{"id":4725,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4725"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sim-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sim-ou-nao\/","title":{"rendered":"Sim ou n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; Poder dizer \u201csim\u201d ou dizer \u201cn\u00e3o\u201d \u00e9 um exerc\u00edcio de democracia &#8211; afirmava um ilustre constitucionalista, a prop\u00f3sito do desaire que tomou posse da classe pol\u00edtica, face ao \u201cn\u00e3o\u201d da Fran\u00e7a e da Holanda ao texto da Constitui\u00e7\u00e3o Europeia, j\u00e1 seguido da suspens\u00e3o da mesma consulta em Inglaterra, do an\u00fancio da poss\u00edvel retoma de circula\u00e7\u00e3o da Lira italiana, do voto de adiamento da consulta em Portugal\u2026 Isto \u00e9, face a um cen\u00e1rio de aparente derrocada do projecto europeu.<\/p>\n<p>2 &#8211; N\u00e3o basta poder dizer \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d, para se estar em democracia. \u00c9 fundamental ter raz\u00f5es para dizer um ou outro, assumi-las e escolher consequentemente. E a\u00ed reside a maior dificuldade de quem prop\u00f5e e de quem escolhe. De quem prop\u00f5e, porque se lhe exige a necessidade da transpar\u00eancia da proposta e a humildade de desejar o contributo dos eleitores na discuss\u00e3o pr\u00e9via \u00e0 vota\u00e7\u00e3o. O que, \u00e0 partida, desfaz quaisquer ilus\u00f5es de manipula\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o oculta j\u00e1 tomada &#8211; aquilo que a nossa classe pol\u00edtica \u201cvende\u201d com mais facilidade.<\/p>\n<p>3 &#8211; Da parte de quem escolhe, n\u00e3o \u00e9 menor o empenho exigido. Primeiro, de procurar todos os modos de entender o que \u00e9 proposto. N\u00e3o bastam as opini\u00f5es dos amigos ou a publicidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social; como n\u00e3o basta a indica\u00e7\u00e3o dos preferidos pol\u00edticos. O exerc\u00edcio da cidadania reclama uma busca de informa\u00e7\u00e3o e uma capacidade cr\u00edtica sobre essa informa\u00e7\u00e3o &#8211; o que exige trabalho, nem sempre muito ao nosso jeito. Por outro lado, uma escolha de cidadania amadurecida implica a nada f\u00e1cil tarefa de ultrapassar os interesses pessoais, para aferir o interesse comum como gui\u00e3o essencial da escolha.<\/p>\n<p>4 &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es europeias como face aos projectos nacionais, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa p\u00fablica como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s iniciativas privadas\u2026 Amadurecer uma op\u00e7\u00e3o fundamentada n\u00e3o \u00e9 muito esse o h\u00e1bito de bastantes de n\u00f3s. Porventura n\u00e3o por culpa pr\u00f3pria, mas por um d\u00e9fice de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica. Seguramente por um d\u00e9fice de forma\u00e7\u00e3o integral, que nos torna cronicamente m\u00edopes face \u00e0 ousadia do futuro e nos molda como avarentos de \u201clucros\u201d imediatos e pessoais. Quando se trata de reconhecer a verdade dos outros, de p\u00f4r em causa o interesse pessoal\u2026 as coisas tornam-se dif\u00edceis! E n\u00e3o h\u00e1 pior cegueira do que aquela de quem n\u00e3o quer ver!<\/p>\n<p>5 &#8211; Com ou sem referendo em Outubro, misturado ou separado das aut\u00e1rquicas, decisivo \u00e9 que os pol\u00edticos se habituem a respeitar os seus eleitores. Sem necessidade, como \u00e9 evidente, de com eles discutirem ao pormenor todas as iniciativas, n\u00e3o podem \u00e9 projectar nas suas costas o que quer que seja que implique impacto profundo e duradouro nas suas vidas, sem os fazerem participar de uma discuss\u00e3o clara e conclusiva, que lhes permita dizerem \u201csim\u201d ou dizerem \u201cn\u00e3o\u201d como exerc\u00edcio de cidadania activa!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Poder dizer \u201csim\u201d ou dizer \u201cn\u00e3o\u201d \u00e9 um exerc\u00edcio de democracia &#8211; afirmava um ilustre constitucionalista, a prop\u00f3sito do desaire que tomou posse da classe pol\u00edtica, face ao \u201cn\u00e3o\u201d da Fran\u00e7a e da Holanda ao texto da Constitui\u00e7\u00e3o Europeia, j\u00e1 seguido da suspens\u00e3o da mesma consulta em Inglaterra, do an\u00fancio da poss\u00edvel retoma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-4725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4725\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}