{"id":4812,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4812"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"renovacao-sempre-inacabada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/renovacao-sempre-inacabada\/","title":{"rendered":"Renova\u00e7\u00e3o sempre inacabada"},"content":{"rendered":"<p>A renova\u00e7\u00e3o que se opera no interior de n\u00f3s pr\u00f3prios e da\u00ed parte, procurando atingir os diversos campos de ac\u00e7\u00e3o onde nos vamos gastando, mesmo que generosamente, ser\u00e1 sempre uma renova\u00e7\u00e3o inacabada. F\u00e1cil de entender e aceitar, dado que se v\u00e3o criando, em todos n\u00f3s, la\u00e7os que n\u00e3o se desatam de repente e h\u00e1bitos que n\u00e3o se apagam com um sopro. Por outro lado, as mudan\u00e7as cont\u00ednuas que temos de enfrentar s\u00e3o mais r\u00e1pidas que a capacidade de irmos sempre \u00e0 frente ou, pelo menos, lado a lado, com  respostas e propostas adequadas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, uma renova\u00e7\u00e3o, auspiciada e repetidamente sonhada, est\u00e1 relacionada com os ventos novos do Conc\u00edlio que acordaram mais os que n\u00e3o dormiam o sonho profundo do comodismo nem de uma indiferen\u00e7a j\u00e1 instalada. E estes eram muitos. Quarenta anos passados, podemos perguntar, muito legitimamente, em que ponto nos encontramos no processo da renova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Esta n\u00e3o \u00e9, nem pode ser a que alguns por a\u00ed reclamam, de ced\u00eancia ao essencial, para poder ser do tempo. \u00c9 sim a que permite tirar do tesouro coisas que nele se encontram e que as mudan\u00e7as sociais e culturais postulam para um melhor servi\u00e7o a Deus e aos outros, cada dia exigido.<\/p>\n<p>Em alguns aspectos, cada um s\u00f3 poder\u00e1 responder por si pr\u00f3prio. Em muitos outros, com resultados na pra\u00e7a p\u00fablica, a aprecia\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais f\u00e1cil, mesmo que nos guardemos de ju\u00edzos morais sobre intervenientes conhecidos.<\/p>\n<p>Como s\u00e3o muitos os aspectos sob aprecia\u00e7\u00e3o, iremos por partes, a fim de que seja poss\u00edvel maior objectividade, capacidade de revis\u00e3o e prop\u00f3sito de acordar ou de n\u00e3o parar. Falemos da situa\u00e7\u00e3o dos leigos crist\u00e3os, hoje, na Igreja e na sociedade.<\/p>\n<p>Os leigos encontraram no Conc\u00edlio e nos anos posteriores uma luz nova e um novo caminho para se situarem na Igreja e no mundo. Clarificou-se a teologia do laicado com a afirma\u00e7\u00e3o, sem favor, da dignidade radical dos leigos como membros de pleno direito do Povo de Deus; o leg\u00edtimo protagonismo que lhes \u00e9 pr\u00f3prio na miss\u00e3o normal da Igreja; o direito de livre associa\u00e7\u00e3o, quer em rela\u00e7\u00e3o ao seu enriquecimento espiritual, quer ao seu empenhamento apost\u00f3lico; o sublinhar da sua autonomia nas tarefas e op\u00e7\u00f5es que lhes pertencem e onde \u00e9 leg\u00edtima e plaus\u00edvel a sua liberdade; a preocupa\u00e7\u00e3o pela sua forma\u00e7\u00e3o, com o direito de que lhes sejam proporcionados meios adequados e acess\u00edveis para se formarem. <\/p>\n<p>Tudo isto deu origem a muitas iniciativas e in\u00fameras portas se abriram na Igreja e em suas comunidades. Os minist\u00e9rios laicais multiplicaram-se; nasceram os \u00f3rg\u00e3os de participa\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade; o acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o regular e mesmo superior \u00e9 um facto; a multiplica\u00e7\u00e3o de movimentos laicais de espiritualidade e apostolado est\u00e1 \u00e0 vista; os diversos servi\u00e7os da Igreja, que lhes foram confiados como primeiros respons\u00e1veis, s\u00e3o sinais desta abertura. Por\u00e9m, deram-se ainda poucos os passos  em ordem ao compromisso social e pol\u00edtico, \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para a interven\u00e7\u00e3o regular nas estruturas sociais, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de movimentos de fronteira, necess\u00e1rios num mundo que est\u00e1 sujeito, cada vez mais, a influ\u00eancias estranhas, quando n\u00e3o mesmo opostas, aos princ\u00edpios e crit\u00e9rios do Evangelho. Crist\u00e3os no mundo por voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se v\u00ea em muitos leigos o ardor desta voca\u00e7\u00e3o e milit\u00e2ncia, sinal de que n\u00e3o tem andado por a\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o de lhes proporcionar forma\u00e7\u00e3o na linha da doutrina social da Igreja,  rica  e apelativa.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, ser\u00e1 talvez o sinal menos positivo do p\u00f3s-Conc\u00edlio, a dificuldade da Igreja e dos seus respons\u00e1veis em manter uma rela\u00e7\u00e3o positiva com a sociedade, no respeito pela sua autonomia e dinamismos pr\u00f3prios. Mais leigos nos servi\u00e7os do templo, que nas tarefas temporais, \u00e9 sintoma de uma  renova\u00e7\u00e3o que estagnou ou vai ao arrepio do Conc\u00edlio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A renova\u00e7\u00e3o que se opera no interior de n\u00f3s pr\u00f3prios e da\u00ed parte, procurando atingir os diversos campos de ac\u00e7\u00e3o onde nos vamos gastando, mesmo que generosamente, ser\u00e1 sempre uma renova\u00e7\u00e3o inacabada. 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