{"id":4927,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4927"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"toquem-sirenes-e-repiquem-sinos-a-rebate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/toquem-sirenes-e-repiquem-sinos-a-rebate\/","title":{"rendered":"Toquem sirenes e repiquem sinos a rebate"},"content":{"rendered":"<p>Quando h\u00e1 cerca de trinta anos, ainda na euforia de uma revolu\u00e7\u00e3o mal digerida, a obsess\u00e3o de nacionalizar tudo chegava a querer nacionalizar tamb\u00e9m as pessoas, uma assembleia, a n\u00edvel nacional, de pais de alunos das escolas do Estado, cresceu ao rubro e gritou aos respons\u00e1veis da pol\u00edtica e do minist\u00e9rio: \u201cOs nosso filhos n\u00e3o s\u00e3o cobaias. Basta. Os pais somos n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 o Estado!\u201d O grito de revolta e de indigna\u00e7\u00e3o fez tremer aqueles a quem se dirigia e as decis\u00f5es, j\u00e1 anunciadas, pararam por ali.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia estatizante no ensino n\u00e3o terminou, porque a semente ficou l\u00e1 dentro de casa, ora calada, ora assomando no terreno, como que a experimentar se j\u00e1 pode avan\u00e7ar e impor-se, criando situa\u00e7\u00f5es de facto, mais ou menos irrevers\u00edveis. Vemo-lo todos os dias e, agora, de modo mais concreto e assumido, com a protec\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que d\u00e3o a cara e que, parecendo exteriores, germinaram dentro de um sistema que lhes \u00e9 familiar.<\/p>\n<p>Caiu-me, ontem mesmo, debaixo dos olhos o relato de uma interven\u00e7\u00e3o do membro mais respons\u00e1vel da Confedera\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Pais (Confap), que dizia, em entrevista a um canal de televis\u00e3o: \u201c Temos de assumir, entre todos n\u00f3s, que os filhos s\u00e3o biologicamente nossos, mas socialmente de toda a comunidade\u201d. Assim parece querer defender que compete, sem mais, ao Estado definir o \u201cmodelo educativo\u201d para os cidad\u00e3os. Aos pais restar\u00e1 apenas o papel de serem \u201cprodutores de crian\u00e7as\u201d. Uma tal opini\u00e3o, bem pouco l\u00facida, contradiz, n\u00e3o apenas o bom senso, porque ningu\u00e9m pode tirar aos pais o direito de educarem os filhos que geraram, mas, tamb\u00e9m, a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e da Crian\u00e7a e, para n\u00e3o ir mais longe, contradiz a nossa pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que o Estado vele pelo curr\u00edculo escolar, bem pensado e definido, e o torne paradigma obrigat\u00f3rio para o conjunto da popula\u00e7\u00e3o e para o reconhecimento oficial de compet\u00eancias, est\u00e1 certo, contanto que n\u00e3o asfixie, mas favore\u00e7a, a mais s\u00e9ria capacidade inovadora de pessoas, grupos e institui\u00e7\u00f5es, testada no seu valor presente e futuro. Definir, por\u00e9m, um \u201c modelo educativo\u201d \u00fanico e sem apelo, imp\u00f4-lo aos educandos, aos pais e aos cidad\u00e3os em geral, \u00e9 um abuso que se deve denunciar, sem meias palavras. <\/p>\n<p>O Estado nunca foi nem pode ser um bom educador, porque n\u00e3o tem cora\u00e7\u00e3o; e n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o sem afecto. Lamentavelmente,  muitos a quem se paga para educar, est\u00e3o eles pr\u00f3prios ressequidos de amor e de afecto e muitos pol\u00edticos, dos mais respons\u00e1veis a todos os n\u00edveis, d\u00e3o, no seu dia a dia, um p\u00e9ssimo exemplo ao pa\u00eds pela sua linguagem, gestos, sentimentos e atitudes, mormente quando se referem aos seus advers\u00e1rios. O teimar em fechar as portas a quem tem o direito de as ter abertas para uma participa\u00e7\u00e3o pessoal e respons\u00e1vel, denuncia fraqueza do sistema e medo de concorr\u00eancia. O Estado, enquanto tiver a sua raz\u00e3o apenas na for\u00e7a do poder, n\u00e3o construir\u00e1 nunca uma comunidade de pessoas livres.<\/p>\n<p>A nacionaliza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as em Mo\u00e7ambique, enviadas depois para Cuba e para o leste comunista, foi uma experi\u00eancia infeliz e dolorosa, que deixou feridas que ainda n\u00e3o sararam. A estatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma bola de neve que n\u00e3o p\u00e1ra, se n\u00e3o \u00e9 desfeita a tempo. <\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior ao vermos quem tem obriga\u00e7\u00e3o de incarnar e defender os direitos dos pais e ajud\u00e1-los a capacitarem-se para um miss\u00e3o que n\u00e3o se aliena, reduzir estes a meros reprodutores de crian\u00e7as. S\u00f3 falta a recomenda\u00e7\u00e3o de gerarem poucas, porque os tempos v\u00e3o maus e o \u201cdeficit\u201d n\u00e3o permite desperd\u00edcios\u2026<\/p>\n<p>Toquem sirenes e repiquem sinos a rebate. \u00c9 preciso que os pais acordem, vejam o que se est\u00e1 passando e gritem, de novo, que os seus filhos n\u00e3o s\u00e3o cobaias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando h\u00e1 cerca de trinta anos, ainda na euforia de uma revolu\u00e7\u00e3o mal digerida, a obsess\u00e3o de nacionalizar tudo chegava a querer nacionalizar tamb\u00e9m as pessoas, uma assembleia, a n\u00edvel nacional, de pais de alunos das escolas do Estado, cresceu ao rubro e gritou aos respons\u00e1veis da pol\u00edtica e do minist\u00e9rio: \u201cOs nosso filhos n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}