{"id":4673,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4673"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"consciencia-contemporanea-e-exercicio-do-magisterio-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/consciencia-contemporanea-e-exercicio-do-magisterio-i\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia contempor\u00e2nea e exerc\u00edcio do magist\u00e9rio (I)"},"content":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II <!--more--> Em resposta ao apelo de Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclia Ut Unum Sint, o te\u00f3logo Bernard Sesbou\u00e9, no seu livro Magist\u00e9rio em Quest\u00e3o &#8211; Autoridade, verdade e liberdade na Igreja -, faz algumas reflex\u00f5es que nos poder\u00e3o situar no caminho da compreens\u00e3o do exerc\u00edcio e da recep\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio nos nossos dias. <\/p>\n<p>1 &#8211; Evolu\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel da consci\u00eancia moderna. A maioria dos nossos contempor\u00e2neos assume uma atitude de consci\u00eancia adulta, sens\u00edvel: \u00e0 exig\u00eancia de respeito pela liberdade humana; \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio da autoridade; a tudo o que seja percebido como exclus\u00e3o; ao desejo de ser associado \u00e0 tarefa da procura da verdade; \u00e0 autoridade concebida como imposi\u00e7\u00e3o do alto.<\/p>\n<p>2 &#8211; Uma nova figura da f\u00e9. O crescente n\u00famero de catec\u00famenos adultos e o regresso de outros \u00e0 pr\u00e1tica religiosa \u00e9 portador de uma nova figura de f\u00e9: a pessoa humana j\u00e1 n\u00e3o nasce crist\u00e3, mas torna-se crist\u00e3 por decis\u00e3o livre, retomando a ideia de Tertuliano nascitur homo, fit christianus. Nestas circunst\u00e2ncias, a perspectiva do convite substitui a da obriga\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s no seguimento do Vaticano II, que, ao falar sobre a Revela\u00e7\u00e3o, a descreve como uma interpela\u00e7\u00e3o de Deus ao ser humano, a quem fala como a um amigo (Cf. DV 2). Com um retorno claro ao Evangelho, esta nova figura de f\u00e9 busca a coer\u00eancia do ritual com o existencial, a solidariedade entre o discurso e a ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3 &#8211; Uma nova figura da vida eclesial. Emergem novas formas de vida comunit\u00e1ria; mas, sobretudo, nova maneira de conceber a vida eclesial como correspons\u00e1vel e participada. Multiplica-se a diversidade de iniciativas e movimentos, com novos contornos comunit\u00e1rios de vida e de empenhamento apost\u00f3lico &#8211; facto eclesial novo, pelo qual o Esp\u00edrito fala \u00e0s Igrejas. A experi\u00eancia sinodal em muitas Dioceses \u00e9 tamb\u00e9m uma manifesta\u00e7\u00e3o clara desta nova figura. Em face disto, a circula\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de energias entre as Igrejas e os diversos c\u00edrculos nas Igrejas tem de encontrar outros equil\u00edbrios.<\/p>\n<p>A liberdade religiosa, sublinhada pelo Vaticano II, como tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e as outras religi\u00f5es e a sociedade, n\u00e3o podem deixar de exercer um impacto na vida da Igreja. <\/p>\n<p>Estes s\u00e3o sinais de uma influ\u00eancia da sensibilidade da consci\u00eancia moderna na vida da Igreja, os quais revelam: que o exerc\u00edcio do magist\u00e9rio se confronta com outra realidade, pelo que, fiel \u00e0 mesma miss\u00e3o, ter\u00e1 de se fazer em atitude e express\u00f5es diferentes; que as condi\u00e7\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o do mesmo magist\u00e9rio se alteraram, em considera\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica, mas seguramente mais consistente.<\/p>\n<p>(continua no pr\u00f3ximo n\u00famero)<\/p>\n<p>Querubim Silva <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-4673","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4673"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4673\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}