{"id":4813,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4813"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"crepusculo-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crepusculo-da-europa\/","title":{"rendered":"Crep\u00fasculo da Europa?"},"content":{"rendered":"<p>A classe pol\u00edtica foi surpreendida pelo \u201cn\u00e3o\u201d do povo franc\u00eas e do povo holand\u00eas ao referendo ao Tratado Constitucional Europeu. Entrou-se rapidamente num clima de quem est\u00e1 j\u00e1 no crep\u00fasculo da Europa, antes mesmo que brilhasse em pleno o sol do seu projecto. As reac\u00e7\u00f5es foram, no geral, de quem perdeu n\u00e3o uma batalha mas a guerra.<\/p>\n<p>1 &#8211; \u00c9 claro que, mais tarde ou mais cedo, os cidad\u00e3os acabam por aperceber-se de que os seus elegidos, abusando da delega\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, conduzem os sonhos das na\u00e7\u00f5es por caminhos \u00ednvios, que n\u00e3o colocam o bem comum, a integra\u00e7\u00e3o das identidades numa unidade diversificada, como os objectivos priorit\u00e1rios\u2026 Antes se tornam medianeiros de grupos de interesses, antag\u00f3nicos entre si, todos em busca de hegemonias incompat\u00edveis com uma cidadania de pleno direito, consciente, para ser participativa.<\/p>\n<p>2 &#8211; Em vez das discuss\u00f5es sobre o sentido do projecto original dos sonhadores da Europa, da descoberta da riqueza da alma das na\u00e7\u00f5es, da integra\u00e7\u00e3o cultural em mosaico harmonioso\u2026, os nossos pol\u00edticos varreram da Comunidade Europeia as refer\u00eancias hist\u00f3ricas integrais, as componentes religiosas das matrizes culturais, a considera\u00e7\u00e3o de todos os contributos da diversidade de for\u00e7as e estruturas sociais, as institui\u00e7\u00f5es que alicer\u00e7am uma sociedade equilibrada, nomeadamente a Fam\u00edlia. <\/p>\n<p>3 &#8211; Fundamentaram a constru\u00e7\u00e3o europeia essencialmente na negocia\u00e7\u00e3o: sempre que algum representante nacional participa em conv\u00e9nios europeus, vai negociar; para chegar triunfante com o resultado, que lhe dar\u00e1 dividendos pol\u00edticos, ou desculpando-se do insucesso, para que o desgaste n\u00e3o seja t\u00e3o pernicioso. Tra\u00e7aram-se \u00e1reas transversais de constru\u00e7\u00e3o da Europa prisioneiras de objectivos mercantilistas &#8211; mesmo quando se trata de Educa\u00e7\u00e3o, de Espa\u00e7o Europeu do Ensino Superior.<\/p>\n<p>4 &#8211; Desprezou-se o Homem. Melhor dito: fazendo t\u00e1bua rasa de um patrim\u00f3nio multisecular de hist\u00f3ria, cultura, vida social, religi\u00e3o, que vai muito para al\u00e9m do \u201cmarco\u201d da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, fazendo dos seus preconceitos jacobinos os ideais de constru\u00e7\u00e3o da unidade europeia, a \u201cnomenclatura\u201d pol\u00edtica reduziu a Pessoa a uma ferramenta utilitarista, que se molda ao sabor dos interesses estabelecidos.<\/p>\n<p>5 &#8211; Face a um equil\u00edbrio mundial cada vez mais fr\u00e1gil, \u00e9 tempo de retomarmos todos o gosto de descobrirmos de onde vimos, de assumirmos todos os trajectos percorridos, numa diversidade enriquecedora, de nos empenharmos todos em refazermos e actualizarmos as nossas identidades culturais, de acolhermos o desafio da necessidade de uma nova alma europeia, n\u00e3o para confrontarmos os nossos \u201cadvers\u00e1rios\u201d, do Oriente ou do outro lado do mar, mas para oferecermos o nosso testemunho de coer\u00eancia, que edifica, o nosso gosto de partilha, que fortalece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classe pol\u00edtica foi surpreendida pelo \u201cn\u00e3o\u201d do povo franc\u00eas e do povo holand\u00eas ao referendo ao Tratado Constitucional Europeu. 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