{"id":4888,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4888"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"um-homem-novo-mais-humanizado-e-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-homem-novo-mais-humanizado-e-feliz\/","title":{"rendered":"Um homem novo, mais humanizado e feliz"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou, por temperamento, nada pessimista e muito menos apocal\u00edptico. Mas, quando se respira o ar que temos \u00e0 nossa volta e sentimos, por perto, a vida e a contra vida que nos cerca, n\u00e3o podemos ficar indiferentes, pensando, ingenuamente, que tudo passa depressa e n\u00e3o se deve perder tempo com os ambientes sociais polu\u00eddos.<\/p>\n<p>Tenho presente a palavra de um homem atento \u00e0 vida da sociedade, \u00e0 miss\u00e3o da Igreja e \u00e0s correntes de pensamento e de ac\u00e7\u00e3o que as v\u00e3o tocando e desafiando. Para al\u00e9m da clarivid\u00eancia de pensamento humanista, est\u00e1 a vis\u00e3o antecipada do profeta, que anota e previne. Refiro-me a Paulo VI que, em 1975, disse aos crist\u00e3os, num documento importante sobre a Evangeliza\u00e7\u00e3o, estas palavras: \u201c Perante os estratos da humanidade que se transformam, o mais importante para a Igreja \u00e9 chegar a atingir e como que a modificar, pela for\u00e7a do Evangelho, os crit\u00e9rios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o des\u00edgnio da salva\u00e7\u00e3o.\u201d(EN 19)<\/p>\n<p>Respeito quem concebe a vida alheia a valores espirituais e morais, nega Deus, e decide viver \u00e0 revelia da tradi\u00e7\u00e3o religiosa e da cultura. Mas n\u00e3o fico indiferente, quando esta atitude se torna militante e pretende fazer esquecer o nosso patrim\u00f3nio cultural e religioso, impondo caminhos morais que nada t\u00eam a ver connosco, por se vazarem \u00e0 margem da transcend\u00eancia, e modelos de vida inspirados num laicismo sem alma. <\/p>\n<p>Nunca se viu, nem se ver\u00e1, gente que matou Deus no seu cora\u00e7\u00e3o e pretende apag\u00e1-lo das consci\u00eancias e das p\u00e1ginas da hist\u00f3ria e da vida, por in\u00fatil e desnecess\u00e1rio, a ficar, por este motivo e ao mesmo tempo, com mais capacidade para criar um homem novo, mais humanizado e mais feliz. A hist\u00f3ria passada e recente, que uns esquecem depressa e outros n\u00e3o lhe toparam os horizontes, mostra esta impossibilidade, com muitas marcas de sangue e de destrui\u00e7\u00e3o, que atingiram e arruinaram pessoas e povos.<\/p>\n<p>Estamos perante uma milit\u00e2ncia ateia e laica que, embora pouco numerosa, denuncia, amea\u00e7a, persegue e ressuscita fantasmas, arvorando-se em juiz, sem apelo, das pessoas e institui\u00e7\u00f5es, mestra \u00fanica da p\u00e1tria, tentando impor os campos do bem e do mal.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 a acontecer entre n\u00f3s, em aspectos t\u00e3o diversos como a educa\u00e7\u00e3o, os costumes, os comportamentos p\u00fablicos, a contesta\u00e7\u00e3o da autoridade, gerando novos e exc\u00eantricos modelos de fam\u00edlia e de vida, arbitrariedades sem freio, sanha anti-religiosa, obedece a projectos organizados, que ridicularizam os valores, envenenam as fontes onde se inspiram os crit\u00e9rios e os modelos de vida mais s\u00e3os, matam as refer\u00eancias da dignifica\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o, de que a sociedade est\u00e1 cada vez mais carecida. <\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, mesmo tendo n\u00f3s valores assumidos, nem sempre conseguimos ser-lhes totalmente fi\u00e9is. Mas uma coisa \u00e9 ter uma luz que ilumina o caminho a quem se perdeu na noite da aventura, da fraqueza ou da neglig\u00eancia, outra, bem diferente, \u00e9 apagar essa luz, porque o vazio interior dispensa ajudas de fora, e a linha que demarca o bem e o mal se eliminou, porque \u00e9 inc\u00f3moda, mutiladora da liberdade e cheira a controlo moral e religioso.<\/p>\n<p>O homem novo, humanizado e feliz, n\u00e3o dispensa a luz do alto, os valores que d\u00e3o sentido \u00e0 vida, a verdade que liberta interiormente; n\u00e3o dispensa Deus e quanto Ele significa, exprime e alimenta; n\u00e3o dispensa os outros, m\u00e3o estendida que ajuda e \u00e9 ajudada; n\u00e3o dispensa o amor, frente \u00e0 intoler\u00e2ncia, ressentimento, indiferen\u00e7a e \u00f3dio; n\u00e3o dispensa uma vis\u00e3o respeitosa da vida e das pessoas que a respeitam, como dom inestim\u00e1vel; n\u00e3o dispensa os gestos que acordam os bons sentimentos. <\/p>\n<p>O homem novo \u00e9 sempre um homem vivo, que se alimenta da verdade que n\u00e3o muda nem morre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou, por temperamento, nada pessimista e muito menos apocal\u00edptico. 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