{"id":4840,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4840"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"reflexao-necessaria-em-tempo-de-espera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/reflexao-necessaria-em-tempo-de-espera\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o necess\u00e1ria em tempo de espera"},"content":{"rendered":"<p>Por vezes, vou pensando que a velha Europa envelheceu de mais. Demograficamente bateu no fundo. Gera cada vez menos vida e, n\u00e3o fossem os emigrantes, em alguns pa\u00edses j\u00e1 n\u00e3o se saberia o que \u00e9 uma crian\u00e7a. Perdeu o dinamismo dos horizontes alargados e construtivos e parece s\u00f3 saber reivindicar dinheiro e poder. Esqueceu as suas ra\u00edzes, matou a mem\u00f3ria de s\u00e9culos e ficou enredada por jogos de interesses. <\/p>\n<p>A crise europeia \u00e9 uma crise de valores fundamentais. A falta de coes\u00e3o espiritual n\u00e3o deixa que os compromissos tenham for\u00e7a para gerar um projecto comum e ser-lhe fiel.     <\/p>\n<p>A Europa est\u00e1 a ser v\u00edtima das suas contradi\u00e7\u00f5es interiores e internas. O vazio a que chegou empurrou-a para arranjos de conveni\u00eancia e solu\u00e7\u00f5es imediatas. Assim se vai tornando inconsistente e sem futuro. <\/p>\n<p>Geograficamente, o continente europeu \u00e9 uma realidade complexa que se estende dos Urais ao Atl\u00e2ntico e ro\u00e7a em mares e montanhas que n\u00e3o falam a mesma l\u00edngua. Por\u00e9m, h\u00e1 uma matriz que tem alguma coisa de comum e que pode ser, sempre que respeitada e valorizada, um elemento de coes\u00e3o no meio das muitas diferen\u00e7as que, por vezes, se agridem e se ferem. Esta matriz, historicamente indiscut\u00edvel, foi-lhe negada.<\/p>\n<p>Para muitos europeus, mesmo dos mais respons\u00e1veis, a hist\u00f3ria deixou de contar e, do passado, parece s\u00f3 ter import\u00e2ncia o que se sabe a partir da revolu\u00e7\u00e3o francesa, vista com olhos turvos e facciosos. Deste modo, se pode pensar na dificuldade ou mesmo impossibilidade, de um projecto v\u00e1lido e aglutinador que fa\u00e7a da Europa, no actual contexto internacional, um parceiro capaz de propostas humanizantes, geradoras de paz, bem estar e desenvolvimento, com base no respeito e na m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o. Processo lento, mas poss\u00edvel, e o \u00fanico capaz de ser ponto de encontro e de apoio para novos sonhos e projectos.<\/p>\n<p>A Europa, que se quer construir como comunidade ou uni\u00e3o, desembarcou, de repente, na pra\u00e7a dos interesses econ\u00f3micos, esquecendo-se que os sonhadores de uma Europa unida tiveram estes com um meio para garantir a paz e progresso, nunca como projecto ou fim em si mesmos. <\/p>\n<p>A linguagem dos pol\u00edticos, quando partem para as reuni\u00f5es em inst\u00e2ncias europeias, \u00e9 dizer ao povo o que esperam conseguir e de como v\u00e3o convencer os parceiros ricos. Quando regressam, falam do que ganharam, do que n\u00e3o conseguiram, do que perderam e logo do prop\u00f3sito de n\u00e3o desistirem de vir a conseguir mais fundos de apoio. <\/p>\n<p>Os passos dados desde o in\u00edcio j\u00e1 atingiram outros campos de colabora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 preciso salvaguardar e solidificar. Mas isto n\u00e3o se faz s\u00f3 com referendos. Faz-se com ideias  e com valores, porque s\u00f3 estes s\u00e3o revolucion\u00e1rios e capazes de desbravar novos caminhos a percorrer. Os interesses de cada Estado, quando n\u00e3o visam o interesse comum a todos, geram fronteiras intranspon\u00edveis e subservi\u00eancias lament\u00e1veis. \u00c9 mais f\u00e1cil calar os pequenos que precisam e anular a sua dignidade, do que construir, com grandes e pequenos, uma soberania partilhada e sem privil\u00e9gios escandalosos.<\/p>\n<p>H\u00e1 um caminho a percorrer, tamb\u00e9m entre n\u00f3s, pr\u00e9vio a qualquer referendo de pron\u00fancia. Traduz-se na urg\u00eancia de um processo alargado e intenso de educa\u00e7\u00e3o para uma nova consci\u00eancia e exerc\u00edcio da cidadania. N\u00e3o se penetra na complexidade europeia, com capacidade para novos caminhos de uma constru\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, a mendigar subs\u00eddios, a beneficiar de projectos como o Erasmus, a impor modelos morais importados de pa\u00edses europeus apodrecidos, a votar uma constitui\u00e7\u00e3o ou um tratado. Est\u00e1 o problema da Europa apenas na vota\u00e7\u00e3o bem sucedida do sim ou do n\u00e3o? Como encher este tempo de espera? Estas e outras perguntas pertinentes exigem respostas v\u00e1lidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por vezes, vou pensando que a velha Europa envelheceu de mais. Demograficamente bateu no fundo. Gera cada vez menos vida e, n\u00e3o fossem os emigrantes, em alguns pa\u00edses j\u00e1 n\u00e3o se saberia o que \u00e9 uma crian\u00e7a. Perdeu o dinamismo dos horizontes alargados e construtivos e parece s\u00f3 saber reivindicar dinheiro e poder. 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