{"id":4690,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4690"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-ovelha-perdida-parte-i-o-caso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-ovelha-perdida-parte-i-o-caso\/","title":{"rendered":"A ovelha perdida &#8211; Parte I, o caso"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 casos vitais e situa\u00e7\u00f5es limite, em termos de relacionamentos humanos, que exigem uma aten\u00e7\u00e3o especial. Era domingo, dia das m\u00faltiplas missas e reuni\u00f5es. Soubemos, ao fim da manh\u00e3, j\u00e1 com duas missas rezadas (faltavam tr\u00eas, mas s\u00f3 celebraria mais duas&#8230; uma comunidade desmarcou a \u201cmissa\u201d, pela terceira vez consecutiva&#8230;), que, na cidade Mata Roma, tinha acontecido, na v\u00e9spera, um homic\u00eddio \u201cpassional\u201d, executado violentamente com 5, 6 ou 7 facadas, sobre um homem casado, por causa do \u201cnamoro\u201d deste com a mulher do lesado.<\/p>\n<p>O homem que foi morto, casado \u201cprimeira vez\u201d no padre, depois de todo o \u201cbrilhante\u201d percurso religioso: baptizado, crismado, l\u00edder de comunidade&#8230;; por\u00e9m \u201cmantinha\u201d duas mulheres e respectivos agregados. Ele a v\u00edtima, electricista, apanhado de surpresa, ainda reagiu dando tiros; mas os ferimentos v\u00e1rios e a perda de sangue, apesar da assist\u00eancia m\u00e9dica e tentativa de transporte para a capital do Estado, em S\u00e3o Lu\u00eds, foram incontrol\u00e1veis e veio a falecer. <\/p>\n<p>O homicida, magarefe (carniceiro habituado aos cortes da carne, triste e macabra ironia&#8230; para os amores de \u201cpula cerca\u201d, express\u00e3o da cultura popular para o crime de adult\u00e9rio) cometeu o homic\u00eddio e fugiu de mota. Para completar a trag\u00e9dia, tr\u00eas dias depois chegou-nos a not\u00edcia, efectuou o suic\u00eddio por enforcamento.<\/p>\n<p>Alguns familiares do morto contactaram, indirectamente, os servi\u00e7os paroquiais para obterem a autoriza\u00e7\u00e3o de \u201czelarem e homenagearem\u201d o morto na igreja matriz. Era dia de domingo, mas como sabemos a morte n\u00e3o usa agenda; ele estava vindo de S\u00e3o Lu\u00eds, para ser enterrado, imediatamente, em raz\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es do cad\u00e1ver. Para al\u00e9m da ignor\u00e2ncia religiosa que supunha poder dar-se a \u201cextrema un\u00e7\u00e3o\u201d depois da morte&#8230; at\u00e9 ao facto de n\u00e3o compreenderem, que nesse dia, havia Exposi\u00e7\u00e3o e Adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo, durante toda a tarde, o que impossibilitava a \u201cvig\u00edlia\u201d do cad\u00e1ver na igreja. Chegou-se a uma \u201cplataforma de entendimento\u201d. No fim da missa, o corpo poderia passar um tempo de ora\u00e7\u00e3o na matriz, de passagem para a sua resid\u00eancia no interior perto da cidade, onde tamb\u00e9m seria velado.<\/p>\n<p>Dez minutos depois de terminada a missa, entra o cad\u00e1ver, os familiares e uma multid\u00e3o de curiosos. Ordem e respeito, respeito e ordem, era a tentativa de conten\u00e7\u00e3o de todos os sentimentos. Breve encomenda\u00e7\u00e3o prevista no ritual; palavras de circunst\u00e2ncia, que raramente atingem c\u00e9rebros e s\u00f3 cora-\u00e7\u00f5es. Presenciei ent\u00e3o uma expe-ri\u00eancia, que nunca vou esquecer: durante uma hora \u201cdesfilou\u201d o cortejo, sem interrup\u00e7\u00f5es, de crian\u00e7as, jovens, adultos e velhinhos, com Curiosidade de VER o rosto do morto; isso s\u00f3 foi poss\u00edvel, atrav\u00e9s de um vidro, sem poder ser tocado. Conseguimos, junto com o coral, ac\u00f3litos e demais agentes, que o respeito m\u00ednimo fosse observado, pela multid\u00e3o que em peso estava presente; at\u00e9 os irm\u00e3os crentes, da Igreja Assembleia de Deus, entraram na fila. \u201c- Vamos circular&#8230; n\u00e3o fique parado&#8230;\u201d, era o refr\u00e3o exaustivamente repetido, para evitar certos exageros&#8230; dif\u00edceis de controlar nestas express\u00f5es da cultura e religiosidade populares.<\/p>\n<p>(\u201cA ovelha perdida &#8211; Parte II, a reflex\u00e3o\u201d ser\u00e1 publicada no dia 16 de Junho)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 casos vitais e situa\u00e7\u00f5es limite, em termos de relacionamentos humanos, que exigem uma aten\u00e7\u00e3o especial. Era domingo, dia das m\u00faltiplas missas e reuni\u00f5es. 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