{"id":4720,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4720"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"presenca-viva-num-mundo-cada-vez-mais-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/presenca-viva-num-mundo-cada-vez-mais-diferente\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a viva num mundo cada vez mais diferente"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o muitos os sobreviventes activos dos tempos anteriores ao Conc\u00edlio. Quarenta anos depois, h\u00e1 necessidade de uma reflex\u00e3o para ver onde nos encontramos, segundo o que \u00e9 leg\u00edtimo esperar do maior acontecimento da Igreja no s\u00e9c. XX. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um exame f\u00e1cil, a menos que se saiba ler o que se passa hoje, o que est\u00e1 para al\u00e9m do que se v\u00ea, o que influencia uma parte da vida que j\u00e1 se vive e o que n\u00e3o consegue influenciar o rumo determinante da mesma. Situar-se, por fim, no meio do vendaval que sopra, por vezes inclemente, e vai derrubando gente por todo o lado.<\/p>\n<p>Sou um desses sobreviventes, ordenado padre antes do Conc\u00edlio, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o cinquenta anos. Estudei em Roma, ainda por livros antigos que j\u00e1 iam perdendo folhas. Regressei \u00e0 terra m\u00e3e, chamado a uma miss\u00e3o para a qual me julgava sentir t\u00e3o seguro, como perplexo. Entrei logo numa equipa generosa que preparava, em casa nova, novos padres para a Igreja e fui sentindo que estes, sendo padres como eu, n\u00e3o o iriam ser do mesmo modo. Fui dando por mim a ver o mundo e a Igreja com outros olhos, sem perceber ainda o rumo que tudo iria levar. Abri-me, desde ent\u00e3o, com decis\u00e3o e generosidade, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos leigos, porque cedo percebi que o padre diocesano, na sua miss\u00e3o di\u00e1ria, ou \u00e9 um crist\u00e3o com os crist\u00e3os leigos ou n\u00e3o sobreviver\u00e1, pastoralmente, como padre.<\/p>\n<p>Nesse caminho, com muitos horizontes e perspectivas, mas com mais lama e buracos que os que olhos lobrigavam, n\u00e3o se ia em frente sem dificuldades, pr\u00f3prias e alheias. <\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o, \u00e0 sombra de S. Paulo, o Ap\u00f3stolo dos gentios, que numa manh\u00e3 de Janeiro, ressoou o grito inesperado, mas por muitos desejado, do an\u00fancio de um Conc\u00edlio. <\/p>\n<p>A serena sabedoria de um Papa j\u00e1 idoso, o sorriso inesquec\u00edvel de um homem bom, no qual se percebia a ac\u00e7\u00e3o discreta, mas determinante, do Esp\u00edrito de Deus, deixou-nos alegres e tranquilos. Todos vibr\u00e1mos de entusiasmo. O Conc\u00edlio era a porta nova que se abria  e fazia falta \u00e0 Igreja, para seu bem e da sua miss\u00e3o na sociedade. Era o explodir da novidade inquietante de um Deus vivo, que sabe esperar, porque n\u00e3o desiste de n\u00f3s.    <\/p>\n<p>Na Igreja viveu-se uma nova esperan\u00e7a. O mundo, mesmo o dos n\u00e3o crentes, olhou Jo\u00e3o XXIII com respeito e admira\u00e7\u00e3o. O entusiasmo dizia-nos, porque os tempos eram outros, que n\u00e3o seria, por certo, uma simples reedi\u00e7\u00e3o de conc\u00edlios dos tempos idos. Os guardi\u00e3es tradicionais do castelo da ortodoxia, onde se guardava uma doutrina s\u00e9ria e intoc\u00e1vel, medrosos a princ\u00edpio,  porque pouco lhes chegavam os ecos de um mundo sofredor, logo sonharam que o Conc\u00edlio poderia ser o refor\u00e7o necess\u00e1rio das velhas muralhas que j\u00e1 pareciam balan\u00e7ar com a  progressiva irrequietude do mundo moderno.<\/p>\n<p>Vivi com o entusiasmo de um padre novo e inquieto, tudo quanto se ia desenrolando. N\u00e3o se podia saborear apenas a novidade do Conc\u00edlio. Era preciso p\u00f4r as dioceses em clima conciliar e alimentar este clima com encontros por todo o lado, dando a conhecer cada documento que chegava e explicando o seu alcance. As longas dist\u00e2ncias e as frias noites de Inverno n\u00e3o esmoreciam os esfor\u00e7os exigidos para tudo isto. Trabalho \u00e1rduo! Esta apaixonante tarefa de colaborar com os padres conciliares na renova\u00e7\u00e3o da Igreja e das suas estruturas pastorais ao servi\u00e7o da miss\u00e3o recebia est\u00edmulo do interesse dos leigos e das comunidades crist\u00e3s, \u00e1vidos dos frutos novos do Esp\u00edrito. Foi assim, mais ou menos, em todas as dioceses do pa\u00eds, que tamb\u00e9m eu calcorreei, algumas com outros padres, ajudando a levar para a frente esta esperan\u00e7osa causa.<\/p>\n<p>Regressar \u00e0s origens do Evangelho, fonte inesgot\u00e1vel da verdade e do amor que anima a vida da Igreja e a sua miss\u00e3o de serva dos homens e mulheres de todos os tempos, prestar aten\u00e7\u00e3o e dar resposta \u00e0 realidade e \u00e0 cultura emergente, era o desejo e o prop\u00f3sito do Conc\u00edlio para aprofundar a vis\u00e3o renovada da Igreja, da sua natureza e miss\u00e3o; tomar consci\u00eancia das ra\u00edzes vitais e alimentar-se delas; limpar a ferrugem do tempo nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas essenciais e nas estruturas pastorais; reaprender os caminhos da inter rela\u00e7\u00e3o e da presen\u00e7a da Igreja no mundo contempor\u00e2neo e  escancarar a janela dos novos horizontes da viv\u00eancia crist\u00e3 e das urg\u00eancias da miss\u00e3o. <\/p>\n<p>Vive a Igreja, ainda hoje, este projecto renovador? Irei continuar a reflex\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o muitos os sobreviventes activos dos tempos anteriores ao Conc\u00edlio. Quarenta anos depois, h\u00e1 necessidade de uma reflex\u00e3o para ver onde nos encontramos, segundo o que \u00e9 leg\u00edtimo esperar do maior acontecimento da Igreja no s\u00e9c. XX. 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