{"id":4691,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4691"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sr-padre-quero-uma-missa-so-pra-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sr-padre-quero-uma-missa-so-pra-mim\/","title":{"rendered":"&#8220;Sr. Padre, quero uma missa s\u00f3 p&#8217;ra mim&#8221;!&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> Ningu\u00e9m ignora que a Igreja \u00e9, por ess\u00eancia, comunit\u00e1ria. Pertencendo \u00e0 Igreja, somos membros uns dos outros, embora em actividades e express\u00f5es diferenciadas. O espec\u00edfico de cada um, devidamente integrado, \u00e9 que realiza o todo. E se h\u00e1 valores que se perderam na Igreja, este \u00e9 certamente um deles e um dos mais importantes.<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 mais igrejas do que Igreja, h\u00e1 mais individualismo do que comunidade. \u201cA minha f\u00e9\u201d aparece muit\u00edssimas vezes em franca oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 da Igreja e o sentido comunit\u00e1rio anda longe das nossas express\u00f5es p\u00fablicas. As nossas igrejas tornaram-se quase como um transporte p\u00fablico: amontoados de gente. Por\u00e9m, reunir muita gente no mesmo espa\u00e7o f\u00edsico n\u00e3o significa criar rela\u00e7\u00e3o. Pessoas h\u00e1, e s\u00e3o aos milhares, que se encontram fisicamente todos os dias, que trabalham lado a lado, e que se mant\u00eam friamente afastadas umas das outras. Quanta solid\u00e3o para milhares de pessoas que nunca est\u00e3o sozinhas!<\/p>\n<p>A Igreja \u00e9 v\u00edtima tamb\u00e9m desta \u201cdoen\u00e7a\u201d que mata o mais profundo das nossas vidas. \u00c9 que estar na igreja n\u00e3o significa necessariamente estar em Igreja, porque igreja \u00e9 espa\u00e7o f\u00edsico e Igreja \u00e9 comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o, corresponsabilidade. Poder\u00edamos passar alguns \u201cslides\u201d e facilmente dar\u00edamos conta de se estar perante uma indesment\u00edvel realidade. O \u201cslide\u201d que passo hoje, n\u00e3o \u00e9 de agora, mas ainda mant\u00e9m muitos partid\u00e1rios. Sendo embora uma nega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja, ele se desenvolveu e foi alimentado ao longo dos s\u00e9culos: o individualismo ainda latente, a pretender superiorizar-se ao sentido de comunh\u00e3o. Esse individualismo desenvolveu-se muito ao longo da hist\u00f3ria, instalou-se nos comportamentos e na mentalidade, e hoje \u00e9 ainda a \u201cerva daninha\u201d da nossa sociedade e da nossa Igreja. Os \u201cherbicidas\u201d que o Conc\u00edlio Vaticano II lan\u00e7ou n\u00e3o conseguiram, at\u00e9 agora, queimar as suas ra\u00edzes mais profundas, e, por isso, em qualquer lado e em qualquer momento, voltam a surgir novas \u201cervas\u201d desse individualismo. Precisamos de estar precavidos.<\/p>\n<p>Foi apenas mais uma vez: \u201cSr. Padre, n\u00e3o me poder\u00e1 celebrar uma missa? Mas queria s\u00f3 para mim. Se pudesse ser&#8230;\u201d. Para al\u00e9m de tudo o mais, ego\u00edsmo, individualismo, eventualmente vaidade ou racismo, estamos perante um disparate teol\u00f3gico. Na verdade, s\u00f3 quem n\u00e3o entende nada de missa \u00e9 que pode pensar e pedir uma coisa destas. \u201cMas n\u00e3o tenho direito porqu\u00ea?\u201d, dir-se-\u00e1. <\/p>\n<p>A reflex\u00e3o que se me oferece fazer \u00e9, em primeiro lugar, esta: terei eu direito a reclamar para mim, como exclusivo, aquilo que \u00e9 claramente de todos? Seria de todo impens\u00e1vel que algu\u00e9m pudesse reclamar apenas para si o Sol, o Mar, o Ar, o P\u00e3o, a \u00c1gua. O Sol tanto aquece cinco pessoas na praia, como cem mil, e ningu\u00e9m rouba nada a ningu\u00e9m. E Deus \u00e9 maior do que o Sol, chega para todos, e chega abundan-temente. Poder-se-ia, contudo, alegar que uma missa por muitos e para muitos seria como um p\u00e3o dividido por uma multid\u00e3o: n\u00e3o daria a cada um mais que uma migalha. Que rid\u00edcula atitude esta de medirmos Deus pelas nossas pequenas r\u00e9guas! Que atrevimento pretendermos meter nos nossos finitos e, \u00e0s vezes, mesquinhos recipientes, o mar infinito de Deus. <\/p>\n<p>Por outro lado, a missa, porque \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o sacramental, nunca \u00e9 um acto individual e muito menos pode ser individualizada. Mesmo que o sacerdote a celebrasse sem participantes ou assistentes, ela n\u00e3o deixaria nunca de ser uma ac\u00e7\u00e3o de toda a Igreja. N\u00e3o quero questionar-me sobre se o sacerdote deve ou n\u00e3o deve celebrar missa sozinho (fisicamente, claro!). T\u00e3o-somente refiro que todos os sacramentos s\u00e3o actos de todos e para todos. <\/p>\n<p>Acrescento ainda que, se algu\u00e9m continua a teimar que uma missa por muitos pouco ou nada adianta, pergunto o que pensar das missas celebradas pelas almas do Purgat\u00f3rio? Quantas s\u00e3o? E as missas celebradas por Todos os Fi\u00e9is Defuntos? Quantos s\u00e3o? A riqueza dos dons de Deus tornar-se-ia numa extrema pobreza! Diga-se tamb\u00e9m que reduzir a missa a uma ora\u00e7\u00e3o pelos mortos \u00e9 continuar a n\u00e3o entender nada, mesmo nada de missa.<\/p>\n<p>A missa \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de todos e para todos, como referi. Todos rezamos por todos, todos rezamos com todos. Na missa n\u00e3o h\u00e1 nem pode haver lugar para ora\u00e7\u00f5es particulares, porque tudo aquilo que \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o de um tem de ser preocupa\u00e7\u00e3o de todos, tudo aquilo que \u00e9 louvor de um tem de ser, necessariamente, louvor de todos. Por isso, estar a \u201ccochichar\u201d as ora\u00e7\u00f5ezinhas particulares durante a missa \u00e9 estar a adulterar o que h\u00e1 de mais profundo na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o; estar a rezar o ter\u00e7o&#8230; isso era h\u00e1 quarenta anos, quando a missa era em latim! Ou ser\u00e1 que se aproveita a oportunidade de \u201ccom uma cajadada matar dois coelhos\u201d? Quem assim continua a pensar e a agir n\u00e3o sabe o que \u00e9 a Igreja, porque n\u00e3o a entende como um Corpo, como um mist\u00e9rio de Comunh\u00e3o, animada por um mesmo Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Assim, pois, na missa, celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da nossa f\u00e9, precisamos de estar numa perfeita comunh\u00e3o com as pessoas, com o mundo, com a vida e com Deus. N\u00e3o \u00e9 Deus que tem de ser \u00e0 nossa medida, mas n\u00f3s \u00e0 medida de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4691","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4691"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4691\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}