{"id":4656,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4656"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"os-crucifixos-das-escolas-e-as-alminhas-das-estradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-crucifixos-das-escolas-e-as-alminhas-das-estradas\/","title":{"rendered":"Os crucifixos das escolas e as alminhas das estradas&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Quando h\u00e1 anos saudei o Dr. Manuel Alegre, ent\u00e3o respons\u00e1vel do Minist\u00e9rio da Comunica\u00e7\u00e3o Social, para lhe desejar o melhor \u00eaxito, num campo ainda muito armadilhado mas de grande alcance p\u00fablico, tinha eu, ao tempo, igual responsabilidade no mesmo sector da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Recebi dele um cart\u00e3o de agradecimento, muito expressivo e gentil. Nele me dizia que o PS sempre respeitaria a Igreja, pois tinha consci\u00eancia de que a hist\u00f3ria de Portugal n\u00e3o se pode fazer, sem ter presente a ac\u00e7\u00e3o da Igreja ao longo dos s\u00e9culos. <\/p>\n<p>A Igreja era, ent\u00e3o, tida como uma benem\u00e9rita do povo, que atravessava o tempo.<\/p>\n<p>As pessoas cultas, crentes ou agn\u00f3sticas, respeitam, sem favor, a verdade hist\u00f3rica e percebem nela o entrela\u00e7ado que a tece e o dinamismo que a comanda. S\u00f3 por cegueira ou preconceito, se pode turvar \u00e1gua limpa que jorra e corre para bem de todos.<\/p>\n<p>Apareceu h\u00e1 tempos uma associa\u00e7\u00e3o, da qual n\u00e3o se discute a legitimidade de ser o que quiser, com o objectivo, por exig\u00eancia do laicismo, de apagar sinais do cristianismo, conspurcar a ac\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Igreja, fazer t\u00e1bua rasa de valores morais e religiosos da nossa tradi\u00e7\u00e3o e cultura. O alvo \u00e9 sempre a Igreja Cat\u00f3lica, como se os seus membros respons\u00e1veis fossem um grupo de bandoleiros que pretendem impedir a luz e os ventos que sopram da Europa laica. E o bra\u00e7o pol\u00edtico, temer\u00e1rio e submisso ante pequenos grupos aguerridos, parece entrar na campanha, t\u00e3o pobre de cultura, como de cidadania.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 a ca\u00e7a aos crucifixos que, depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, ainda se v\u00eaem em algumas escolas do Estado. Temo-los visto, aqui e ali, por vezes limpos e com flores, e, tamb\u00e9m, com p\u00f3 e teias de aranha. V\u00e1 l\u00e1 limp\u00e1-los quem \u00e9 pago pelo estado laico!&#8230;<\/p>\n<p>O Crucifixo! O mais significativo gesto de amor da hist\u00f3ria humana, com sinais de s\u00e9culos na bandeira nacional, agora ofende o laicismo!&#8230; A senhora Ministra j\u00e1 deu ordens para que se saiba das transgress\u00f5es, se tomem provid\u00eancias, se acabe com o esc\u00e2ndalo do que resta ainda de sinal religioso nas escolas. A inquiri\u00e7\u00e3o, segundo a den\u00fancia feita, atinge ainda os que permitem estranhos a falar de Deus nas escolas. <\/p>\n<p>O grande problema da educa\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9, ent\u00e3o, a exist\u00eancia de sinais religiosos que desorientam crian\u00e7as e n\u00e3o respeitam o laicismo de todos! Os professores que educam crian\u00e7as concretas, em terras e fam\u00edlias concretas, n\u00e3o podem ter crit\u00e9rios educativos pr\u00f3prios, a menos que sejam crit\u00e9rios laicos\u2026 O Estado \u00e9 o dono das crian\u00e7as e seu protector. Os pais que n\u00e3o se metam onde n\u00e3o s\u00e3o chamados, tanto mais que h\u00e1 agora gente laica, que ningu\u00e9m conhece, preocupada com os seus filhos\u2026  <\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o zelosa por defender \u201co espa\u00e7o p\u00fablico que garanta a laicidade de todos\u201d, que n\u00e3o me admiro que venha a pedir tamb\u00e9m a retirada dos s\u00edmbolos religiosos da bandeira nacional, onde est\u00e3o desde h\u00e1 s\u00e9culos, e a exigir a destrui\u00e7\u00e3o das \u201calminhas\u201d, devo\u00e7\u00e3o do povo \u201cignorante\u201d, espalhadas por essas estradas do pa\u00eds, a poluir os horizontes de todos e a incomodar os n\u00e3o crentes inc\u00f3modos. N\u00e3o me admiro que se mova uma cruzada que expurgue das vias publicas tudo quanto \u00e9 nome de santo, de igreja e convento, e se ordene um bota abaixo de est\u00e1tuas de gente ligada \u00e0 religi\u00e3o crist\u00e3, porque as ruas e pra\u00e7as de todos s\u00e3o precisas agora para personagens da fam\u00edlia laica a promover, gente de que ningu\u00e9m conhece pai nem m\u00e3e, nem feitos que mere\u00e7am honras\u2026 Um vendaval de zelo anti crist\u00e3o, mais sofisticado que o da I Rep\u00fablica, que prometeu acabar com a religi\u00e3o em poucas gera\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>Tudo em nome da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Esta consagra, de facto, a separa\u00e7\u00e3o da Igreja e do Estado ou o Estado n\u00e3o confessional. Todos aceitamos ser este um regime actual e ben\u00e9fico. Mas \u00e9 isto o \u201cestado laico\u201d, que parece querer uma guerra religiosa, t\u00e3o tola como fora do tempo? Se entramos num regime pidesco que, sob pretens\u00e3o de legalidades, se p\u00f5e a agir, desprezando o bom senso e o povo que n\u00e3o \u00e9 \u00f3rf\u00e3o e sabe o que quer, certamente que n\u00e3o \u00e9 a paz o que procuram ou pretendem os novos laicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando h\u00e1 anos saudei o Dr. Manuel Alegre, ent\u00e3o respons\u00e1vel do Minist\u00e9rio da Comunica\u00e7\u00e3o Social, para lhe desejar o melhor \u00eaxito, num campo ainda muito armadilhado mas de grande alcance p\u00fablico, tinha eu, ao tempo, igual responsabilidade no mesmo sector da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Recebi dele um cart\u00e3o de agradecimento, muito expressivo e gentil. 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