{"id":4776,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4776"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"motivos-e-objectivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/motivos-e-objectivos\/","title":{"rendered":"Motivos e objectivos"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; O encontro terminara. O conv\u00edvio final iria decorrer numa sala agrad\u00e1vel e de certa pompa. Algu\u00e9m, previamente, deu umas quantas indica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Tinha sido este o sal\u00e3o nobre do centro de forma\u00e7\u00e3o: est\u00e1vamos no que fora, e era de novo, o Semin\u00e1rio; mas, entretanto, sob a ocupa\u00e7\u00e3o comunista, tornara-se o centro de acolhimento e forma\u00e7\u00e3o dos \u201cmilitantes\u201d do Ocidente, que, a coberto de uma coopera\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, se preparavam para serem os pontas de lan\u00e7a da implanta\u00e7\u00e3o do sistema nos seus pa\u00edses de origem. <\/p>\n<p>2 &#8211; Sob o mesmo tecto, como tinham sido t\u00e3o diversos os motivos da chegada! Como eram t\u00e3o distintos os objectivos tra\u00e7ados durante a estadia nos mesmos lugares! N\u00e3o pude deixar de reflectir sobre isso. Como tamb\u00e9m n\u00e3o me passou despercebido o contraste entre a fantasia de um ex\u00edlio de l\u00e1grimas e priva\u00e7\u00f5es e a realidade de uma vida marcada pelo privil\u00e9gio da comodidade, em compara\u00e7\u00e3o com os naturais, privados tantas vezes do essencial, em favor da expans\u00e3o da ideologia. <\/p>\n<p>3 &#8211; Aqui se tinham abrigado, de facto, muitos jovens, respondendo ao apelo de Jesus Cristo, em busca de uma forma\u00e7\u00e3o que lhes proporcionasse servirem aos homens os princ\u00edpios e a vida de plenitude. Como aqui se acolheram tantos que, respondendo ao desafio dos mentores do marxismo-leninismo, procuraram escudar-se numa super-estrutura ideol\u00f3gica que subvertesse a humanidade, construindo a plenitude da hist\u00f3ria dentro dos seus limites, elegendo Deus como o seu inimigo preferido e, como consequ\u00eancia, todos os que n\u00e3o perfilhassem os mesmos ideais.<\/p>\n<p>4 &#8211; N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tenham incorporado &#8211; e incorporem ainda &#8211; as fileiras desse sistema muitos bem intencionados, chocados pelas tremendas desigualdades, sedentos de uma justi\u00e7a social que devolva a dignidade a quem sempre a teve espezinhada por interesses ego\u00edstas e gananciosos. Como tamb\u00e9m \u00e9 verdade que aqueles que deveriam ser testemunhas do amor fraterno, nem sempre s\u00e3o ou foram fermento de unidade e de fraterna entreajuda. Os motivos e os objectivos, passando pelas estruturas &#8211; e pelos centros de forma\u00e7\u00e3o! &#8211; constroem-se essencialmente no cora\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>5 &#8211; Certo \u00e9 que os resultados finais denunciam, em definitivo, os motivos e os objectivos. A hist\u00f3ria demonstrou, pela fal\u00eancia do sistema, que o marxismo-leninismo n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para a humanidade. A hist\u00f3ria demonstrou que o figurino n\u00e3o seria, de modo nenhum, um bem para Portugal. Por isso, quando volta ao lugar de onde foi tirado um portugu\u00eas valoroso, que se equivocou nos seus motivos e objectivos, sem deixarmos de reconhecer a envergadura do seu talento, n\u00e3o podemos sen\u00e3o lamentar que tamanha energia tenha percorrido caminhos \u00ednvios. <\/p>\n<p>\u00c1lvaro Cunhal marcou indelevelmente a hist\u00f3ria de Portugal. Um contributo que fez contraponto com muitos outros. Motivos e objectivos que o tempo vem demonstrando nos terem colocado \u00e0 beira de um risco assustador. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; O encontro terminara. O conv\u00edvio final iria decorrer numa sala agrad\u00e1vel e de certa pompa. Algu\u00e9m, previamente, deu umas quantas indica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. 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