{"id":4653,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4653"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sentimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sentimos\/","title":{"rendered":"Sentimos"},"content":{"rendered":"<p>Cuidado de si <!--more--> Um dos desconhecidos do nosso tempo \u00e9 o sentimento. Equivocamo-nos ao julgarmos que o homem dos nossos dias vive dele. Quando muito, hoje, erigiu-se a emo\u00e7\u00e3o epid\u00e9rmica ao cargo de guia do nosso agir. Talvez por contraponto a um frio racionalismo adultiforme, que caracterizou gera\u00e7\u00f5es anteriores. O sentimento, esse ignoto, permanece na sombra das nossas viv\u00eancias, qual estrangeiro, ora como obst\u00e1culo \u00e0 tomada de decis\u00f5es \u00abracionais\u00bb &#8211; diz-se -, ora como preconceito definidor de g\u00e9nero ou de caracter\u00edsticas da personalidade. A este estado de coisas chamou-se \u00abanalfabetismo emocional\u00bb ou, numa terminologia mais dif\u00edcil, \u00abiliteracia emocional\u00bb. <\/p>\n<p>A arte de cuidarmos de n\u00f3s pr\u00f3prios tem de fazer o caminho inverso. Sugere-nos, antes de mais, que tomemos consci\u00eancia de que sentimos. Um exerc\u00edcio muito simples facilita-nos a tarefa: verbalizar em voz alta o fluxo da nossa vida interior completando a frase \u00abNeste momento, sinto&#8230; (tristeza, alegria, raiva, ternura&#8230;)\u00bb. Mas n\u00e3o chega. \u00c9 fundamental identificar, dar um nome, \u00e0 emo\u00e7\u00e3o que sentimos, j\u00e1 que cada emo\u00e7\u00e3o veicula informa\u00e7\u00e3o diferenciada. Se o leitor elaborar uma lista dos sentimentos e emo\u00e7\u00f5es que conhece, aprender\u00e1 a etiquetar o que vai sentindo, criando assim uma esp\u00e9cie de l\u00e9xico do cora\u00e7\u00e3o. O momento fulcral na gest\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 o de as experimentarmos, ficando com elas, aceitando-as, dando-lhes as boas-vindas, independentemente de convidarem \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o (alegria, ternura&#8230;), ao afastamento (raiva, medo&#8230;) ou ao iso-lamento (tristeza&#8230;). Como as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o mensageiras que nos informam sobre o que se est\u00e1 a passar connosco, quando interagimos com o mundo, com os outros e connosco pr\u00f3prios, \u00e9 fundamental que lhes prestemos aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pequeno itiner\u00e1rio acabado de enunciar \u00e9 apenas o primeiro passo da intelig\u00eancia emocional. Outros passos se seguir\u00e3o: a express\u00e3o, ou n\u00e3o, dos sentimentos (silenciar, explodir, ou exprimir adequadamente?) e, sobretudo, a integra\u00e7\u00e3o do sentimento com a raz\u00e3o. Como diz A. Dam\u00e1sio, \u00ab\u00e9 perigoso pensar que as emo\u00e7\u00f5es decidem por n\u00f3s [&#8230;], pensar que o aparelho das emo\u00e7\u00f5es e dos sentimentos \u00e9 um aparelho autom\u00e1tico, sem delibera\u00e7\u00e3o humana\u00bb. E \u00e9 precisamente nesta conjuga\u00e7\u00e3o entre cabe\u00e7a (raz\u00e3o) e cora\u00e7\u00e3o (sentimento) que o nosso agir resulta criativo e plenamente humano. O canadiano L. Greenberg (psicoterapeuta fundador da Terapia Centrada nas Emo\u00e7\u00f5es) afirma que \u00aba intelig\u00eancia emocional implica que as nossas emo\u00e7\u00f5es nos mobilizem para a ac\u00e7\u00e3o e que a nossa raz\u00e3o nos oriente no agir [&#8230;]\u00bb.<\/p>\n<p>Sendo certo que ami\u00fade oscilamos entre o emocionalismo desenfreado (pensamos com o cora\u00e7\u00e3o) e o racionalismo calculista (sentimos com a cabe\u00e7a), o cuidado de si postula uma terceira via: a educa\u00e7\u00e3o dos sentimentos. Mas a quest\u00e3o que aqui deixo a ressoar \u00e9: onde aprender esta arte e quem a ensinar\u00e1 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es? Estar\u00e1 a fam\u00edlia preparada para favorecer esta aprendizagem? E a escola? E as in\u00fameras ag\u00eancias educativas e de socializa\u00e7\u00e3o? Ou teremos todos de entrar em terapia, para sabermos o que s\u00e3o as emo\u00e7\u00f5es e os sentimentos, como funcionam e o que podem fazer por n\u00f3s?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuidado de si<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4653","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4653\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}