os feridos da vida, que os tempos que correm multiplicam em espiral.<\/p>\n<p>Milhares de institui\u00e7\u00f5es de solidariedade, sem fins lucrativos, respondem, diariamente, a car\u00eancias sociais de toda a ordem. T\u00eam elas de se guardar da rotina e do desvirtuamento, sempre perigosos e \u00e0 espreita, quando alguns apoios v\u00eam do Estado que, por si, n\u00e3o faz caridade e condiciona, muitas vezes, a solidariedade a burocracias com pouca gratuidade e a interesses nem sempre claros.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito do Natal alimenta a solidariedade e os gestos de generosidade e fraternidade. N\u00e3o h\u00e1 que tirar-lhe esta riqueza, antes fazer que ela perdure, porque em todos os dias h\u00e1 gente que precisa e gente que pode ajudar. Os pobres, por exemplo, est\u00e3o sempre dispon\u00edveis para ajudar sem pap\u00e9is, sem juros, sem prazos, os mais pobres que eles.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei, porque normalmente n\u00e3o se diz, se na contagem dos milh\u00f5es de lucros das grandes empresas, privadas ou estatais, h\u00e1 prevista alguma al\u00ednea destinada aos pobres ou \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que deles cuidam todos os dias. Dar a quem precisa \u00e9 um gesto extraordinariamente rent\u00e1vel, do qual h\u00e1 gente que nunca n\u00e3o se apercebeu. <\/p>\n<p>Nada como p\u00f4r em pr\u00e1tica, porque \u00e9 este o modo pelo qual se mostra o valor das teorias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempos atr\u00e1s, a palavra solidariedade n\u00e3o era muito do agrado de pessoas desconfiadas das palavras que mexiam com sentimentos, por se pensar, ent\u00e3o, que elas eram pouco evang\u00e9licas e poluidoras de tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Para a baptizar, dado que cada dia se generalizava mais o seu uso, acrescentava-se \u00e0 solidariedade a express\u00e3o \u201cfraterna\u201d. 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