{"id":4838,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4838"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"tome-la-um-centimo-e-nao-se-queixe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tome-la-um-centimo-e-nao-se-queixe\/","title":{"rendered":"Tome l\u00e1 um c\u00eantimo e n\u00e3o se queixe!&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> Todos n\u00f3s nos habitu\u00e1mos a ir \u00e0 missa, tranquilamente, t\u00e3o tranquilamente que at\u00e9 podemos chegar uns minutos, \u00e0s vezes largos minutos, depois de a missa come\u00e7ar. (Naturalmente que se sup\u00f5e que ela come\u00e7a a horas, porque, a ser de outra forma, o assunto muda de figura.) Chegamos tarde, passamos os olhos por quem est\u00e1 e vamos aguardando paciente ou impacientemente que o tempo passe depressa. Quantas vezes olhamos para o rel\u00f3gio \u00e0 espera do \u201cVamos em paz e o Senhor nos acompanhe.\u201d?<\/p>\n<p>A missa continua a ser, para muitos dos intervenientes, algo que come\u00e7a e acaba ali, na igreja. Mesmo para gente mais consciente e convicta parece dif\u00edcil ser de outra maneira. H\u00e1 um c\u00e2ntico das missas dos mais novos que diz que \u201ca missa n\u00e3o termina aqui na igreja\u201d. Na verdade, verificamos que, em muitos aspectos, n\u00f3s n\u00e3o conseguimos trazer a missa para fora da igreja. Quero abordar concretamente um aspecto da quest\u00e3o social da missa. No Congresso Eucar\u00edstico Diocesano foi tratado, e com muita veem\u00eancia, a repercuss\u00e3o social da missa em diversas vertentes. Da\u00ed que a minha reflex\u00e3o venha num destes sentidos.<\/p>\n<p>Em todas as celebra\u00e7\u00f5es da Eucaristia, h\u00e1 um momento chamado ofert\u00f3rio, em que somos convidados a partilhar os nossos bens com a Igreja, numa atitude de fraternidade e de gratid\u00e3o ao Senhor, Ele que nos vai garantindo, com o nosso esfor\u00e7o e trabalho s\u00e9rio, o p\u00e3o de cada dia. Esta partilha de bens era destinada, \u00e0 maneira da primitiva Igreja, a p\u00f4r em comum algo daquilo que pod\u00edamos, para ajudar os mais pobres e necessitados da comunidade. Essa partilha era de tal ordem e abund\u00e2ncia na Igreja nascente que, r\u00e1pida e necessariamente, se estabeleceu que fossem escolhidos homens para realizar o servi\u00e7o da distribui\u00e7\u00e3o de bens aos irm\u00e3os: os di\u00e1conos. A Igreja celebrante era um Igreja comprometida na \u00e1rea social: quem tem \u00e9 obrigado, por princ\u00edpios de justi\u00e7a, a repartir com quem n\u00e3o tem. N\u00e3o se trata apenas de fazer caridade. Trata-se de justi\u00e7a e justi\u00e7a a s\u00e9rio, porque o culto s\u00f3 \u00e9 verdadeiro quando se p\u00f5e em pr\u00e1tica a justi\u00e7a, e a Igreja n\u00e3o \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de caridade.<\/p>\n<p>O que vemos hoje? <\/p>\n<p>Mesmo olhando muito superficialmente, damos conta de que o ofert\u00f3rio n\u00e3o passa de um miser\u00e1vel pedit\u00f3rio, onde se recebem, n\u00e3o digo pequenas ofertas pecuni\u00e1rias, mas as mais pequenas moedas em circula\u00e7\u00e3o, a par de tantas outras j\u00e1 fora de circula\u00e7\u00e3o. Numa atitude que, a brincar, chamo de racismo prim\u00e1rio, jogamos para o cesto tudo quanto \u00e9 escuro. Essas moedas, que nem os garotos querem, n\u00f3s as damos, tentando descarregar um peso de consci\u00eancia, que contrasta com a leveza das moedas. Eu sei que tamb\u00e9m isso \u00e9 dinheiro e que, muitas vezes, essas pequenas v\u00eam juntas com outras; por\u00e9m, n\u00e3o se compreende que as d\u00e1divas de muitas comunidades (?) n\u00e3o cheguem sequer para pagar a luz da igreja, quando deviam chegar e sobrar abundantemente para a tal ac\u00e7\u00e3o social da Igreja, na satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades b\u00e1sicas de membros da mesma Igreja, ou at\u00e9, porque n\u00e3o, da sociedade? E se toda a gente desse alguma coisa\u2026; mas h\u00e1 muitos bra\u00e7os curtos que n\u00e3o chegam ao cesto! \u2026<\/p>\n<p>Num tempo em que a mesma Igreja esbanja milhares e milhares de euros em espect\u00e1culos levados a cabo pelas festas religiosas, enchendo a carteira a \u201cartistas\u201d de fuga aos impostos, dinheiro que t\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 de arranjar e t\u00e3o f\u00e1cil de desbaratar, parece urgente mudar de atitude. Eu at\u00e9 reconhe\u00e7o o nosso elevado grau de solidariedade em tantas circunst\u00e2ncias ao longo do ano, e a nossa sensibilidade \u00e0 mis\u00e9ria dos outros! Por\u00e9m, entendo que a caridade\/solidariedade deveria ser apenas um extra para situa\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias, enquanto que a justi\u00e7a distributiva, essa tem de ser o dia-a-dia.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 dar uma esmola, outra \u00e9 partilhar com os outros. Desculpar-nos com a ideia de que hoje n\u00e3o h\u00e1 pobres, ou que muitos ditos pobres n\u00e3o s\u00e3o realmente pobres, pode ser uma fuga ao compromisso crist\u00e3o da f\u00e9 e ao sentido de comunh\u00e3o da Eucaristia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4838","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4838"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4838\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}