{"id":4717,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4717"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"trabalhar-e-cooperar-com-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/trabalhar-e-cooperar-com-deus\/","title":{"rendered":"Trabalhar \u00e9 cooperar com Deus"},"content":{"rendered":"<p>Dias positivos <!--more--> 1. A prop\u00f3sito da entrada de Portugal na CEE, da globaliza\u00e7\u00e3o, das importa\u00e7\u00f5es chinesas, da competitividade, do alargamento da Uni\u00e3o Europeia a Leste, do d\u00e9fice&#8230; ouve-se sempre o mesmo imperativo: \u00c9 preciso trabalhar mais, produzir mais e melhor. Dizer s\u00f3 que \u201c\u00e9 preciso trabalhar mais\u201d n\u00e3o chega. Mesmo que seja preciso trabalhar mais, \u00e9 preciso faz\u00ea-lo com intelig\u00eancia, criatividade e melhor organiza\u00e7\u00e3o. Qualidade, e n\u00e3o apenas quantidade.<\/p>\n<p>2. Este \u201ctrabalhar mais e melhor\u201d, quando se aproximam os dias quentes e apetece antes estar na esplanada ou na praia, faz lembrar uma curiosa li\u00e7\u00e3o a um grupo de jovens da diocese, corria o ano de 1994. Manuel Alte da Veiga, que agora vai coordenar a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o sobre Fam\u00edlia, do ISCRA, falava a convite do Secretariado da Pastoral Juvenil. Dizia o professor da Universidade do Minho que os povos do sul da Europa, maioritariamente latinos, entendiam o trabalho de um modo distinto do dos povos do norte da Europa, onde predominam as l\u00ednguas germ\u00e2nicas. Para estes, a palavra \u201ctrabalho\u201d (\u201cwork\u201d, em ingl\u00eas), tem origem na germ\u00e2nica \u201cwerke\u201d, que significa energia, for\u00e7a. E \u00e9 f\u00e1cil perceber: nos pa\u00edses frios do norte da Europa, trabalhar aquece. O contr\u00e1rio de trabalhar \u00e9 ficar com frio, sem energia, sem calor. Trabalhar \u00e9 fundamentalmente positivo.<\/p>\n<p>Ora nas l\u00ednguas latinas, \u201ctrabalho\u201d (ou \u201ctravail\u201d, em franc\u00eas, e \u201ctrabajo\u201d, em espanhol) tem origem no latim \u201ctri-palium\u201d. E o que era o \u201ctripalium\u201d? Era uma tortura que consistia em enfiar tr\u00eas pauzinhos entre as unhas e a polpa dos dedos. Nada de agrad\u00e1vel, portanto. Onde o clima \u00e9 quente, o trabalho \u00e9 uma tortura. Trabalhar \u00e9 algo de negativo.<\/p>\n<p>3. A rela\u00e7\u00e3o entre clima e modo de entender o trabalho parece uma explica\u00e7\u00e3o demasiado simplista para o subdesenvolvimento dos povos dos pa\u00edses quentes, mas a verdade \u00e9 que \u00e9 levada a s\u00e9rio, como por exemplo pelo conceituado estudioso do desenvolvimento dos povos, David S. Landes (em \u201cA riqueza e a Pobreza das Na\u00e7\u00f5es\u201d defende que a produtividade em pa\u00edses como a \u00cdndia e o Brasil aumenta com o n\u00famero de aparelhos de ar condicionado).<\/p>\n<p>4. N\u00e3o partilhando uma vis\u00e3o negativa do trabalho, reconhe\u00e7o que muitas pessoas fazem o que n\u00e3o gostam, por necessidades familiares, porque n\u00e3o quiseram ou n\u00e3o puderam estudar mais (mas podem estudar agora!), porque receiam procurar novo trabalho, porque n\u00e3o conseguem coloca\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o mais bem pagas a fazer o que n\u00e3o gostam do que outra coisa&#8230; Mas custa-me a entender que persistam anos e anos num trabalho ou numa empresa de que n\u00e3o gostam, ansiando pelos fins-de-semana, feriados ou f\u00e9rias. Mais contribuem para o conceito de trabalho-tortura.<\/p>\n<p>5. \u00c9 errada a ideia de que o trabalho, em sentido teol\u00f3gico, \u00e9 uma consequ\u00eancia do pecado dito original. Nas primeiras p\u00e1ginas da B\u00edblia, o ser humano \u00e9 cooperador de Deus antes do pecado (Gn 1,27: \u201cEnchei a Terra e submetei-a\u201d, e Gn 2,15: \u201cO Senhor Deus levou o homem e colocou-o no jardim do \u00c9den, para o cultivar&#8230;), o que leva Jo\u00e3o Paulo II a afirmar, na enc\u00edclica Laborem Exercens (Mediante o trabalho \u2013 carta aberta sobre o Trabalho, dirigida a todas as pessoas de boa-vontade), que \u201ca humanidade, criada \u00e0 imagem de Deus, participa mediante o seu trabalho na obra do Criador\u201d. Trabalho \u00e9 colabora\u00e7\u00e3o com Deus na imensa empresa da Cria\u00e7\u00e3o. O crist\u00e3o encontra aqui uma motiva\u00e7\u00e3o profunda para trabalhar com gosto&#8230; ou procurar um trabalho de que goste.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4717","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4717\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}