{"id":4864,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4864"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-igreja-tem-de-fazer-uma-conversao-cultural-em-todas-as-areas-da-pastoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-igreja-tem-de-fazer-uma-conversao-cultural-em-todas-as-areas-da-pastoral\/","title":{"rendered":"A Igreja tem de fazer uma convers\u00e3o cultural em todas as \u00e1reas da pastoral"},"content":{"rendered":"<p>Decorreu em F\u00e1tima, nos dias 24 e 25 de Junho, uma Jornada sobre \u201cO entretenimento: valores e contradi\u00e7\u00f5es\u201d, promovida pela Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00e3o Social, com representantes de diversas dioceses do Pa\u00eds<\/p>\n<p>Uma dezena de especialistas de diversas \u00e1reas do saber deu o seu contributo \u00e0 reflex\u00e3o, que h\u00e1 muito se imp\u00f5e e que a Igreja cat\u00f3lica n\u00e3o tem descurado, apesar de tudo, no sentido de dinamizar o di\u00e1logo entre f\u00e9 e cultura. \u201cO encontro entre cultura e f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 apenas um desafio da cultura; \u00e9 tamb\u00e9m uma exig\u00eancia da f\u00e9\u201d, sublinha-se, ali\u00e1s, no \u201csite\u201d do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.<\/p>\n<p>D. Manuel Clemente, Bispo Auxiliar de Lisboa e presidente daquela Comiss\u00e3o Episcopal, afirmou que a Jornada pretende motivar as pessoas da Igreja para olharem para a import\u00e2ncia do entretenimento, no sentido de que \u201ca vida, a festa e os tempos livres s\u00e3o realidades que n\u00e3o podemos deixar de considerar\u201d. Referiu que \u201co Evangelho tem de incidir nesta \u00e1rea cada vez mais alargada da vida das pessoas\u201d, tendo ainda afirmado que o entretenimento \u201cpode ser fruto do envolvimento pessoal e criativo de cada um\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, padre e poeta, mas tamb\u00e9m director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, adiantou, em jeito de mote, na abertura dos trabalhos e citando o Vaticano II, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 cultura que n\u00e3o seja do homem, pelo homem e para o homem\u201d. Frisou que a Igreja \u201cnecessita de fazer uma convers\u00e3o cultural em todas as \u00e1reas pastorais\u201d, e disse que urge valorizar uma \u201crede de complementaridades\u201d, que interligue todos os agentes empenhados nas comuni-dades eclesiais.<\/p>\n<p>Tolentino Mendon\u00e7a denunciou que \u201c\u00e9 muito f\u00e1cil ser pessimista quando se fala de cultura e do entretenimento\u201d; mas logo refor\u00e7ou que este \u201c\u00e9 fundamental para a transmiss\u00e3o de valores\u201d, nos nossos dias. Lembrou, entretanto, que \u201choje vivemos um drama muito grande, que \u00e9 o da elimina\u00e7\u00e3o da cultura popular\u201d, que est\u00e1 a ser substitu\u00edda por uma \u201ccultura suburbana, muito desenraizada, na qual h\u00e1 poucas express\u00f5es que traduzam a alma das pessoas\u201d.<\/p>\n<p>O \u00f3cio d\u00e1 curso \u00e0 fantasia<\/p>\n<p>Para Ant\u00f3nio Pinto Ribeiro, ensa\u00edsta e programador cultural da Gulbenkian, \u201ca cultura humana nasce toda ela do jogo\u201d, desde tempos imemoriais, sendo muito dif\u00edcil estabelecer a fronteira entre cultura e entretenimento. E este n\u00e3o \u00e9 uma actividade banal nem deve ser \u201cdiabolizado\u201d. \u201cA dignidade humana n\u00e3o est\u00e1 no entretenimento em si, mas no uso que dele se faz\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O conferencista alertou para o facto de os media se terem \u201capro-priado\u201d do entretenimento, que muita gente consome sem regra, o que leva \u201c\u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 passividade dos cidad\u00e3os\u201d. No entanto, garantiu que h\u00e1 excelentes televis\u00f5es, r\u00e1dios e jornais, no meio de outros \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social \u201cdesprovidos de intelig\u00eancia\u201d. E acrescentou que h\u00e1 pessoas que n\u00e3o podem desligar a televis\u00e3o, porque n\u00e3o sabem ou n\u00e3o podem fazer mais nada, precisamente \u201cporque n\u00e3o foram educadas\u201d para fazer outras coisas.<\/p>\n<p>Por outro lado, recordou que o \u00f3cio tem in\u00fameras vari\u00e1veis, desde o passeio por jardins e parques, \u201ccomo a borboleta que anda sem destino certo\u201d, sendo ainda uma mais-valia para nos encontrarmos com as pessoas, com as coisas e com o mundo. \u201cO \u00f3cio, o nada fazer, \u00e9 dar curso \u00e0 fantasia\u201d, referiu.<\/p>\n<p>O \u00f3bvio n\u00e3o \u00e9 o mais divertido<\/p>\n<p>Por sua vez, Jorge Leit\u00e3o Ramos, jornalista e cr\u00edtico de cinema do \u201cEXPRESSO\u201d, recordou que a s\u00e9tima arte demorou muito a ser olhada como tal. Disse que o cinema tem de ser popular, porque a sua produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o se apoiam em estruturas muito caras, e garantiu que \u201ca moral tanto pode estar nos filmes de cowboys como nas trag\u00e9dias\u201d.<\/p>\n<p>Recordou que os filmes nos devem levar a pensar, fazendo cada um a sua leitura. Num filme de Charlot, a crian\u00e7a ri-se com o artista a trope\u00e7ar e o adulto culto \u201cmedita sobre a trag\u00e9dia humana\u201d, disse.<\/p>\n<p>Noutra passagem da sua interven\u00e7\u00e3o, sublinhou que \u00e9 preciso combater a ideia de que tudo \u00e9 simples e f\u00e1cil, enquanto recordou que \u201co \u00f3bvio n\u00e3o \u00e9 o mais divertido\u201d. Ali\u00e1s, referiu que o gosto pelo f\u00e1cil cria \u201cum vazio mental\u201d, gerando pessoas \u201csem coluna vertebral\u201d. Frisou, entretanto, que se tem proclamado que \u201ca vida deve ser f\u00e1cil\u201d, ao mesmo tempo que estamos a ser educados para o \u201cimediatismo, como valor a cultivar\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, defendeu que o \u201cmal \u00e9 a aus\u00eancia de sentido para a vida\u201d e que a sociedade de consumo \u201cremeteu o sil\u00eancio e a utopia para o caixote do lixo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decorreu em F\u00e1tima, nos dias 24 e 25 de Junho, uma Jornada sobre \u201cO entretenimento: valores e contradi\u00e7\u00f5es\u201d, promovida pela Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00e3o Social, com representantes de diversas dioceses do Pa\u00eds Uma dezena de especialistas de diversas \u00e1reas do saber deu o seu contributo \u00e0 reflex\u00e3o, que h\u00e1 muito se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-4864","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4864\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}