{"id":4698,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4698"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"consciencia-contemporanea-e-exercicio-do-magisterio-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/consciencia-contemporanea-e-exercicio-do-magisterio-ii\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia contempor\u00e2nea e exerc\u00edcio do magist\u00e9rio (II)"},"content":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II <!--more--> Continuamos a exposi\u00e7\u00e3o do pensamento de B. Sesbou\u00e9, como resposta ao apelo de Jo\u00e3o Paulo II para se reflectir o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio petrino da comunh\u00e3o, em moldes que o tornem eficiente e promotor da unidade nos tempos que vivemos. <\/p>\n<p>1 &#8211; A Igreja deve perceber que vive em contexto de uma sociedade pluralista. Tal significa um enfraquecimento da sua autoridade normativa, no seio dos seus pr\u00f3prios fi\u00e9is. Agora uma inst\u00e2ncia de refer\u00eancia entre outras, a sua fala s\u00f3 pode revestir um tom de convite e de proposta.<\/p>\n<p>2 &#8211; Podemos mesmo dizer que se desintegrou uma cultura cat\u00f3lica, diluindo-se, com isso, tamb\u00e9m a sua fun\u00e7\u00e3o dominante de integra\u00e7\u00e3o social. De algum modo, h\u00e1 uma transfer\u00eancia de \u201cbens\u201d antropol\u00f3gicos e culturais do cristianismo para a sociedade global, que os pode acolher, mas j\u00e1 n\u00e3o a t\u00edtulo de valores crist\u00e3os. <\/p>\n<p>3 &#8211; De tudo isto resulta um conflito de \u201cethos\u201d (moral): hoje e no futuro, o magist\u00e9rio da Igreja deve dirigir-se a pessoas adultas, capazes de reflex\u00e3o e julgamento, em clima de confian\u00e7a e f\u00e9 m\u00fatuas. O que quer dizer que \u00e9 necess\u00e1rio superar este hiato desastroso de uma autoridade que se afirmava de maneira forte e coerciva, para, sem se tornar \u201cmanga larga\u201d, se manifestar como aceita\u00e7\u00e3o do direito ao di\u00e1logo, \u00e0 partilha de experi\u00eancia, ao debate.<\/p>\n<p>4 &#8211; Tudo isto abre caminho a uma reavalia\u00e7\u00e3o de procedimentos, mais pacientes, mais lentos, mas seguramente mais eficazes e duradouros. A regula\u00e7\u00e3o da f\u00e9 tender\u00e1 a alterar-se, quanto ao seu conte\u00fado e ao seu modo de exerc\u00edcio. \u00c9 verdade que cabe ao Magist\u00e9rio interpretar autoritativamente a Mensagem apost\u00f3lica. Mas a preocupa\u00e7\u00e3o h\u00e1-de ser de se fixar no fundamental e de, perante os problemas novos, deixar livre o terreno \u00e0 reflex\u00e3o e ao di\u00e1logo pelo tempo suficiente. Carta magna deste exerc\u00edcio continua a poder ser o ad\u00e1gio indevidamente atribu\u00eddo a Santo Agostinho: In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas (Unidade no que \u00e9 necess\u00e1rio, liberdade no que \u00e9 duvidoso, caridade em tudo).<\/p>\n<p>5 &#8211; Imp\u00f5e-se uma nova forma de gerir a verdade, que retome a preocupa\u00e7\u00e3o do primeiro mil\u00e9nio &#8211; a preocupa\u00e7\u00e3o de afirmar a obedi\u00eancia necess\u00e1ria \u00e0 mensagem original, a verdade do Evangelho, fundamento da pr\u00f3pria autoridade da Igreja. Ou seja: algo \u00e9 verdade n\u00e3o porque a Igreja, leg\u00edtima autoridade, o ensina, mas porque a mensagem evang\u00e9lica o imp\u00f5e. As credenciais do discurso do Magist\u00e9rio devem ser, cada vez mais, as da Escritura e da Tradi\u00e7\u00e3o. E, por outro lado, sendo o Evangelho inesgot\u00e1vel, reclama-se a din\u00e2mica de Agostinho: procurar para encontrar; encontrar para procurar sempre mais.<\/p>\n<p>6 &#8211; Tendo a teologia uma miss\u00e3o eclesial espec\u00edfica, seja de investigar os dados da Revela\u00e7\u00e3o, seja de mediar o ensino do Magist\u00e9rio para que se torne acolhido e vivido pelo povo crist\u00e3o, s\u00f3 um clima de coopera\u00e7\u00e3o confiante e fecunda poder\u00e1 gerir as rela\u00e7\u00f5es da Teologia com o Magist\u00e9rio. Se a \u201cteologia perif\u00e9rica\u201d deu um contributo t\u00e3o grande ao Vaticano II, como n\u00e3o voltar a superar o clima de suspeita e de medo, que, entretanto, se instalou?<\/p>\n<p>(continua ainda no pr\u00f3ximo n\u00famero)<\/p>\n<p>Querubim Silva <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-4698","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4698","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4698\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}